Pós-impeachment

Na segunda-feira o assunto não será outro: o impeachment de Dilma Roussef. Ou, possivelmente, o “não-impeachment”. Qual dos dois, a câmara dos deputados decidirá no domingo.

O que nos resta então?

Se o processo de impeachment não for aceito, teremos um governo extremamente frágil, sem nenhum apoio e nível baixíssimo de governabilidade. Dependerá da capacidade do PT de se reerguer, recompor sua base e criar um “pacto” (ainda que tardio) para tentar remediar a situação.

Se o processo for aceito, o que é mais provável, será mais um passo na queda do “lulo-petismo”. Já sem apoio e retirado do poder, sobrará ao partido as bancadas na câmara e no senado, e a decisão de como lidar com a derrota. Poderão tentar resistir, ainda agarrados à hipótese de “golpe”, ou poderão assumir a derrota e procurar uma saída para a crise.

Estamos, coletivamente, em um momento crítico. Não basta a crise econômica, temos uma crise política e de representabilidade que é resultado de décadas de descaso. Devemos admitir: a maioria de nós nunca ligou muito para política. E, deixados sem supervisão, nossos representantes acabam fazendo o que bem entendem.

Meu ponto é: Dilma não é o fim. Se queremos uma política diferente, precisamos ter uma atitude diferente. A começar por remover os escolhidos para representar nossos interesses na esfera legislativa do governo. Não se engane: se receberam nossos votos, eles nos representam. E, como todo representante que não executa seu papel de maneira satisfatória, podem e devem ser removidos e substituídos. Isso é algo que todos precisamos entender: a soberania do poder cabe ao povo, pois ele é o “patrão”. E, como tal, tem o direito dever de monitorar a ação de seus representantes – seus empregados. Isso significa, como já mencionei aqui antes, que não basta votar neles uma vez a cada quatro anos e esquecer do assunto. É necessário cobrar, exigir, questionar.

Minha sugestão é que, independentemente do resultado do processo de impeachment, Eduardo Cunha seja removido, no mínimo, da presidência da Câmara. Para isso é necessário que seus colegas façam sua parte. E, para isso, eles devem saber o que o povo espera deles.

Isso significa que devemos fazer nossa parte, e procurar nossos representantes cobrando atitudes condizentes com o que esperamos deles. Se não, ficaremos apenas assistindo.

Impeachment e representatividade

Eu não queria falar de impeachment. Infelizmente este post será mais um sobre política.

Eu gostaria de discutir outros assuntos aqui; mas ultimamente está difícil falar de outra coisa. Já mencionei em outro post outro post aqui no blog qual o grande legado deste governo. Essa situação é muito incômoda e não vai se resolver logo nem facilmente. Mas eu quero registrar aqui algumas coisas.

Plenário do Congresso, onde o impeachment está sendo decidido
Plenário do Congresso – eles te representam

Impeachment é golpe ou não é?

Não.

Muitas pessoas acreditam que esse processo seja golpe por vários motivos. Os que ouvi recentemente são de que “não pode haver impeachment sem crime”, e “se acontecer o impeachment, ele vai colocar no poder alguém que não recebeu votos”.

Ambas as afirmações estão erradas.

Golpe não está previsto na lei; impedir um presidente está.

Primeiro: o impeachment é um instrumento constitucional e, portanto, democrático. Este processo tem seguido todas as regras, cumprido todos os requerimentos e passado por todas as fases necessárias. Dito isto, ele é também um processo político.

Eu não escondo de ninguém que não gosto do governo do PT. Desde o início da era Lula venho mencionando aqui que a política que eles estavam praticando não era saudável e eventualmente seria a causa de uma grave crise. Dito e feito; acabaram os bons ventos do mercado internacional (que não está em recessão, apenas mudou de perfil) e, com eles, a fonte de fôlego financeiro do governo. Acabou o segundo “milagre econômico”. A maioria dos analistas internacionais aplaudia o Brasil, falava de como estávamos demonstrando força e capacidade, mas aparentemente falharam miseravelmente em suas análises. E, assim, aqui estamos. Ainda assim, se houvessem condições de o governo Dilma seguir até 2018, eu acho que deveria. Mas Dilma já demonstrou que não tem apoio político nem capacidade administrativa de seguir com essa tarefa.

