Primeiro mês

Apenas uma nota rápida, pra lembrar que já faz mais de um mês que estou aqui.

Originalmente minha intenção era fazer um post por semana, mas isso naturalmente acabou se provando impraticável. Entre tudo que eu tenho pra fazer aqui, é difícil sentar na frente do computador com ânimo, paciência e idéias pra arranjar assunto.

Não que não haja assunto. Afinal de contas, a adaptação não é nada fácil.

O clima aqui é bem frio, mas não tão frio quanto eu esperava – pelo menos, não ainda. Já teve alguns dias em que a temperatura chegou a 0°C ou um pouco menos, mas isso não significa tanto assim porque afinal de contas o “zero” nesse caso é só um valor arbitrário que tem mais significado psicológico do que outra coisa. Mesmo assim, é frio pra cacete! Mas não é tão difícil assim se acostumar. Na verdade é até interessante usar tanta roupa assim e não ficar passando calor no meio do dia.

Por que é isso que acontece em São Paulo, por exemplo, no inverno. A gente sai de casa e tá aquele puta frio (tá, pros padrões de São Paulo, mas enfim…). Daí a gente veste duas calças, duas blusas, cachecol, gorro, luva… tudo isso pra um dia que tá fazendo 15 °C. Bom, de qualquer forma, chega o meio do dia e a temperatura chega a 25, 30 graus… e a gente acaba passando calor. Algumas peças ainda dá pra tirar, mas por exemplo se você sai de casa com duas calças não dá pra parar no meio da rua e tirar uma…Sem falar que cada peça de roupa que a gente tira é uma peça a mais pra carregar.

Enfim. Aqui a coisa é meio diferente, porque aqui faz frio de verdade. A gente realmente precisa de duas calças. E não, a gente não vai precisar tirar uma delas durante o dia porque aqui não é questão de 15 a 30 graus, mas sim de 5 a 10 graus, então pode usar duas calças que não vai ficar suado por baixo de toda aquela roupa e chegar em casa fedendo a suor num dia frio. E depois de algum tempo a gente acostuma também. Esses dias por exemplo a temperatura deu uma subida, chegou a 15 °C. Um calor!

Outra coisa interessante daqui é o transporte público. Tem trem e metrô pra tudo que é lado! E tem ônibus também. A passagem vale pra qualquer meio de transporte, não tem essa putaria de “integração” “Bilhete único X BOM”, tarifa extra… vc compra o bilhete e pronto. Sem falar que aqui tem várias categorias de bilhete: quem vai andar dentro da cidade paga bem menos que quem vai pra uma cidade que fica mais longe. Mas esse é assunto pra outro post, que pretendo fazer logo. O sistema aqui é interessante, e levou um tempo até eu entender como ele realmente funciona. Assim que eu conseguir sacar os detalhes escrevo o bendito post e coloco aqui. Esse eu faço questão de fazer porque é importante, a maior parte das pessoas que vem pra cá apanha do transporte público porque não sabe como funciona. Não tem nem catraca, imagine só.

Quanto às pessoas, cada vez que eu viajo pra outro país eu percebo que podem haver diferenças culturais, mas no fundo as pessoas são todas iguais mesmo. Tem todo tipo de gente: legal, antipática, fria, calorosa… algumas coisas são mais culturais, como por exemplo o comportamento das pessoas na rua, ou o fato de sempre deixarem a esquerda livre nas escadas rolantes. Mas mesmo assim conforme o tempo passa a gente começa a ver aspectos menos agradáveis, que talvez eu cubra em outro post mais pra frente, conforme certas situações forem avançando… Por enquanto vamos dizer que gente sem noção vai ser sem noção em qualquer país, e conviver com gente assim é foda.

Pensando bem, até que tem bastante assunto pra escrever aqui… espero poder encontrar tempo pra poder colocar tudo em palavras e ir postando aqui. Felizmente o trabalho vai bem e ocupa bastante o tempo, então não posso prometer nada, pelo menos por enquanto.

Auf wiedersehen!

Feliz Ano Novo

2016 foi um ano de merda. Tá aí, falei.

Isto posto, anos pares têm sido, historicamente, ruins para mim (há exceções, claro). 2016 foi um dos piores.

Não vou ficar aqui falando de tudo que me aconteceu no ano que acabou antes de ontem, mesmo porque certas coisas eu não gosto de ficar postando em lugar nenhum.

