Back to the new old life

I’ve had the time of my life in that wonderful city.

The above phrase expresses the core of the last three months: it was one of the most exhilarating periods of my life. When I arrived there, not so many weeks ago, I was not sure of what I was about to find, and I must admit, felt quite anxious about the people I was about to meet.

And then on the very first day all those worries vanished, as I realized that all my experiences would be good in the same measure of how I faced them, after all, as the saying goes, “beauty lies in the eyes of the beholder”. There’s nothing like meeting the right people at the right time.

I had already heard a lot about the city even before arriving there – everyone seemed to have an opinion about it, some of them not even having been there. I promptly ignored all of them, however; I wanted to experience it at my own pace, and in my own way.

The first week actually was one of the best; that time of discovery when everything is fresh and new usually is. It was no different for me, and even more so because at the end of that first week I had met a few very important people and had had a couple of very personal and cathartic experiences that completely changed certain aspects of my life that really needed a stir.

As the subsequent weeks went (actually flew) by I gradually settled down and started to feel at home there; I became used to the feeling of the streets, to the cosmopolitan aura about the “cafés” and parks and to that intoxicating vibe that dwells in the air; it’s not an easy feeling to portray. It is like, even though being a lot smaller than São Paulo, Buenos Aires is just as great, in its own way.

Regarding work, I feel like it was the most productive period of time I have ever had in a very long time. That was possible thanks to a handful of fantastic people I had the opportunity of meeting, work colleagues with knowledge and lots of enthusiasm, in an environment where I have never felt uncomfortable. Some people may disagree with that, but it was really refreshing to be in a different place after six years in the same lab.

I have had more than my fair share of mishaps, to be sure; not easy ones. With little effort I can remember at least four quick, terrifying, adrenaline-filled moments I managed to get through and laugh about later.

There was one thing I didn’t really enjoy, though. It was the constant feeling of saying good bye. For the duration of these months I got to meet a lot of people; and, at some point, I had to say good bye to them. It didn’t matter if they were just going home or moving forward in their journeys: I’m never good at saying good bye. The worse it feels, the worse I react. At some point, however, we need to realize that these moments are a part of life and that eventually we say those words to all.

It is my intention, however, to see you people again, and rest assured that I will. As I said on my last night in Buenos Aires, ”no digo adiós, digo hasta pronto”.

This is my last post in “Buenos Aires edition”. Next time Stairway to Geekiness will go back to the old, plain edition. But it’s never going to be the same.

Parabéns Argentina!

Tá, foi mais um período de silêncio. Não é que eu não tivesse nada a dizer, simplesmente estive bem ocupado.

Mentira.

Houve dois feriados prolongados de Maio pra cá. O primeiro foi o bicentenário da Revolução de Maio (mais sobre isso já já). O segundo foi o aniversário da Comisión Nacional de Energía Atómica, a CNEA, onde estou “alocado” desde março. Esse segundo foi inesperado, porque a princípio a segunda-feira era “ponto facultativo”, mas depois acabaram decidindo “emendar” a terça-feira também. Não fiquei muito feliz com isso não, tenho uma pilha de coisas a fazer bem grande e esse feriado atrapalhou um bocado.

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Enfim, de volta ao Bicentenário. Já umas duas semanas antes notei as pessoas começando a pendurar bandeiras azuis e brancas por todo lado. Achei que estava meio cedo pra entrar em clima de Copa, aí lembrei que não estou no Brasil. Era tudo preparação para o aniversário de 200 anos da Revolução de Maio, que é considerada como o estabelecimento do primeiro governo pátrio, em 25 de Maio de 1810. Se fosse pra estabelecer uma analogia, acho que seria com a ida de D. João VI para o Brasil em 1808.

A diferença, entretanto, é que esse aniversário foi muito mais comemorado aqui do que qualquer coisa que tenha acontecido em 2008. Mas, pra ser honesto, não posso ter muita certeza – 2008 foi um ano bem conturbado pra mim e não prestei muita atenção em nada.