Sendo o este um processo político, é razoável considerar que uma eventual troca de governo seja capaz de mudar os rumos da crise. Com um mínimo de suporte político seria possível introduzir medidas para gerenciar a crise. Não sejamos ingênuos: serão medidas horríveis. O ajuste nunca é algo agradável, mas no momento ele se faz necessário. Depois de 12 anos de irresponsabilidade fiscal, isso é inevitável.

Quem vai assumir foi eleito junto com Dilma

A segunda afirmação é de que o governo que assumiria não foi eleito. O que não é verdade; quem votou em Dilma em 2014 votou também em Temer! Os dois formaram uma chapa e, portanto, receberam juntos os votos que os elegeram. Não faz o menor sentido dizer que Temer “não recebeu votos” para ser presidente; seu cargo, de vice-presidente, existe justamente para que ele possa assumir caso a titular deva se ausentar por algum motivo!

Da mesma forma, Eduardo Cunha também foi eleito pelo voto direto; assim como aqueles que defendem Dilma dizem que quem perdeu a eleição deve se conformar, também devem se conformar as pessoas que não querem Cunha no cargo de deputado federal. Ele foi eleito com pouco mais de 230 mil votos (22° do geral, 3° do RJ). E, entre os representantes eleitos pelo voto direto, ele foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Tudo isso é um processo eleitoral legítimo, que muitos parecem agora estar esquecendo para dizer que “não são representados”.

Democracia não é questão de conveniência

É lamentável que se pense que a democracia só vale quando é conveniente; mais ainda, que democracia só se faz no dia da eleição. De uma forma ou de outra, os candidatos eleitos nos representam em todas as esferas do governo, das câmaras municipais ao Palácio do Planalto. Isso é um fato, independentemente de caráter ético, moral ou ideológico. Se a representação é justa e serve aos interesses da nação é outra história. Para constar, minha opinião é de que o povo brasileiro está bem representado, e ao mesmo tempo (e por esse exato motivo) os interesses nacionais estão sendo atropelados por interesses particulares.

Aliás, por falar em representatividade, veja só quem são os cinco deputados federais mais bem votados (dados disponíveis no site do TSE):

deputados
O segundo mais bem votado é o Tiririca.

Entre os cinco mais bem votados (apresentados na tabela aí de cima), apenas Tiririca está indeciso. Os outros todos devem votar a favor do impeachment, segundo o acompanhamento feito pela rede Clic RBS.

Impopularidade não pode ser critério para interromper o mandato de qualquer pessoa que foi eleita pelo voto. Entretanto, a democracia não se faz exclusivamente no dia da eleição. Ela requer participação dos eleitores, fiscalização, acompanhamento de como os representantes estão exercendo sua função. Entretanto, um levantamento feito em 2014 mostrou que 44% das pessoas sequer se lembra de quem recebeu seu voto para deputado federal, com resultados semelhantes para deputado estadual e senador.

Se queremos verdadeiramente construir um país mais justo e próspero, temos o dever de participar ativamente da vida política do país. Participar de protestos é importante quando o tema é relevante e movimenta um grande número de pessoas. Mas há outras coisas que se pode fazer:

  • Lembrar de quem recebeu nosso voto
  • Acompanhar a atividade dessa pessoa
  • Cobrar atitudes com relação a temas que nos interessem
  • Cobrar as promessas de campanha

Tudo isso é direito nosso, e se queremos construir um país que seja mais justo e próspero no futuro é necessário considerar como fazer isso; sair gritando na rua não vai mudar efetivamente nada. A democracia representativa, por outro lado, significa que temos um representante com poder de voto nas decisões importantes para o país. Um representante não é uma pessoa a quem delegamos o poder e deixamos agir como bem entender; ele deve ser guiado por diretrizes que vêm de seus eleitores. Ao votar em um candidato específico para deputado federal, antes de simplesmente reclamar do que acontece em Brasília, talvez seja hora de parar e pensar em quando foi a última vez que entrou em contato com essa pessoa – se lembrar o nome.

