Adeus Draenor.

Hoje é dia de patch. Finalmente, depois de mais de um ano sem grande coisa, um patch de conteúdo (de verdade) está entrando no World of Warcraft.

A expansão é Legion, e traz de volta a Burning Legion; o grande inimigo do universo Warcraft. Ela primete bastante, com várias melhorias na interface de usuário, uma história muito interessante, upgrades no visual do jogo, uma nova classe, enfim, uma cacetada de coisas.

O que eu não gostei foi do processo de desenvolvimento; é até compreensível que os desenvolvedores do jogo decidam tomar o rumo que bem entenderem, afinal é o jogo deles e eles têm esse direito. Os usuários têm que se acostumar, se adaptar ou trocar de jogo. O problema é a fachada de boa-vontade que eles mostram, sem ter atitudes condizentes. Dizem que querem a opinião dos jogadores, mas aparentemente tudo que fazem com ela é ignorar tudo.

Se vão ignorar, então pra quê ficar fazendo alarde? Pra quê ficar pedindo feedback o tempo todo, se vão ignorá-lo? Simplesmente para usar a paixão das pessoas que amam o jogo para fazer o serviço de um time de testes. O único feedback que lhes interessa é limpar os bugs. Mas os bugs não foram o principal problema, mas sim a jogabilidade, a diversão do jogo.

Para pelo menos uma classe, os hunters, eles disseram “fodam-se”. Assim que a classe foi liberada no alfa, e durante o beta, os fóruns ficaram tomados de comentários, tanto de pessoas que estavam envolvidas nessas fases quanto de gente que prestou atenção nas notícias que apareciam. As mudanças à classe foram criticadas de forma unânime; ninguém gostou delas. Foram muitas, algumas exageradas e outras simplesmente descabidas. A impressão que dá é que destruíram a classe mais popular do jogo. E qual foi a resposta deles a todo o feedback negativo que receberam? Nenhuma.

Nem uma única linha, nem uma única palavra de resposta. Todo aquele feedback, todos aqueles comentários, todo aquele tempo gasto nos fóruns não serviu de nada. Foi tudo sumariamente ignorado, apesar do avisozinho escroto que dizia “estamos ouvindo!” e pedia por feedback.

Sinceramente, estou meio revoltado com a Blizzard. Faz tempo que, apesar do serviço ao cliente deles ser excelente, eles não dão a menor pataca para quem ama seus jogos há tanto tempo.

Espero estar errado, pelo menos em parte, e que a classe esteja ainda divertida. Eu duvido, mas milagres podem acontecer. E, sinceramente, espero que este seja o caso. Se eu perder minha classe preferida, não sei se terei interesse em continuar jogando. Não falo isso pela Blizzard, que apesar de ter perdido uma verdadeira legião de jogadores ainda tem milhões de regulares no WoW. Eles não vão ligar se um único jogador casual sair. Mas fodam-se eles; só não quero me investir mais nesse jogo para não ter mais a ótima experiência que tive nos últimos anos de jogo.

Eu poderia seguir aqui falando de tudo que eles têm feito de errado com WoW, mas sinceramente é muita coisa, eu não saberia entar em detalhes sobre tudo e estou sem saco. Antigamente, eu faria isso, e gastaria umas horas escrevendo este post. No momento, tenho mais o que fazer. Só pretendo entrar no WoW semana que vem, quando voltar de viagem.

Se meu eu do passado por acaso vir este post, sim, este é o ponto a que chegamos. Não, ainda não achei um substituto, e por enquanto ainda estou tentando insistir no WoW, enquanto me engano com Minecraft e joguinhos de facebook.

Bagunça na USP

A USP está passando por aquela época do ano em que os revolucionários de plantão resolvem sair das suas tocas e atrapalhar a vida dos outros.

Estamos passando por uma crise grave no país inteiro. A USP não é diferente, ainda mais considerando a gestão inconsequente e irresponsável a que ela vem sendo submetida nos últimos anos.

Por isso, são justificadas e compreensíveis as reivindicações que os movimentos em atividade na USP reivindicam. Pessoalmente eu sou a favor de muitas delas, especialmente considerando que as universidades estaduais paulistas foram instigadas a se expandirem sem que houvesse aumento do repasse do governo do estado para elas. A saber, o percentual do ICMS continua sendo o mesmo. Não é à toa que o comprometimento só com a folha de pagamento passa dos 100% (pelo menos na USP). Para se expandir, é necessário contratar funcionários e professores, adquirir terrenos, construir prédios, instalar toda a infra-estrutura… por algum motivo o governador parece acreditar que as estaduais dispõem desse tipo de dinheiro, e se preocupou somente em colher os “louros” de ter expandido as universidades paulistas.