Mas enfim: as comemorações aqui foram bem interessantes. A avenina 9 de Julho, por exemplo, esteve tomada de gente nos quatro dias do fim de semana prolongado do 25 de Maio, com vários shows, desfiles, festivais de todo tipo, e até mesmo um campeonato de tango (nada mais justo, em se tratando de Argentina). E eles (os argentinos) se esforçaram bastante pra conseguir que essa comemoração saísse legal. A ponto de os organizadores da festa terem sido mostrados na TV se abraçando em lágrimas no último dia, depois que tudo tinha dado certo. E as pessoas em geral também se esforçaram bastante pra comemorar, por assim dizer. Nesse fim de semana tinha gente na rua até amanhecer todo dia. A 9 de Julho ficou tomada de gente todo dia.

DSC00047 Um dos pontos altos da festa toda foi a reabertura do Teatro Colón. Uma das casas de ópera mais famosas das Américas, foi reaberta numa cerimônia enorme, com apresentação de nada mais nada menos que La Bohème para uma platéia que não incluiu a presidenta Cristina Kirchner, que tivera um desentendimento com o prefeito de Buenos Aires dias antes (é, eles também têm essas coisas por aqui – trata-se da América Latina, afinal de contas). Mas o que foi mais legal mesmo foi a festa do lado de fora. Com shows rolando em outras partes da avenida foi projetado um documentário sobre a história do teatro, com direito a som e tudo. E muita, mas muita gente mesmo assistindo. Isso é algo que eu nunca vi acontecer, nem mesmo parecido. Não somente um espetáculo projetado na fachada de um prédio pra todo mundo ver, mas um documentário sobre ópera – e o povo todo ali, assistindo. Não sei se haveria um público desse no Brasil…

O que me resta agora é fechar as pontas soltas do trabalho, ajustar meus planos para os próximos passos do meu trabalho, e aproveitar meu último fim de semana em terras porteñas. No outro domingo, volto às terras tupiniquins. Francamente, com o coração partido – os últimos três meses foram os mais fantásticos da minha vida. Mas isso é assunto para o próximo post.

Pensamentos aleatórios de BsAs

Já faz mais de dois meses que estou em Buenos Aires. No primeiro mês fiz um post “comemorativo”, basicamente mandando o Banco do Brasil à merda. Neste post de dois meses (consideravelmente atrasado) vou colocar uma série de coisas que pensei em escrever antes mas acabei não lembrando ou achando que não se encaixavam.

A primeira delas é algo que presenciei hoje e que, sincera e honestamente, me deixou ligeiramente estupefato. Estava voltando para casa com algumas compras quando ao atravessar a rua notei um sujeito descendo de uma moto e correndo desesperado. Minha primeira reação foi olhar pro lugar de onde ele tinha vindo, esperando ver alguém correndo atrás dele. Quando vi que não havia ninguém, olhei pra onde ele foi, não muito longe: do outro lado da esquina uma senhora (já com bastante idade) havia tropeçado e caído no chão, as coisas dela um pouco espalhadas pela rua. Havia duas pessoas, além do cara, em volta dela, perguntando se ela estava bem. O cara não teve dúvidas. Agachou-se, segurou a senhora pelos braços e, num movimento ligeiro porém cuidadoso, colocou-a de pé em um segundo. A moça que estava ajudando havia deixado o cachorro de lado, mas este, bem educado, estava quietinho ali do lado, com o rabo abanando e assistindo a cena, curioso. Mais interessante ainda, o sinal estava verde mas nenhum dos carros sequer ensaiou sair do lugar: todos esperaram que a senhora se levantasse e as pessoas a ajudassem a juntar suas coisas, finalmente acompanhando-a até a outra calçada (o sinal estava verde para a rua que ela estava atravessando). Ninguém buzinou, ninguém acelerou em falso. Me lembrou uma vez que eu estava atravessando uma rua em plena Cidade Universitária, na faixa, com sinal fechado para os carros, e o motorista só pra ser engraçado acelerou em falso como se fosse sair com o carro. Igualzinho…

Outra coisa interessante sobre Buenos Aires: as empresas de ônibus. Em São Paulo há um problema sério com elas porque elas são enormes, formam lobbies e assim controlam o sistema de transporte. Em Buenos Aires a coisa é diferente, porque todas as empresas são pequenas. As maiores empresas são responsáveis por duas ou três linhas no máximo. Ao ponto de a maioria delas se chamar simplesmente “Linea 42”, por exemplo; isso significa que aquela empresa opera a linha 42. Não sou nenhum economista, nem especialista em transporte, tampouco estou dizendo que esse sistema é perfeito, mas ele certamente funciona melhor que o que há em São Paulo (pelo menos nesse ponto). Nunca fiquei mais de quinze minutos parado no ponto esperando por um ônibus, raras vezes fiquei em pé a viagem inteira, e em apenas uma única ocasião o ônibus me lembrou as latas de sardinha paulistanas. Aliás, por aqui todo mundo usa ônibus e o trânsito só é ruim na hora do rush mesmo.