Se eu acho que Temer, Cunha e etc vão “salvar a pátria”? Não, não vão. Mas, assim como Dilma, eles foram eleitos. Se queríamos outra representação, então deveríamos ter escolhido outros representantes.

O teaser trailer de Star Wars – Rogue One

Está oficialmente aberta a nova temporada de hype de Star Wars!

Rogue One: a Star Wars Story

Saiu semana passada o primeiro teaser trailer do novo filme da Saga Star Wars. Esse filme vai contar a história anterior ao Episódio IV (o primeiro filme, de 1977). Nessa história, um grupo de membros da Aliança Rebelde consegue roubar do Império os planos da Estrela da Morte, com a esperança de conseguir descobrir detalhes a respeito da nova arma do Império e, se possível, encontrar alguma vulnerabilidade.

Todos já conhecemos aonde vai dar essa história… os planos acabam nas mãos da Princesa Leia, que parte para se encontrar com a Aliança, para que os planos sejam analisados. E, se você está lendo este blog, não precisa que eu conte o resto.

Análise do trailer

Várias análises do trailer já foram publicadas por aí. Cada detalhe já foi esmiuçado, cada personagem que aparece já foi analisado, e muitas teorias já foram lançadas ou relembradas. Por isso, não pretendo fazer isto aqui. Desculpe se o título da seção te enganou. A verdade é que eu não acho que o conteúdo de um teaser trailer seja suficiente para qualquer tipo de análise. Simplesmente não há informação suficientes sobre nada para quaisquer conclusões. Existem dicas, fatos implícitos e coisas assim, mas isso tudo depende de uma grande dose de chute. O que significa que pode (e provavelmente vai) estar errado.

Por isso, minha “análise” do trailer na verdade é mais uma lista de coisas que me vieram à mente quando o assiti:

Igualdade de gênero

A protagonista é, mais uma vez, do sexo feminino. Isso é ótimo, visto que os produtores aproveitaram o fato de serem personagens novos para introduzir uma protagonista mulher; diferentemente de outros lugares, onde personagens que tradicionalmente são homens terem sido… “transformados”. Infelizmente isso não é suficiente. Como visto neste post do blog Collant sem Decote e principalmente nesta pesquisa que o post cita, o número de falas ainda tem sido muito desequilibrado. De 2004 filmes analisados, apenas 175 (8,7%) têm predominância de falas de personagens femininos. O percentual masculino é de 75,1% (1506 filmes). Que esse desequilíbrio aconteça pontualmente é compreensível, já que cada história tem suas peculiaridades. Mas quando isso é algo generalizado, talvez haja algo de errado.

O que eu gostaria de ver é a igualdade de gêneros efetivamente praticada. Ou seja, na média, uma quantidade parecida de falas para homens e mulheres. Não estou falando deste ou daquele filme – cada história, como já mencionei, tem suas particularidades, e por isso pode (e deve!) ter lá seus desequilíbrios quanto a isso. Mas, considerando uma ampla gama de filmes de todos os gêneros e estilos, estatisticamente falando, o equilíbrio ainda está longe.

Rogue One não é exceção. Apesar das reclamações de uns e outros, ainda há predominância de falas de personagens masculinos.

Pessoalmente, eu adoro mulheres fortes.