Quem, em sã consciência, expandiria qualquer operação sem uma fonte adicional de verba?

É bom lembrar também que a USP passou por um plano de demissão voluntária que diminuiu o número de funcionários da universidade, o que deixou vários laboratórios numa situação difícil, pois o número de funcionários já não dá conta da demanda… alguns laboratórios ainda conseguem “compartilhar” técnicos, mas mesmo assim a situação é difícil. Outro problema é que vários dos que foram embora levaram consigo a sua experiência, e não há quem os substitua na função que exerciam por simples falta de treinamento.

Isto posto, é absurda a demanda de 13% de aumento. Sabendo que a universidade está em sérias dificuldades, os proponentes desse reajuste querem, a julgar por esse número, piorar ainda mais a situação.

Mais ainda, e aparentemente é isso que se mostram completamente incapazes de compreender, as suas “táticas” de manifestação alienam e afastam a maioria das pessoas que lhes daria suporte. Ao bloquear as entradas da Universidade, promover “cadeiraços” e criar transtornos através de piquetes, não chegam nem perto de afetar aqueles que têm algum poder de decisão sobre os assuntos que estão na pauta; pelo contrário, prejudicam aqueles que fazem da USP a melhor universidade do país, impactando o desempenho acadêmico e profissional de milhares de pessoas. Não gosto nem de imaginar quantas teses de doutorado isso custará.

Por último, mas não menos importante, é a atitude ridícula e ignorante dos alunos. Através de uma “assembléia” nada representativa, alegando que essa é uma forma “soberana” de manifestação dos estudantes, justificam qualquer absurdo que lhes venha à mente (usando táticas dignas do Congresso Nacional), sem pensar em quaisquer consequências. A mera definição de “greve de estudantes” é, por si só, absurda. Uma greve existe como um direito do trabalhador, uma maneira de ele se manifestar, criando um prejuízo a seu “patrão”, como forma de forçá-lo a negociar. Existe uma relação clara entre quem se manifesta através da greve e quem é prejudicado por ela. No caso da “greve” que os alunos alegam estar manifestando, essa relação não existe. O principal prejudicado é o próprio aluno, não somente porque o professor pode ignorar a greve (com as conseqüências que isso acarreta, como marcação de faltas e provas perdidas), mas principalmente porque o aluno, ao deixar de freqüentar a aula, deixa de ter a oportunidade de adquirir conhecimentos que lhe serão úteis em fases posteriores do curso e em sua vida profissional. Em outras palavras, o aluno prejudica a si mesmo, numa atitude infantil e mimada, esperando que os outros atendam às suas demandas. O pior aspecto disso é que, como se isso não bastasse, ele ainda crê ter o direito de forçar a sua opinião sobre as outras pessoas, agindo de forma unilateral, truculenta e completamente intolerante para que todos ajam de acordo com o que ele pensa. Quem não concorda e tenta exercer seu direito é hostilizado, ameaçado e atormentado à exaustão. A parte irônica disso tudo é que essas são justamente as pessoas que concordam com as reivindicações, mas são afastadas da manifestação por causa dessas atitudes.

Apenas depois que o estrago já está feito, quando vem a resposta em forma de provas aplicadas, faltas marcadas e outras atitudes por parte da instituição, o manifestante alega estar sendo perseguido, grita que está sendo oprimido e clama por diálogo. É a criança birrenta que prende a respiração porque os pais não querem lhe dar o que quer, e só depois da birra tenta argumentar. Só que, depois da birra, o estrago já está feito.

 

Ciência, Tecnologia e Comunicações

No final das contas, o tal ex-pastor da Universal não ficará com o MCT (MCTC, agora). Esse ministério vai para Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro de Dilma (achei… “interessante” mencionar isso aqui).

A primeira coisa que fui procurar foi o currículo Lattes dele, que não existe. Mau sinal.

Eu esperaria, do responsável pela Ciência e pela Tecnologia do país, alguém que tivesse, pelo menos, criado o próprio currículo Lattes. Isso indicaria algum nível de intimidade com os campos da pesquisa científica e tecnológica, e uma óbvia conexão com iniciativas de inovação.

Apesar disso, ele é formado em Engenharia Civil e Economia, ambos cursos pela Universidade de São Paulo. Já é um começo, e indica que pelo menos ele passou pelo mundo acadêmico.

Também é interessante que ele tem experiência na área: foi presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia.

