How Star Wars Conquered the Universe

Por uma série de motivos (que não vêm ao caso) ainda não terminei de ler esse livro, que comecei há várias semanas.

Também não sei se é uma obra “autorizada” ou não – embora eu desconfie que, mesmo não sendo, tenha contado com a colaboração de muita gente intimamente ligada à franquia e ao George Lucas, o que dá uma certa credibilidade ao texto.

Na verdade só estou escrevendo este post porque me passaram duas coisas pela cabeça que achei que seria relevante colocar aqui (mesmo porque se não fizer isso posso acabar esquecendo).

A primeira delas é uma sensação de que descobri o problema da trilogia prequel de Star Wars: George Lucas é um péssimo escritor. E, pior ainda, é tão obcecado com as histórias que cria na própria cabeça que nunca, jamais, alguém seria capaz de colocar no papel essas histórias de uma maneira que ele achasse satisfatória.

Uma evidência clara disso são as inúmeras mutilações revisões à história que ele fez ao longo dos anos.

Isso me veio à cabeça porque, quando estava escrevendo American Graffiti, George Lucas teria mencionado que só se daria por satisfeito se o roteiro refletisse 60% da sua visão. Em seguida, Taylor mencionsa que a mesma coisa teria acontecido a Episódio I – A Ameaça Fantasma, e que a porcentagem teria sido de 90%.

Cara, esses 10% fizeram MUITA falta.

Não é hoje que vou escrever minha opinião sobre os prequels. Mas, de um ponto de vista geral, a história faz sentido. A evolução de Anakin de garoto inocente e bem-intencionado a jedi poderoso e (ainda) bem intencionado a vilão é mais ou menos clara. Os problemas começam quando essa história – que faz algum sentido mas não deixa de ser medíocre – precisa ser levada adiante por um roteiro que parece que foi escrito por um adolescente, e que se desvia tanto que quando os momentos críticos aparecem é necessário forçar a barra para que tudo aconteça. Em outras palavras, os personagens são levados a agir de maneira incongruente com a maneira como foram construídos, mudando de direção sem a menor cerimônia. Um exemplo claro disso é a maneira como Anakin simplesmente se rende e imediatamente chama de “mestre” o homem que estava prestes a matar. Em um intervalo de alguns minutos ele passa de “jedi bonzinho” para “sith malvado que mata criancinhas” em uma transição que não é perceptível nem no texto nem no subtexto.

Outra coisa que eu quero deixar registrada aqui é que a pesquisa do Chris Taylor obviamente foi muito profunda: ele revela certos detalhes que são, ao mesmo tempo, totalmente irrelevantes e extremamente interessantes. É muito legal entender, por exemplo, de onde veio o nome da raça do Chewbacca ou o nome R2-D2.

Estou lendo aos poucos o livro, mas estou me divertindo a cada página.

 

The Martian

“The Martian”, de Andy Weir, foi minha primeira experiência real de leitura no Kindle. Mas vou deixar pra registrar minhas impressões sobre o leitor mais tarde, depois de mais alguns livros e de mais um tempo de experiência com ele.

Por enquanto, vou me ater ao livro mesmo.

Como todo nerd que se preza, sou fascinado pela exploração espacial. Desde moleque um dos meu sonhos era trabalhar na NASA. Então não é nenhuma surpresa que o filme tenha me atraído tanto.

Como sempre, no entanto, o livro é muito melhor. A história é ainda mais realista, assim como os problemas e as soluções que se apresentam. O autor é um entusiasta sobre Marte, e nas suas próprias palavras, ele “passou a vida inteira se preparando para escrever esse livro”. E ele fez um excelente trabalho. A história é sensacional, e a única coisa que incomoda um pouco é um sujeito que é, ao mesmo tempo, Engenheiro Mecânico e Botânico – não apenas isso, mas ele tem um domínio excelente das duas coisas. E, naturalmente, é uma coincidência espetacular que justamente ele tenha sido deixado para trás no planeta vermelho.

Fora isso, no entanto, a história é cativante. Prende de um jeito que poucos livros conseguem, e não dá para parar de ler. Weir é muito competente ao passar a impressão de que se trata de fato de uma operação da NASA. Algumas coisas precisam de um pouco de suspensão da descrença, mas isso favorece o livro então tudo bem.

O que achei, de fato, mais interessante no livro, e de longe foi o aspecto mais divertido, foi o senso de humor de Mark Watney. Ele é espontâneo, descontraído, ácido e sarcástico – absolutamente delicioso. Ri muito com ele. E é mais interessante notar que, em se tratando de um livro que retrata uma situação extremamente dramática, a gama de emoções oferecida ao leitor é enorme, indo do riso descontrolado ao drama do resgate, sem aqueles momentos mais bregas (embora muito legais) do final do filme.

Update: esqueci de mencionar que a nerdice do autor é tão enraizada que ele faz questão de fazer as contas em vez de escondê-las. E isso é uma coisa muito foda.