Star Wars sem Star Wars

Rogue One – a Star Wars Story não apresenta certos elementos que são absolutamente emblemáticos na saga. A saber, não devem haver nem jedi nem sith. Essa história é algo mais “mundano”, por assim dizer, no sentido em que não há cavaleiros andantes com poderes místicos, espadas de laser, fantasmas de velhos sábios ou outros ícones pelos quais todos conhecem Star Wars. Darth Vader pode ser a exceção a isso se os rumores da aparição dele se confirmarem. E, pra ser sincero, isso é ainda mais interessante nesse filme, porque a galáxia não é formada apenas por seres superpoderosos que usam a Força. Na verdade a imensa maioria dos seres vivos da galáxia não tem nenhuma conexão palpável com ela. E são eles que vivem e morrem nas guerras. A luta entre o Império Galático e a Alliança Rebelde não é a luta de Luke Skywalker contra Darth Vader; é algo do qual ambos são partes importantes, mas é maior que isso. Este filme parece buscar esse aspecto. Em outras palavras, não precisa ser jedi ou sith para fazer a diferença na galáxia.

Muito embora seja bom notar que, no universo Star Wars, às vezes tem-se a impressão de que a excelência está relacionada à Força de uma forma ou de outra, então tecnicamente qualquer pessoa que se destaca tem uma conexão maior com a Força que a média da população. Ou seja, de certa forma, não estamos vendo apenas pessoas “comuns” mas sim pessoas que têm alguma sensibilidade, mas não chegaram a ser “Force-users”.

A Jornada do herói

Deixei o aspecto mais interessante por último. Segundo o trailer, a protagonista é uma pessoa que por algum motivo é capturada pela Aliança e acaba sendo cooptada para executar uma missão de alta importância – e alto risco. E, ao assistir o trailer pela segunda, terceira vez, uma coisa começa a ficar mais clara: os passos dela são os passos clássicos do monomito de Joseph Campbell. Isso significa boas notícias, pois a Jornada do Herói é um tema recorrente no universo Star Wars (existe até uma certa alegação de que George Lucas teria inspirado a história original no trabalho do Campbell). Do início relutante à partida em uma missão, Jyn Erso apresenta vários traços do arquétipo do herói. Isso é apenas uma suposição minha, naturalmente, mas essa, talvez, seja a referência mais interessante ao original.

Se você não conhece ou nunca ouviu falar de Joseph Campbell, você sabe o que fazer.

Conclusão

Sejamos honestos: um teaser trailer, por mais referências que possa ter, contém muito pouca informação para qualquer conclusão. Este post contém apenas algumas impressões a respeito desse trailer. Ainda há bastante tempo até dezembro e, para ser honesto, não pretendo entrar tão fundo assim no hype – acho que existe uma dose certa de hype para curtir o clima do filme sem estragar a história.

Esse mistério a respeito dos personagens ajuda a deixar o filme mais interessante. Analisar cada frame de um clipe de poucos minutos  (1:39, para ser mais exato) é um despropósito, um desperdício de tempo que no fim das contas apenas gera uma expectativa gigante que pode estragar o filme. Se estou curioso com o papel de Forrest Whittaker? Certamente. Se estou intrigado com o Mads Mikkelsen nem ter aparecido no trailer? Muito. Mas essa expectativa é melhor do que chegar ao filme com uma história já pronta na cabeça, só para depois achar o filme ruim porque seguiu em outra direção.

Por último, vou deixar aqui a declaração/promessa de Jyn Erso, como quem diz “eu sou a pessoa que você está procurando e nem sabia”:

“Isto é uma rebelião, não é?”
“Eu me rebelo”

 

A Ciência brasileira à beira do abismo

A ciência brasileira e a falta de recursos

A ciência brasileira nunca recebeu muitos investimentos. De fato, é corrente a história de que profissionais brasileiros são altamente valorizados no exterior devido à sua capacidade de improvisar, propondo soluções simples e criativas para os problemas que enfrentam. Entretanto, a falta de investimento sempre ameaçou a ciência brasileira, pois até mesmo a criatividade tem alcance limitado quando não há nem mesmo o que consertar. Por mais produtiva que seja, ela só pode contribuir com o conhecimento se estiver equipada para tanto. Equipamentos antiquados, espaços e verbas limitados e falta de pessoal assombram a pesquisa no país.