Kassab foi prefeito de São Paulo, e adotou algumas medidas que foram interessantes, como a Lei Cidade Limpa, por exemplo, que diminuiu a quantidade de propaganda nas áreas abertas da cidade (embora isso não tenha sido acompanhado por uma melhora no visual dos prédios da cidade em geral, o que teria sido ideal). Na mesma linha, regulamentou a lei do enterramento da rede elétrica, o que certamente ajudaria o visual da cidade e melhoraria a qualidade e a disponibilidade da energia fornecida.

Na gestão dele a prefeitura de São Paulo também foi o primeiro órgão público a realizar um leilão de créditos de carbono e criou uma usina de energia que utiliza o gás emanando de um aterro sanitário na Zona Leste.

São ações interessantes e importantes, mesmo que nem todas tenham tido o efeito desejado (o enterramento da rede elétrica atualmente está parado, por exemplo). Para alguém que ficou seis anos à frente da prefeitura, eu esperaria mais iniciativas. Ou, pelo menos, melhores resultados.

A gestão dele na prefeitura também teve sua dose de polêmica, como a chamada “Operação Sufoco”, que em hipótese deveria melhorar a “cracolândia”, mas em vez disso acabou apenas espalhando os usuários pela cidade. Ou a famigerada taxa de inspeção veicular, juntamente à contratação irregular da empresa responsável por essa inspeção.

Junto com José Serra, acabou com o orçamento participativo, que era uma boa iniciativa do governo municipal anterior (olá, política partidária…). Também houveram problemas com relação à merenda escolar.

Finalmente, Kassab deixou a prefeitura paulistana com pequeno superávit orçamentário, o que considero ideal, ou seja, utilizou o orçamento, sem deixar sobras, o que hipoteticamente significa que os recursos que foram destinados às diversas áreas da prefeitura foram efetivamente utilizados – muito embora o fato de terem sido bem utilizados é questão para outra discussão.

Do lado político, vamos lembrar, há menos de dois meses Kassab era ministro de Dilma. Agora, será ministro de Temer. Só isso, acredito, já diz muito.

No geral, poderíamos estar pior. Um líder religioso, a princípio, não tem muito lugar no MCTC; por outro lado, uma indicação mais técnica teria sido melhor. Do ponto de vista do equilíbrio entre as duas coisas (que atualmente são, infelizmente, inconciliáveis no Brasil), estamos mal, mas podíamos estar pior.

A fusão da Ciência e Tecnologia com as Comunicações não faz nenhum sentido, a não ser a pura e simples necessidade de diminuir o número de ministério a qualquer custo. No final das contas, esse pode ser o grande empecilho às funções do ministro, que terá que dividir suas atenções entre áreas muito diferentes – pra não mencionar os problemas de orçamento.

Desejo boa sorte ao novo ministro – assim como todos os outros, ele vai precisar.

 

Whatsapp, Justiça e Inconseqüência

Apenas um post rápido, sobre dois tópicos.

Whatsapp bloqueado… de novo

Hoje o Whatsapp foi bloqueado novamente por ordem de um juiz do Sergipe. Aparentemente a empresa não colaborou com investigações a respeito de um caso de tráfico de drogas.

Isso mostra que, em pleno século 21, um sujeito que não tem a menor noção de como a Internet funciona acha razoável determinar que um aplicativo que faz uso dela possa ser bloqueado. Como se “a internet” fosse uma entidade, um ser físico ao qual o acesso pudesse de fato ser impedido. Bom, num país onde o presidente da entidade responsável por fiscalizar as empresas de telecomunicação não entende como ela funciona, por quê um juiz entenderia?

Outra coisa é a estupidez da decisão. Em vez de punir a empresa, proibindo por exemplo novas instalações do aplicativo ou aplicando multas progressivas, o sujeito acha viável atrapalhar a vida dos milhões de pessoas que utilizam o aplicativo como ferramenta para inúmeras tarefas do dia a dia: pessoais e profissionais. E, não bastando isso, ainda argumenta dizendo que a decisão é baseada no Marco Civil da Internet.

Como contramedida, o grupo Anonymous derrubou o site do tribunal de justiça de Sergipe, dizendo que garantirá que este fique fora do ar enquanto o serviço do Whatsapp não for restabelecido (pra constar, o site já voltou ao ar).

Como sempre, o Brasil está na vanguarda do retrocesso.

Inconseqüência total

Em novo absurdo que ganhou o apelido de “pacote de bondades” nossa querida presidente anunciou reajustes para o bolsa-família, além da tabela do imposto de renda, e novas contratações do Minha Casa Minha Vida.

Haja vista que essa mesma sujeita vetou esses mesmos reajustes (Bolsa Família e IR) dizendo que não havia espaço no orçamento federal.