Mesmo assim, gostaria de registrar meus sentimentos com relação a 2016 aqui, nem que seja para ler daqui a dez anos e pensar “no que diabo eu estava pensando?”, que é o que eu faço atualmente com as postagens mais antigas deste blog (sem considerar as que são ainda mais antigas mas que por um motivo ou outro eu acabei perdendo).

Para começar, duas batidas de carro. Uma dentro de um estacionamento cujo proprietário não foi exatamente honesto, mas que poderia ter sido pior. Ainda assim, fiquei insatisfeito com a resolução porque no fim das contas eu paguei pelo erro dos outros. Enfim. A outra batida foi de uma pessoa que não olhou para os lados quando deveria e sumiu devidamente sem deixar muitas pistas… em parte por causa da minha idiotice, já que eu deveria ter pedido o documento dela, anotado todas as informações e feito um registro fotográfico melhor… fica o aprendizado (e a eventual ação no tribunal de pequenas causas).

Fora isso, fui incluído no contingente de pessoas que perdeu o emprego “por conta da crise”. Uma crise que se originou da administração estúpida e irresponsável, típica da classe política brasileira, que por sua vez representa o povo brasileiro, que não sabe (nem quer) participar da vida política do país. O resultado são as raposas tomando conta do galinheiro… e quem paga a conta dos ovos são as galinhas, que em sua maioria só se interessam por futebol, carnaval e cerveja. E ai de quem “falar mal”: “como assim você não gosta de futebol? Você não é brasileiro não?”

Apontar erros é, na verdade, justamente o oposto que “torcer contra”. Sem alguém para indicar o que está errado, como podemos melhorar? Mas, em vez disso, a maioria das pessoas encara isso de uma maneira estupidamente reversa, como se deixar de assumir os problemas fosse fazê-los ir embora.

De qualquer forma, este post não é sobre a estupidez das pessoas. Então, seguindo…

Perdi um amigo em 2016. Alguém que eu considerava como um membro da família, que tinha livre acesso à minha casa e à minha vida particular, mas que mostrou que não era digno dessa confiança toda. Não quero dar mais detalhes, mas eu atingi a minha cota: certas pessoas não valem a pena o esforço, e quero me concentrar em quem vale.

Meu balanço de 2016 é que perdi muita coisa, mas essas perdas contribuíram para o meu crescimento. Aprendi muito, e percebi que passei tempo demais tentando fazer a coisa errada – ainda que pelos motivos certos. Por mais difícil que seja, é necessário seguir o caminho que defini para mim mesmo há tanto tempo atrás, e embora seja necessário admitir que a rota percorrida não seja a traçada, também é necessário lembrar que os desvios só valem a pena se levam ao mesmo destino.

Como sempre, persistência, paciência e disciplinas são as palavras de ordem.

Que venha 2017.

Olá câmera! =)

Por um bom tempo eu achei que a minha câmera havia morrido em outubro com as tempestades e quedas de energia que aconteceram.

Parece que, felizmente, eu estava enganado. Por desencargo de consciência liguei a câmera no computador de novo e qual não foi minha surpresa ao perceber que ela está funcionando novamente!

Francamente não tenho certeza do que pode ter acontecido. Pode ter sido algum mau-contato entre a controladora USB e a placa-mãe (que eu uso pra ter USB3 adicionais), ou a câmera tem componentes borg e por isso se recuperou sozinha.

Não importa, o bom é que voltei a ter a possibilidade de fazer meus streams. O que não significa que eu vá fazer isso, perdi a inércia e teria que recuperar bastante coisa pra voltar a fazer isso. Sem falar em conseguir de novo ter um horário pra sentar na frente do computador sem interferências externas… enfim. Vou tentar pensar em algum arranjo pra voltar a fazer vídeos em 2017. Veremos!

Tchau Câmera =(

A tempestade da quinta-feira passada deixou vítimas. Felizmente nada essencial à vida da casa: geladeira, máquina de lavar etc estão todas funcionando bem, obrigado.

Quem morreu (fazendo escândalo, aliás) foi a minha câmera. Meus vídeos no twitch perderam um pouco da graça porque eu não posso mais aparecer… o que é uma parte importante quando se faz transmissões desse tipo. Vou ter que pensar em um jeito de consertar isso.