Para onde vai a ciência brasileira? A julgar pelas notícias recentes, o prognóstico é péssimo. Estamos à beira do abismo: universidades não têm dinheiro nem para pagar a conta da luz, cada vez mais verbas são cortadas (“contingenciadas”) e o já pequeno investimento brasileiro em pesquisa e desenvolvimento vai encolhendo cada vez mais. É como tentar abastecer São Paulo com a água do lago do Parque do Ibirapuera.

Desde a última eleição temos visto uma cadeia de péssimas notícias que não parece ter fim, e em vez de tentar remediar a situação a classe política brasileira tem preferido discutir o sexo dos anjos em vez de procurar soluções para os problemas do país, que é sua verdadeira responsabilidade.

Enquanto isso, setores fundamentais para o desenvolvimento do país são negligenciados, sendo utilizados como moeda de troca, de maneira temerária e irresponsável.

Fisiologismo

O fato de o governo tratar cargos e ministérios como commodities, que podem ser negociadas e trocadas com os partidos da “base aliada” em troca de favores nesta ou naquela votação. Nesse chamado “presidencialismo de coalizão” o Palácio do Planalto foi transformado num balcão de negócios onde a competência técnica em nada influencia a nomeação de um ministro, de um secretário ou de qualquer outro cargo que tem influência direta sobre os rumos de todos os setores do governo. Ministérios importantíssimos, como Saúde, Educação e Ciência & Tecnologia. Não é à toa que a situação do país está tão crítica: esses ministérios (e seus orçamentos) raramente têm ficado nas mãos de alguém com competência para tratar desses assuntos, sendo em vez disso entregues a este ou aquele afilhado político. O resultado é uma pessoa sem nenhum conhecimento tomando decisões de caráter técnico sem nenhum preparo.

Economia em frangalhos

A política econômica estúpida e desastrosa dos últimos anos foi o que ocasionou a atual crise. A “herança maldita” continha entre outras coisas uma economia combalida, porém estabilizada, inflação sob controle e dinheiro em caixa. Aproveitando a grande demanda chinesa por produtos que produzimos em grande quantidade, “surfamos” na onda, ganhando de presente índices econômicos espetaculares. Em vez de capitalizar isso, pensando que a maré alta não duraria para sempre, não guardamos nada, aumentamos irresponsavelmente o gasto público e geramos um gasto que não poderíamos manter indefinidamente. Quando a onda acabou, naturalmente, levamos um tombo. E aí veio o crime: em vez de admitir a falha e trabalhar para corrigir o problema, o governo escondeu a situação, segurou até onde podia os dados negativos, para assim garantir um bom resultado na eleição. O resultado não poderia ser diferente: um problema que já era grave se transformou em uma crise generalizada, não apenas econômica, mas também de confiança. Poucas pessoas hoje em dia acham que a crise será superada logo

Cultura colonial e o investimento em pesquisa

O pior de tudo: a cultura brasileira não valoriza a pesquisa e o desenvolvimento científico. Somos imediatistas e ignorantes, e não enxergamos a necessidade de P&D. Sempre na vanguarda do retrocesso, ainda encaramos a economia como se estivéssemos no auge da Primeira Revolução Industrial, e nossa mentalidade colonial nos faz acreditar que teremos sucesso dependendo exclusivamente da exportação de matéria-prima. Isso acabou faz tempo. Os países mais bem-sucedidos do mundo não são apenas industrializados, mas são aqueles que investem pesadamente em pesquisa e desenvolvimento. Veja o gráfico abaixo, retirado desta matéria do blog The Conversation:

Ciência brasileira vs outros países
Investimento em ciência nos países do G20

O gráfico acima é bem ilustrativo. A largura das barras representa o produto interno bruto (PIB) de cada país, a cor azul representa o investimento do governo, a cor vermelha o investmento privado e o cinza representa outras fontes de financiamento. Em média, os países do G20 (os 20 países com maior PIB do mundo) investem 2% de seu PIB em Ciência e Tecnologia. Dois países se destacam:

  • a Coréia do Sul está disparada na ponta, investindo 3,7% de seu PIB. Neste caso, é bom notar que o PIB coreano é pequeno, ou seja, mesmo investindo uma parcela maior, o volume total não é tão grande.
  • os Estados Unidos são o grande gigante, investindo uma fatia enorme (comparativamente) do seu igualmente enorme PIB. Em termos absolutos isso representa uma quantidade imensa de dinheiro; não é à toa que eles são a grande potência em termos de pesquisa científica hoje em dia.