Outra coisa são as pessoas daqui. Como em todo lugar há coisas boas e coisas ruins a dizer sobre elas, e muitas eu já disse aqui. Uma das boas é que é muito difícil ver uma pessoa obesa. Aliás, pessoas gordas são ainda mais raras. Há pessoas acima do peso, claro; mas no geral as pessoas aqui são magras e obviamente prestam muita atenção ao que comem. As pouquíssimas pessoas realmente gordas que vi eram realmente obesas, daquelas que parecem ficção científica ou saídas de Super Size Me. Isso falando dos argentinos; em lugares com alta concentração de turistas a coisa muda de figura. Curioso, se a gente pensar que a Argentina é a capital panamericana do sorvete e mundial do doce de leite.

Por último mas não menos importante, tenho um pensamento que não tem exatamente a ver com a Argentina pra dividir. Recentemente um conhecido conseguiu a cidadania européia, e prontamente algumas pessoas expressaram a sua inveja pela situação do amiguinho.

Pessoalmente não vejo problema em buscar esse tipo de reconhecimento. Eu mesmo venho procurando conseguir a minha há alguns anos. Mas isso me fez refletir sobre algo que me incomoda já há bastante tempo. Vejo com freqüência as pessoas dizendo que o Brasil é uma merda de país, que não serve pra nada. Que iriam embora sem hesitar à primeira chance que tivessem. É comum as pessoas sentirem mais entusiasmo pela terra de seus avós ou bisavós que pela terra de seus pais.

E, sinceramente, isso é entristecedor. Porque, bom ou ruim, o Brasil é nosso país e tem, sim, suas qualidades. Mesmo que a maioria sejam qualidades inatas, daquelas que a gente já nasce tendo, como o fato de não termos desastres naturais generalizados (terremotos, vulcões, furacões, etc), ou o fato de termos em nosso grande território reservas imensas de diversos recursos importantes, como o Aqüífero Guarani ou a Floresta Amazônica. O país tem muitos defeitos, é claro; mas é um país jovem, e compará-lo a outras terras que já têm milhares de anos de história não é exatamente justo. Quando tinham 500 anos esses países também estavam enterrados na merda.

O mesmo pode ser dito do povo. Pode-se ver, pelo governo que temos, um reflexo do povo que somos; não preciso entrar nesse quesito mesmo porque não teria palavras para descrever a feiúra desse quadro. Por outro lado, não se pode levar somente isso em conta. Muitas das grandes pessoas do mundo são brasileiras. Apesar de todos os defeitos, aqui se trabalha muito. Aqui se produz muita coisa, e isso é fruto do trabalho de muita gente. Aqui há muita gente competente, e a prova disso são os inúmeros brasileiros espalhados pelo mundo. Em muitos campos profissionais brasileiros são disputados a tapa.

Ninguém pediu pra nascer brasileiro, claro. Mas, ainda assim, isso aconteceu. Correndo o risco de ser um pouco metafísico, estamos aqui porque a história correu de tal modo que os portugueses chegaram à América do Sul, colonizaram, expandiram, depois vieram os escravos e imigrantes… até chegar aos dias de hoje. Se algo tivesse sido diferente não estaríamos aqui. Pelo menos isso temos que admitir. Não sei vocês, mas eu prefiro estar vivo a nem sequer ter nascido.

Ter um mínimo de afeição pelo próprio país é essencial para torná-lo melhor. Parte do motivo de o Brasil estar na merda em tantos quesitos é o fato de que muitos brasileiros só sentem orgulho dele quando a seleção ganha. Outros, nem isso.

BsAs, HKI e NYC

Tempos atrás o meu destino mais desejado no exterior não era outro senão Nova York. A Big Apple sempre foi um dos lugares que eu mais quis conhecer. Mas, de uns tempos pra cá, essa prioridade acabou mudando bastante. No fim das contas o lugar que acabei conhecendo primeiro (descontando aeroportos) foi Helsinki.