Eu sabia que algo tinha ido pro saco. Em uma das 345665 vezes que a luz caiu e voltou, fatalmente alguém ia acabar se lascando com o transiente lascado… obrigado Eletropaulo. Foi um ruído bem alto, e deu pra ver uma luz parecida com um flash na sala. Na hora não deu pra ver o que era, mas quando fui inciar o stream na sexta-feira eu percebi que não havia sinal da câmera…

Uma coisa que dá pra fazer é restaurar a câmera antiga. É melhor ter uma imagem com resolução porca do que nenhuma imagem…

Adeus Tite

O Tite aceitou a proposta da CBF e vai ser técnico da selecinha brasileira. O comentário do Juca Kfouri, na matéria do link, é lindo. Transmite bem o meu sentimento com relação ao que essa decisão do Tite representa.

Acho a seleção brasileira escrota, um sintoma do câncer conhecido como CBF, que transformou o futebol brasileiro no lixo que presenciamos hoje em dia. Jogadores despreparados, times que contam apenas com o talento individual, torcidas descontroladas, violência generalizada nos estádios (e fora deles). Tudo isso porque a CBF não administra o futebol; o utiliza para seu próprio ganho.

Graças a ela, o Brasil deixou de ser o “país do futebol” há muito tempo. Não temos “grandes times”. Os times que ocasionalmente se mostram fortes e ganham campeonados são prontamente desmontados, já que vender jogadores dá muito dinheiro. Não somos mais o país do futebol; somos apenas fornecedores de mão de obra.

Mão de obra, alliás, desqualificada. Os jogadores brasileiros não têm disciplina, preparo físico nem fundamentação teórica. Muitos largam a escola assim que conseguem a primeira oportunidade em um time. Quando chegam a outros times, têm que passar por uma adaptação na qual devem adquirir essas bases para poder jogar.

Enquanto isso, o calendário do futebol brasileiro continua sendo essa coisa grotesca e estafante, repleta de compromissos nos quatro cantos do país, que gera despesas enormes e cansaço e desgaste físico para jogadores e comissões técnicas.

A seleção brasileira não representa o futebol brasileiro, porque é composta primariamente de jogadores que atuam no exterior. Como se isso não bastasse, há a ingerência da CBF, que interfere no trabalho do treinador. Esse, aliás, sofre com o calendário mais que ninguém, já que os períodos de treino são pequenos o suficiente para serem irrelevantes, e a frouxidão da CBF permite que os clubes impeçam que jogadores sejam convocados.

Caso emblemático é o de agora: a menos de dois meses da Olimpiada troca-se o técnico, como se a simples substituição fosse uma fórmula mágica que, “do dia para a noite”, fosse resolver todos os problemas da “equipe”. Como se, nos próximos 50 dias, Tite fosse ter tempo suficiente para montar um time (que, aliás, deveria ter sido anunciado ontem segundo o cronograma do torneio), fazê-lo se entrosar e criar táticas de jogo para enfrentar os adversários que terá pela frente.

Quanto ao Tite, é uma decepção total ele ter aceitado o convite. Algumas pessoas postaram no facebook “obrigado Tite”. Eu não. Não devo nenhum agradecimento a ele. Seu trabalho no Corinthians foi exemplar, assim como a atitude do clube e, mantê-lo mesmo quando a situação não era boa, principalmente da última vez que ele foi técnico e, por ter tido a oportunidade de manter a continuidade de seu trabalho, acabou “ganhando tudo” (Brasileiro, Libertadores e Mundial).

Tite que até pouco tempo atrás criticava a CBF, “se rendeu”. Perdeu a oportunidade de dar um tapa na cara (muito merecido) da CBF e de Marco Polo del Nero. Perdeu um gol feito, e parte do respeito que tenho por ele.

Lições de Vida

Preciso confessar uma coisa: muito, muito tempo atrás, eu era terrível em matemática. Tinha dificuldade e não conseguia estudar direito. Claro, isso foi há quase trinta anos atrás. Mas, ainda assim, houve uma época na minha vida em que eu não ia bem em matemática.

Naquela época eu estudava no Misericórdia, um colégio de freiras em Osasco. Hoje em dia, pensando sobre aquela época, imagino que a professora tenha procurado meus pais para falar a respeito, ou talvez eles tenham notado alguma coisa. Talvez eu nunca saiba.