Nesses países o investimento consistente em pesquisa e desenvolvimento ao longo das últimas décadas tem garantido a renovação de suas indústrias e economias.

E o Brasil?

A ciência brasileira recebe investimentos de pouco mais de 1% do PIB. Quase a metade da média do G20. E nosso PIB não é tão grande assim. De fato, se pensarmos em proporções, o PIB brasileiro é um pouco menos que o dobro do coreano. Ainda assim, eles investem um percentual do PIB 2,5 vezes maior do que nós. Isso significa que a Coréia do Sul, um país com 50 milhões de habitantes (1/4 da população brasileira), investe em ciência e tecnologia mais de seis vezes o investimento brasileiro.

Esses dados, aliás, são de 2013. Antes de a bolha brasileira estourar, quando os investimentos brasileiros nessa área estavam em alta.

Atualmente sempre que há notícias a respeito das agências de financiamento do governo quase sempre trata-se de cortes. Bolsas, custeios, repasse para as universidades… a “pátria educadora” não tem  o menor pudor em cortar justamente aquilo a que alega dar a maior importância. Ainda ontem a Capes anunciou (mais) um corte monstruoso nas bolsas de pós-graduação do país.

Normalmente, ao ver o logo “pátria educadora”, um observador amador poderia supor que isso significaria que, mesmo em tempos de crise, o investimento em educação seria protegido. Mas, como já diz o ditado, o Brasil não é para amadores.

Migrando

Depois de não sei quantos anos, estou finalmente deixando o blogger.com.

Não estou chateado com eles; na verdade, hesitei bastante em tirar este blog de lá. Na verdade se fosse possível eu até continuaria, já que estou à vontade lá e já sei onde ficam as coisas, mas não faz sentido nas atuais circunstâncias. Estou tentando criar uma presença mais definida na Web, como parte de um esforço para tentar melhorar as minhas chances de encontrar novas oportunidades.

Por isso voltei, depois de vários anos, a registrar um domínio, www.fmneto.com.br.

“Na minha época” pessoas físicas não podiam registrar os domínios mais comuns (.com.br, .net.br e .org.br), por isso por um tempo eu tive um .pro.br, que nunca foi pra frente (mesmo porque a Internet era outra na época, Web 1.0 digamos). Também já tive o fanfictionbr.net, e esse aí fez sucesso até eu desligá-lo (algo que hoje em dia eu acho que não deveria ter feito, mas enfim).

Agora, com um plano de hospedagem, instalei o WordPress e estou tentando centralizar tudo aqui. E, portanto, isso inclui meu blog pessoal.

Vou criar mais um, o “oficial”, cujo conceito e linha editorial ainda estou ruminando, mas que provavelmente vai girar em torno de divulgação científica e pesquisa.

Nos vemos na Rede.

Bienal

De acordo com o nome do evento, este ano deve ocorrer novamente a Bienal do Livro em São Paulo.

Estou considerando desde já se vou ou não. A julgar pela última edição, que foi um pouco decepcionante, as chances é que eu acabe não indo.

Tenho vários motivos para pensar assim. O primeiro é que uma das supostas vantagens da Bienal seriam os preços. Como já ocorreu no passado, em que íamos à Bienal e voltávamos carregados de livros (o paraíso dos bibliófilos). Isso não foi verdade na última edição, quando não vi muitas promoções, e das que vi nenhuma era realmente interessante.

Outro motivo pelo qual eu iria são os livros técnicos. Tanto do ponto de vista didático quanto do ponto de vista profissional. Mas, de novo, a experiência de 2014 não foi lá muito positiva. Eu esperava encontrar promoções para professores, ou no mínimo um atendimento diferenciado, ofertas de amostras, esse tipo de coisa. Não encontrei nada disso, e o fato de eu ser professor pareceu não fazer a menor diferença para os representantes das editoras.