Talvez fosse o impacto de estar do outro lado do oceano, talvez fosse a minha situação na época (que não vem ao caso)… mas a cidade me encantou. Isso não é segredo e a Finlândia me conquistou, independente de lembranças doces e amargas que trago de lá. E motivos não me faltam para que eu sempre queira visitar de novo, em particular um certo ponto em Suomenlinna que é muito especial para mim de uma maneira muito pessoal.

Mas estou me desviando do assunto. Abri este post tentando falar de Nova York por dois motivos. O primeiro é que no fim das contas nunca cheguei a visitá-la; a primeira chance que eu teria (agora em Julho) acabou não se concretizando e por isso a visita vai ficar para mais tarde. O segundo motivo é uma certa região de Buenos Aires.

O bairro onde estou morando, Recoleta, juntamente com Palermo, me lembra muito Manhattan. Agora, antes que aqueles que de fato já estiveram por lá me fuzilem, vou esclarecer uma coisa: muito embora eu nunca tenha estado lá, também não moro numa ilha deserta isolada do resto do mundo. E já vi imagens de lá em inúmeros lugares, como séries, filmes, jornais, e claro as fotos de amigos que visitaram a cidade. Não é a mesma coisa e é uma visão bem limitada, claro, mas dá uma idéia. E a verdade é que acho a Recoleta e Palermo muito parecidos com o que já vi de lá. Ruas quadriculadas, prédios residenciais antigos com cinco ou seis andares, cafés, restaurantes e lojas de todo tipo na rua, avenidas largas e cheias de carros, táxis e ônibus cruzadas por várias ruas menores e muita, muita gente caminhando. Até as entradas das estações de metrô são parecidas!

No fim das contas, estou achando BsAs um pouco menos parecida com HKI (Helsinki). O que de certa forma é natural, já que são cidades não apenas em países diferentes ou nem mesmo continentes diferentes, mas hemisférios diferentes. Mas ainda há algumas semelhanças incríveis, muitas das quais eu já mencionei em posts anteriores. Mas aos poucos as diferenças aparecem, e isso é inevitável, afinal de contas é tudo uma questão de tempo.

Uma coisa é certa. Não sei sobre Nova York, mas tanto Helsinki quanto Buenos Aires me deram experiências que nunca esquecerei. E algumas dessas experiências foram da mesma natureza de uma forma quase fantasmagórica. Talvez seja isso que deixe essas cidades tão próximas uma da outra.

Ainda quero conhecer Nova York e os EUA. E sei que, eventualmente, se o turismo não me levar à América do Norte algum congresso vai. Mas, por enquanto, ainda tenho quase dois meses de Buenos Aires e muita coisa pra ver. Mas a verdade é que vou estar sempre pensando nos meus próximos destinos.

Argentinos e Brasileiros

Voltando à programação normal, queria falar mais um pouquinho de impressões que tive aqui no dia-a-dia. Originalmente o assunto de que eu queria ter falado no post completando um mês em Buenos Aires!

Uma coisa que pra mim ficou evidente muito cedo é que é uma coisa visitar um país por alguns dias e outra completamente diferente passar um período mais extendido de tempo nele.

Quando se passa somente alguns dias o cronograma geralmente é meio apertado: ou se está meramente a passeio e a vontade é ver o máximo possível já que o tempo é limitado ou então se vai a trabalho e aí o negócio é tentar ver pelo menos alguma coisa no tempo livre que se puder conseguir.

Quando a situação muda de figura e a gente se vê em algum lugar por alguns meses (ou mais, né @AlePacini? ;]) o risco é outro: deixar de visitar lugares pensando “posso ir mais tarde, vou ter tempo pra isso depois”. Esse risco é sério, afinal de contas quando a gente vê o tempo correu e não temos tempo pra ver nada; aí acabamos caindo na situação anterior.

Mas quando conseguimos evitar esse risco aí temos uma oportunidade fantástica: aproveitar ao máximo cada atração que quisermos, se a preocupação de sair correndo pra ir ver outra coisa no mesmo dia. Passear sem pressa, sem se preocupar com horário de chegar a outro lugar, nem nada disso. Afinal, há tempo para tudo. Pode-se ir a San Telmo num dia, passear pela Florida (a rua, não o estado dos EUA) no outro… planejar uma pequena viagem a Colonia del Sacramento… enfim, as possibilidades são inúmeras.