O que importa é que, naquela época, uma pessoa arrumou uma lousa e a instalou no quintal. E, com toda a paciência do mundo (ok, nem tanta paciência assim, se me lembro bem…) começou a me ensinar os rudimentos da matemática. Até hoje tenho gravada ma memória o momento em que reaprendi a escrever o número 4. E, sim, essa era uma das minhas dificuldades.

Enfim, essa pessoa me colocou no caminho certo, e não demorou muito para que a matemática se tornasse uma parte integral da minha vida. De aluno medíocre passei a melhor da classe, depois daquela época nunca mais tive dificuldade em matemática – até começar a aprender cálculo, mas isso fica pra outro dia.

Essa pessoa não era qualquer uma – foi minha mãe. Pensando bem, o que ela fez há tanto tempo atrás me colocou num caminho que me trouxe até aqui. Sei lá eu o que eu teria sido se não assumisse esse gosto pelas ciências exatas. Mas tenho consciência de que uma das coisas que fizeram de mim um exatóide foi aquele momento em que percebi que a matemática não era algo místico, nem uma caixa preta, mas sim um conjunto de regras simples que sempre funcionam, e que vão construindo umas sobre as outras uma estrutura consistente que, independentemente do caminho tomado, levam aos mesmos resultados. Esse é um aspecto fundamental da ciência, e certamente me direcionou para isso.

Decidi relembrar aqui esse episódio porque hoje, domingo, é dia das mães. A minha me ensinou tantas coisas fundamentais para a vida que eu não poderia falar sobre todas mesmo que tivesse uma vida toda para isso.

Feliz dia das mães.

Sarcasmo e criatividade

Este post lindo fala sobre sarcasmo e como ele pode influenciar a criatividade.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma certa tendência a ser honesto “demais”. Coloquei aspas no “demais” porque não acho que exista excesso de honestidade. Minha política pessoal é a de que a verdade, por mais dura que seja, é melhor que a mentira ou o eufemismo.

A verdade é útil: não deixa dúvidas sobre a minha opinião sobre o que me perguntam. Tentar maquiar ou desviar o assunto só atrapalha a discussão e não gera nada de novo; muito pelo contrário, pode criar distorções que só vão crescer com o tempo e tornar tudo muito mais difícil.

Isto posto, como a própria descrição deste blog diz, eu sou uma pessoa sarcástica. Me divirto com ele, e boa parte do meu senso de humor se origina nisso. Não porque seja elegante, mas porque, simplesmente, a desconexão entre as palavras e seu real significado é divertida. Gosto de diálogos inteligentes, em que é necessário interpretar o que o interlocutor diz. Tem que usar o cérebro pra conversar.

Talvez por isso muita gente me interprete mal, no entanto. A norma não é essa; mas sim agradar e falar o que a pessoa quer ouvir. Pra mim, isso é ofensivo. Respeito muito mais quem me fala o que pensa na cara (independente de eu gostar ou não) do que quem simplesmente vem falando “manso”.

Parece meio contraditório ao mesmo tempo valorizar a honestidade e incentivar o sarcasmo. Acontece que, como eu disse, é necessário usar a cabeça para conversar. Isto é, a honestidade reside no significado, não nas palavras.

O estudo que linkei lá em cima sugere que quando duas pessoas estão em uma conversa que envolve sarcasmo, e percebem isso, seu pensamento criativo melhora, assim como a capcacidade de raciocínio abstrato.

O mesmo estudo lembra que o sarcasmo pode ser bem perigoso para relações entre pessoas; comigo,  dá no mesmo, pois minhas relações tendem a envolver sempre uma certa dose de ironia (embora nem sempre ela seja direcionada à pessoa com quem estou conversando).

Isto posto, acho que é importante ressaltar que as pessoas precisam ser mais genuínas, não apenas com os outros mas também consigo mesmas. Se eu gosto de ironia e sarcasmo, porque eu esconderia isso? É um traço da minha personalidade, uma marca de quem eu sou. “O Francisco é meio sarcástico”. Eu também sou muitas outras coisas. É péssimo utilizar apenas uma caraceterística da pessoa para defini-la.

Eu tenho consciência de que sou uma pessoa bem difícil de discutir; isso porque eu sou chato, insistente e detalhista, além de muito teimoso (e ligeiramente intransigente às vezes). Mas também tenho capacidade de ouvir os argumentos dos outros (mesmo que não pareça). E, por isso mesmo, respeito quem se mete a discutir comigo sem perder as estribeiras.