Os livros técnicos que eu encontrei foram poucos e não muito interessantes.

Some-se a tudo isso a minha situação financeira atual, de contenção de gastos e controle de incêndios, ocorrências que não necessariamente decorreram da minha responsabilidade. Mas acho que faz parte da situação em que eu me encontro atualmente. De fato, poderia ser muito pior. Se eu aprendi alguma lição com os problemas que eu tive no passado foi o controle das minhas finanças, e mesmo com os tropeços que andei levando espero ter tudo sob controle dentro de alguns meses. Enfim, estou saindo pela tangente. Contando também que a situação econômica do Brasil não deve melhorar até o final do processo político corrente (que me dá cada vez mais nojo, aliás), duvido que na Bienal a situação esteja melhor.

É questão de esperar. Se eu ainda estiver na mesma posição que estou hoje, talvez acabe indo sozinho em algum dia que eu tenha livre, já que devo entrar de graça. E, tristemente, esse deverá ser o único motivo para ir, além da esperança de que algo lá possa me surpreender.

Graphics!

I have a confession to make: I bought a new graphics card.

I know it doesn’t sound like a big deal. Especially when you check prices for these things on international stores. But with the dolar rampant the prices in Brazil have taken a turn for the worse (as if they weren’t bad enough).

I have never really had the gaming PC I would like to; I have always played in whatever graphical setting I could manage, which invariably meant low fps rates. That doesn’t really make for a very enjoyable gaming experience. One of the main ways I release stress is by playing World of Warcraft. I’ve been on and off the game ever since its beginning, but to be honest I’ve really began playing it around 2008.

Although prices are high, and I’m going through the motions as I try to make ends meet, I’ve been putting up with so much crap recently that I decided I needed this break, so I finally (after a couple of weeks of procrastination) ordered a new card today. It’s not a high-end card, nor is it a brand new model. But it’s the best I dared purchase, and it’s already orders of magnitude better than what I’ve been using recently (the integrated graphics on my core i3 machine).

At least, I’ll enjoy World of Warcraft a little better. Or, at least, for the time being, since the current expansion is not all that amazing and the Alpha version of the next expansion is not giving me much hope for my hunter. But that’s another story.

Despolarização

O grande mal que tem acometido o Brasil não é novo. É bem antigo, e sinceramente não sei até quando ele influenciará de maneira tão triste nosso cenário. Não, não é o PT. É a polarização política. Tudo se transforma em “briga de torcida”, em absolutismo, em rivalidade absoluta. Não se admite que alguém seja neutro.

Isso não é novidade. Desde pelo menos a época da independência isso ocorre de maneira cruel. Na época que antecedeu o grito do ipiranga as tensões entre brasileiros e portugueses eram tão grandes que qualquer coisa (mesmo) podia causar uma comoção geral, revolta e violência por todas as partes. Brasileiros e portugueses se perseguiam mutuamente, envolvendo-se em brigas, espancamentos e tiroteios corriqueiramente, como se esses eventos nada fossem.

Hoje em dia assistimos ao mesmo. Todos “em nome do Brasil” atiram acusações de um lado para outro, num maniqueísmo virulento e nocivo. Quem é a favor do impeachment é “coxinha”, e quem é contra é “petralha”. Não existe outra denominação ou classificação. De ambos os lados não existe negociação, e lida-se exclusivamente em valores absolutos.

Essa polarização – que ganhou força nos governos do PT, que fizeram questão em reforçar o conceito de “luta de classes” – prejudica qualquer curso de ação que seja benéfico ao país. Estão todos tão entusiasmados com a “briga de torcida” que não enxergam que somente através da união em torno de um objetivo comum será possível vencer a crise e construir um país mais justo.