Mas a grande vantagem de se passar um tempo mais longo no mesmo lugar não é a chance de realmente aproveitar as atrações do lugar. A grande vantagem é deixar de ter aquela visão limitada à que o turista quase inevitavelmente fica preso quase sem perceber. É poder presenciar o dia-a-dia do lugar. E, assim, vê-lo como ele realmente é, e não apenas o lado dos passeios, festas e turismo.

Um fato curioso por exemplo é que as pessoas por aqui fumam muito. Mais preciso talvez seja dizer que muitos argentinos fumam. Sei lá por quê, mas o fato é que cheguei a ver um motorista de ônibus fumando enquanto guiava. Claro, esse foi um caso extremo; mas, ainda assim, é bem comum ver alguns cigarros ao olhar em volta enquanto se caminha pela calçada.

Outra coisa que notei (na verdade alguém comentou comigo e estou repassando) é que existem dois tipos de argentinos: os europeus e os latinos. Aqui a miscigenação foi menos intensa, e por isso os povos estrangeiros não se misturaram tanto com os nativos. Essa diferença fica clara ao se observas as pessoas nas ruas: parte delas tem traços muito parecidos com os das pessoas dos países andinos: pele mais escura, rosto mais largo cabelo mais escuro e estatura um pouco menor. A outra parte tem traços um pouco mais europeus, com pele clara, rostos mais finos. E, tenho que dizer, os narizes aqui quase sempre chegam na frente. Isto posto, é bom esclarecer que as argentinas não são exatamente mais bonitas que as brasileiras. Tampouco são menos bonitas. A diferença é que a beleza das brasileiras via de regra vem da miscigenação: a mistura genética advinda da grande quantidade de etnias presente no povo brasileiro gera um número enorme de possibilidades, e em uma população de 190 milhões de pessoas algumas dessas possibilidades se concretizam. O caso das argentinas é diferente: elas têm um certo ar de elegância latente, algo que emana naturalmente delas. Em outras palavras, mais uma vez a “vantagem” do Brasil está nos números: quantidade gerando qualidade. As argentinas são mais bem cuidades que as brasileiras, daí vem a beleza delas (o que, na minha opinião, é extremamente atraente). é bom lembrar que isto é uma generalização. Não só conheci argentinas que não se cuidam, mas vi algumas atrocidades caminhando pelas ruas (algumas pessoas por aqui acham engraçado abusar do bronzeamento artificial… ew.). E conheço brasileiras que se cuidam muito bem.

Outra coisa que me chamou a atenção é que aqui as pessoas têm um interesse maior pela política que no Brasil. Por lá me canso de ver gente que se orgulha por “não se envolver”. Aqui as pessoas conversam sobre o que acontece no parlamento, não sobre este ou aquele julgamento. Sejam eles partidários de Cristina Kirchner ou da oposição, eles fazem questão de ter opinião, e discutem o assunto nas rodas de mate ou na mesa do almoço. Não é à toa que o CQC nasceu aqui! A Argentina, senhoras e senhores, não é apática. E é essa a diferença fundamental entre ela e o Brasil. Não sei se isso é um fenômeno recente ou não, mas algo me diz que é. Depois de ter passado os últimos anos aos trancos e barrancos la nación está tomando jeito. E é deprimente ver que não apenas eles mas toda a América do Sul olha para nós procurando por liderança, e nossos líderes fazem amizade com as pessoas erradas. Me disse um conhecido paraguaio: “aonde o Brasil for a América do Sul vai atrás porque ninguém é besta de contrariar”. Espero que o Brasil acorde logo e perceba que está indo na direção errada.

Primeiro mês

Anteontem completou-se um mês desde que cheguei a Buenos Aires.

Nesse meio tempo conheci muita gente de vários lugares diferentes, conheci muita coisa, experimentei outras. Aprendi muito. Corri riscos. Aprendi com erros do passado, procurei novos erros para cometer. Na verdade, este mês valeu por vários.
Uma coisa é certa – se vier a Buenos Aires, não ache que porque está perto do Brasil o seu banco vai ser de alguma ajuda. Previna-se de todas as maneiras que puder. Aqui há agências de vários bancos que são encontrados no Brasil: Itaú, HSBC, Citibank… mas não conte com usar seu cartão sem antes passar por alguma burocracia. Vá até sua agência, mostre seu cartão (e tenha certeza de que sabem qual tipo de cartão é o seu) e confirme se vai funcionar. Não saia sem a certeza de que está tudo em ordem. Não suponha que simplesmente tudo vai dar certo. Se você é cliente do Banco do Brasil saiba que, ao contrário dos outros bancos (que na verdade são contrapartes argentinas dos brasileiros), eles têm uma agência no Microcentro (San Martin 363, 2° andar) – mas não conte com ela para muita coisa. A menos que te aconteça um desastre, talvez seja uma boa idéia procurar a embaixada de uma vez para pedir ajuda. O segredinho sujo que o BB não conta é que, muito embora haja caixas eletrônicos lá, eles têm o saque desabilitado. Não só isso, mas a agência é corporativa, o que significa que você não vai poder entrar casualmente e pedir qualquer coisa ao caixa. Também é bom saber que se você é portador de um cartão de crédito e algo acontecer ao seu cartão, você estará em maus lençóis. Os carões de emergência que as administradoras mandam nessas ocasiões não são aceitos pelos bancos argentinos – deveriam, mas não são.
Minha dica é trocar seus reais por pesos antes de sair do Brasil e carregá-los em uma doleira. Se você for passar um período de tempo mais longo (como é meu caso), considere a opção de combinar com um amigo para ele te transferir o dinheiro via Western Union caso não seja possível usar seu cartão no exterior. A menos, é claro, que esteja vindo para trabalhar, aí o jeito é abrir uma conta num banco daqui mesmo. Fica a dica.
Eu queria ter feito um post diferente ao completar um mês na Argentina. A verdade é que estou adorando este lugar. Buenos Aires já é uma das minhas cidades preferidas. Meu próximo post será sobre isso. Infelizmente depois do que eu passei com relação a bancos e dinheiro nos últimos dias, achei que era importante dizer essas coisas. É realmente patético o fato de que, em um mês na Argentina, quem mais me ferrou a vida foi uma empresa do meu próprio país. Maldito seja, Banco do Brasil. Maldito seja.

Buenos Aires x Helsinki – round 3

Meu feriado de páscoa se passou, na maior parte do tempo, dentro de casa. Em parte porque o tempo não colaborou muito, e dias nublados favorecem minha preguiça. Ontem, entretanto, o sol apareceu um pouco e resolvi sair pra caminhar um pouco; já fazia algum tempo que eu queria voltar a Puerto Madero e dar mais uma volta por ali.

Depois de almoçar e enrolar um pouquinho acabei saindo de casa e pegando o metrô até a Praça de Maio (onde terminam/começam as linhas de metrô) e fui caminhando até a Puente de la Mujer, que é um dos cartões postais do lugar. Ela foi desenhada para representar um casal dançando tango.

From Chico en Argentina

Atravessando a ponte há uma pequena região com vários prédios corporativos novos, e uma pequena área residencial. Passando por ali tive uma grata surpresa: o Parque Mujeres Argentinas, mais um exemplo de como Buenos Aires é realmente um pedaço da Europa na América do Sul. Um gramado imenso, com muitas árvores e espaços amplos, com pessoas curtindo o domingo de páscoa. Lembrou um pouco o Parque do Ibirapuera, mas sem aquela fixação por funcionalidade – cada pedaço do parque paulistano parece ter sido projetada com algum objetivo específico. Aqui esse não é o caso: trata-se apenas de um espaço amplo e gramado onde as pessoas podem fazer um lanche, jogar bola ou simplesmente tirar um cochilo.