Mais ainda, quem ousa apontar as qualidades do lado adversário é prontamente repreendido, como se tivesse a obrigação de concordar com tudo sem questionar, como se apontar qualidades no adversário – ou vícios próprios – fosse algo prejudicial. É como culpar o médico que faz o exame por causar a doença. Quem aponta os erros de um lado é imediatamente marcado como pertencendo “ao outro time”.

Que lógica torta é esse segundo a qual se uma pessoa reclama da corrupção no governo do PT é necessariamente conivente com os crimes cometidos pelo PSDB? A falta de investigação sobre um anula a necessidade de investigar o outro?

Minha opinião pessoal é de que é necessário investigar qualquer indício de corrupção – seja ele do PT, do PSDB ou do português da esquina – até que os responsáveis sejam encontrados e julgados. Sou a favor do impeachment, não porque quero o “meu” político na presidência, mas porque os fatos o justificam.

Diga-se de passagem, aliás, que o impeachment é um instrumento constitucional e, portanto, democrático. Utilizar esse mecanismo para demitir uma presidente que não tem exercido sua função por inépcia e que tentou mascarar seu fracasso com manobras fiscais não é golpe. E, por isso, de fato não vai ter golpe.

Por último, gostaria de deixar aqui as palavras de Obi-Wan Kenobi:

Somente o Lado Negro negocia com absolutos.

Um post por ano.

Uma postagem por ano está longe do que eu gostaria de escrever aqui. Mas a verdade é que eu nunca consegui adquirir o ritmo que eu gostaria de ter para escrever um blog. Às vezes por falta de assunto, às vezes por falta de tempo, e às vezes por falta de paciência mesmo.

A verdade é que me sinto insatisfeito por deixar este blog assim, meio zumbi, abandonado, como se não significasse nada. A verdade é que este blog tem me acompanhado há muitos anos e eu tenho dificuldade em deixar certas coisas para trás. Por isso, acabei mantendo isto aqui aberto, mesmo que o ritmo de postagens tenha sido excruciantemente baixo.

Algumas vezes já tive a ilusão de ter um blog popular, com milhares de pessoas acompanhando postagens, mas o problema é conteúdo. Tenho interesse e vontade de falar sobre várias coisas, mas nunca senti o impulso devido para criar um blog a respeito e me manter no assunto.

Gostaria que isso fosse diferente. Mas a verdade é que este é um blog pessoal, e por isso não tem tema ou conteúdo definidos. Por isso, temo que ele vá continuar sendo meio aleatório, embora eu pretenda aumentar o ritmo de postagens.

Enquanto isso, vou caçando algum tema sobre o qual valha a pena falar.

Hipocrisia? (2)

 Acho curioso como nossas opiniões e objetivos são sujeitos a mudanças.
Há não tanto tempo assim, eu dizia que jamais seguiria no caminho “padrão” do mundo acadêmico: defender o doutorado e fazer um pós-doc após o outro até conseguir passar em algum concurso para docente em alguma Universidade.
Quando terminei o doutorado, sentia-me cansado, exausto, saturado. Estava muito feliz, disso não há dúvida, mas estava cansado. Não imaginava que meu futuro estivesse no mundo acadêmico, e que seria capaz de encontrar algum outro ramo de atividade. Quando defendi, já era professor em uma universidade particular, onde não há atividades de pesquisa (pelo menos, na minha área), e já prestava atenção a concursos para outros cargos.
Hoje em dia, depois de algum tempo um pouco afastado da academia, e mais próximo do mercado de trabalho, percebo que o que eu realmente precisava era de algum tempo para amadurecer. Os últimos anos têm sido intensos, para dizer o mínimo, e agora começo a perceber que a vida acadêmica se encaixa melhor no meu perfil. Começo a repensar o que dizia tempos atrás, e noto que me faz muito bem esse “sabático”. Correndo o risco de parecer hipócrita (o que, aliás, não acredito que seja o caso), estou disposto a voltar ao roteiro original.
Claro, isso tudo é apenas especulação. Há muitos fatores a considerar, e não se pode “contar com o ovo dentro da galinha”.
Veremos.