From Chico en Argentina

Dali fui para a Reserva Ecológica Costanera Sur, uma reserva natural “artificial”. Digo artificial porque a ilha onde o parque se encontra foi construída com material retirado de prédios demolidos, bem como do desassoreamento do Río de la Plata, durante o regime militar. O lugar foi declarado uma reserva ecológica em 1986 e é o lar de várias espécies selvagens que normalmente não se encontraria em uma metrópole, como salgueiros e acácias e animais como flamingos, garças, patos e papagaios. Mas eu também vi uns preás por ali…
O fato curioso é que isso se encaixa bem com a impressão que tive quando cheguei aqui de que Buenos Aires e Helsinki são cidades parecidas. Buenos Aires tem a Costanera Sur; Helsinki tem Suomenlinna. Claro, há diferenças: no caso finlandês a ilha é natural, e é utilizada já há muitas décadas não somente para propósitos militares mas é considerada uma cidade separada de Helsinki. Entretanto, ambas foram “remodeladas”, por assim dizer, para atender a propósitos turísticos e de lazer. Em ambas as pessoas vão passear com cestas de pique-nique, passear de bicicleta, caminhar… enfim, um típico programa de fim de semana, com alguns visuais muito legais (como o da foto acima) e uns pontos realmente muito agradáveis para simplesmente sentar e ficar sossegado, relaxando ou lendo um livro. Suomenlinna, é claro, tem mais atrações e é mais bem cuidada, mas por outro lado estamos falando da Europa, onde as coisas são em geral mais bem cuidadas mesmo – e mais antigas. Isso não torna a Costanera Sur um lugar menos interessante, diga-se de passagem. O lugar é muito bem cuidado, e tem vários pontos excelentes se o que você procura é um lugar sossegado, tranquilo e silencioso, com o som das ondas ao fundo. Mas não é parada obrigatória para quem vem a Buenos Aires.

Suomenlinna, por outro lado, é um must see para quem passa por Helsinki, assim como a feira do porto antigo e a região central da cidade.

Fecho este post com uma foto que tirei com o celular, e que mostra porque os Argentinos têm um excelente senso de humor: o adesivo da janela do metrô com o número de SMS para emergências.

From Chico en Argentina

Kunnes seuraava!

Impressões

Venho ruminando este post há alguns dias. A idéia é comparar Buenos Aires com São Paulo, mas em vez de uma comparação direta, vou fazer isso através das coisas que observei até agora.

Uma das primeiras coisas que notei foi a quantidade de táxis nas ruas. É realmente impressionante, para qualquer lado que você olhe dá pra ver pelo menos dois. Eles estão por toda parte. Em ruas mais afastadas do centro eles são menos comuns, mas ainda muitos.

Por falar em ruas, é notável a civilidade do trânsito aqui, certamente bem maior do que eu esperaria de uma cidade do tamanho de BsAs. Quem não está acostumado reclama – dizem que o trânsito é uma bagunça e que andar a pé é perigoso. Certamente não para quem está acostumado com São Paulo. É até meio estranho ver que os pedestres não têm nada a temer ao atravessar a rua quando estão na faixa e o sinal está aberto para eles: os carros param e esperam pacientemente até que seja possível passar. Ninguém reclama, ninguém buzina, quando muito vê-se uma cara feia. Mas eu não arriscaria atravessar fora da faixa ou com o sinal fechado – aí é pedir pra ouvir um monte. Até mesmo os outros pedestres te olham torto. Eu, com minha mania paulistana de andar sempre com pressa, já passei por isso.

Outra coisa notável sobre o trânsito aqui tem a ver com os pedestres. Aqui, como em qualquer lugar, há pessoas que andam devagar, pessoas que andam depressa, pessoas que correm, etc. A diferença é que todas se entendem. Ninguém liga se esbarrar em outra pessoa. É algo que acontece e eles entendem que nem todo mundo anda do mesmo jeito. Já vi gente sair no tapa em São Paulo por muito menos.

Em compensação, é mais difícil respirar por aqui. O ar é realmente mais sujo, muito embora a cidade seja bem menos movimentada. O problema, em grande parte, são os ônibus, que são muitos, velhos e mal-regulados em sua grande maioria. E não têm bilhete único.

Em contrapartida, nunca vi um ônibus sequer lotado a ponto de ninguém mais entrar. As pessoas fazem questão de sair do caminho, ninguém fica aglomerado na porta. E, mesmo que não haja bilhete único, a tarifa é muito barata – custa no máximo 2 pesos (pouco menos que 1 real). Eu disse no máximo porque essa é realmente a tarifa máxima – você paga de acordo com o lugar onde embarca e onde desembarca. É difícil ter certeza se todo mundo realmente paga o que deve, mas a impressão que fica é que ninguém está interessado em levar vantagem.

Aliás, tenho um “causo” pra contar sobre isso. Ontem eu estava voltando para casa e um rapaz notou que havia uma moeda de troco sobrando na máquina (os ônibus só aceitam moedas por aqui). Ele pegou a moeda, chegou pra moça que entrou antes dele no ônibus e perguntou “essa moeda é sua?”, e a moça respondeu “acho que não”. Os dois discutiram por uns momentos, nenhum dos dois querendo ficar com a moeda, que aparentemente não era de nenhum deles. No fim da contas a moça pegou a moeda e, em vez de ficar com ela, devolveu-a na máquina! Fiquei imaginando como isso teria se desenrolado no Brasil…

E encontrei um pequeno paradoxo por aqui também. Nos bairros mais “nobres” é comum ver as pessoas passeando com os cachorros. Algumas pessoas fazem isso elas próprias, outras preferem contratar “paseaderos” pra fazer isso. O resultado é uma coleção de várias cores, formatos e tamanhos nas calçadas. Como se isso não bastasse, é comum ver alguém jogando lixo no chão. Entretanto, aqui não vejo tantas latas de lixo como em São Paulo. O paradoxo vem agora: tirando as surpresas que os cachorros deixam pra trás, as calçadas aqui são mais limpas que as de São Paulo. Vai entender.

Por enquanto é isso. Não é tudo que tenho pra falar, mas o resto é tema para outros posts.

Hasta luego.

Mais passeio

Hoje saí à tarde de novo pra dar mais uma volta pela cidade, mas dessa vez fiquei mais por perto de casa. Queria dar uma volta pelas ruas próximas pra me localizar, ver como é o trânsito durante a semana, me acostumar com os nomes das ruas, essas coisas. Aproveitei pra ver onde ficam bancos, mercados, lavanderias, essas coisas. Com a minha sorte, é claro q não consegui o que queria no Itaú, vou ter que encher o saco deles pra ver o que há de errado.

From Chico en Argentina

Aproveitei também e fui caminhando até a Praça das Nações Unidas, onde fica um dos monumentos que são símbolo de Buenos Aires, a Floralis Generica, uma gigantesca flor de metal que se abre de manhã e se fecha à noite. Aproveitei pra descansar um pouco debaixo da sombra de uma árvore enquanto observava o movimento (muita gente vai pros parques e se espalha nos gramados, é bem legal).

From Chico en Argentina

Depois disso continuei andando, e aproveitei a proximidade pra visitar o famoso Cementerio de la Recoleta, que é provavelmente o primeiro lugar que os turistas vêem quando chegam aqui. É um lugar realmente impressionante, os mausoléus ali são imensos (várias fotos no meu Picasa) e muito decorados. Mas o mais visitado deles é um pouco mais humilde, e fica um pouco escondido em uma rua mais lateral do cemitério, embora dê pra perceber logo de cara porque sempre tem gente na frente, é o de Evita. É impressionante o poder que esse lugar tem, os argentinos realmente veneram essa mulher.

E agora, chega de passeio por enquanto. Por enquanto, a impressão de que BA e HKI são parecidas continua.

Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires no sábado. Foi tudo tranquilo, o vôo foi bastante sossegado, e cheguei sem problemas até o apartamento onde vou morar pelos próximos três meses. É bastante confortável, espaçoso e as pessoas são amigáveis.

Amanhã é que a coisa realmente começa, pois vou começar a trabalhar (espero) e a rotina vai realmente começar a se encaixar. Até agora tudo não tem passado de um fim de semana de passeio. Pelo menos a rotina do trabalho pode me ajudar a superar o estresse de estar em um lugar completamente diferente, sem pessoas conhecidas por perto.

O que posso dizer depois de pouco mais de 36 horas em Buenos Aires é que, realmente, estou na Europa Sul-Americana. É uma expressão meio estranha, mas bastaram algumas horas de caminhada pelas ruas daqui para eu me lembrar de Helsinki. Talvez seja apenas coincidência, mas a arquitetura daqui é inconfundivelmente européia, e Buenos Aires (assim como Helsinki) é uma cidade litorânea com uma zona portária recheada de parques. Certamente não toda ela, e salvas as devidas proporções. Além disso conheci bem pouco da costa propriamente dita (meu passeio por Puerto Madero foi bem rápido), mas pretendo mudar isso assim que possível.

Claro que tudo isso é apenas minha primeira impressão; conforme o tempo passar vou saber melhor as diferenças e semelhanças entre as duas, e no fim das contas pode ser que eu não ache as duas cidades nem remotamente parecidas. Essa sensação que tenho pode ser simplesmente devida ao fato de eu estar em outro país. Veremos.