Agora, de repente, achou o espaço?

Claro que não. É birra. Independentemente da validade do processo de impeachment (que algumas pessoas contestam), essa decisão é mais uma demonstração de quão obtusa e irresponsável é a atual administração do país.

Ela ainda segue adiante, fazendo ameaças de que a oposição, se assumir, cortará esses reajustes. Óbvio que cortará. Eles são arbitrários e oportunistas, e apesar de serem na verdade muito justificados não há receita para cobri-los. Um governo que já está enterrado até o pescoço em quase 150 bilhões de reais de déficit não tem o direito de gastar mais nenhum centavo.

Ainda na mesma tocada, o ministro da educação, Aloízio Mercadante, inaugurou um prédio semi-construído da Unifesp em Guarulhos, onde ainda havia tinta fresca e tomadas que não funcionavam no momento do evento.

A partir desse tipo de notícia, não sei nem o que pensar a respeito da capacidade intelectual deste governo. Agora, aos 44 min do segundo tempo, falam em enviar projeto ao congresso com emenda para antecipar as eleições presidencias. Agora, quando já jogaram fora toda e qualquer chance de apoio que poderiam ter dentro do congresso, quando já não há mais nenhuma outra saída, quando essa medida depende, entre outras coisas, da renúncia da presidente e do vice, quando ambos falam que não vão renunciar.

É como o moleque que joga online mas é muito ruim no jogo, bota a culpa nos outros, chama os oponentes pra briga e dá ragequit.

Pós-impeachment

Na segunda-feira o assunto não será outro: o impeachment de Dilma Roussef. Ou, possivelmente, o “não-impeachment”. Qual dos dois, a câmara dos deputados decidirá no domingo.

O que nos resta então?

Se o processo de impeachment não for aceito, teremos um governo extremamente frágil, sem nenhum apoio e nível baixíssimo de governabilidade. Dependerá da capacidade do PT de se reerguer, recompor sua base e criar um “pacto” (ainda que tardio) para tentar remediar a situação.

Se o processo for aceito, o que é mais provável, será mais um passo na queda do “lulo-petismo”. Já sem apoio e retirado do poder, sobrará ao partido as bancadas na câmara e no senado, e a decisão de como lidar com a derrota. Poderão tentar resistir, ainda agarrados à hipótese de “golpe”, ou poderão assumir a derrota e procurar uma saída para a crise.

Estamos, coletivamente, em um momento crítico. Não basta a crise econômica, temos uma crise política e de representabilidade que é resultado de décadas de descaso. Devemos admitir: a maioria de nós nunca ligou muito para política. E, deixados sem supervisão, nossos representantes acabam fazendo o que bem entendem.

Meu ponto é: Dilma não é o fim. Se queremos uma política diferente, precisamos ter uma atitude diferente. A começar por remover os escolhidos para representar nossos interesses na esfera legislativa do governo. Não se engane: se receberam nossos votos, eles nos representam. E, como todo representante que não executa seu papel de maneira satisfatória, podem e devem ser removidos e substituídos. Isso é algo que todos precisamos entender: a soberania do poder cabe ao povo, pois ele é o “patrão”. E, como tal, tem o direito dever de monitorar a ação de seus representantes – seus empregados. Isso significa, como já mencionei aqui antes, que não basta votar neles uma vez a cada quatro anos e esquecer do assunto. É necessário cobrar, exigir, questionar.

Minha sugestão é que, independentemente do resultado do processo de impeachment, Eduardo Cunha seja removido, no mínimo, da presidência da Câmara. Para isso é necessário que seus colegas façam sua parte. E, para isso, eles devem saber o que o povo espera deles.

Isso significa que devemos fazer nossa parte, e procurar nossos representantes cobrando atitudes condizentes com o que esperamos deles. Se não, ficaremos apenas assistindo.

Impeachment e representatividade

Eu não queria falar de impeachment. Infelizmente este post será mais um sobre política.

Eu gostaria de discutir outros assuntos aqui; mas ultimamente está difícil falar de outra coisa. Já mencionei em outro post outro post aqui no blog qual o grande legado deste governo. Essa situação é muito incômoda e não vai se resolver logo nem facilmente. Mas eu quero registrar aqui algumas coisas.

Plenário do Congresso, onde o impeachment está sendo decidido
Plenário do Congresso – eles te representam

Impeachment é golpe ou não é?

Não.

Muitas pessoas acreditam que esse processo seja golpe por vários motivos. Os que ouvi recentemente são de que “não pode haver impeachment sem crime”, e “se acontecer o impeachment, ele vai colocar no poder alguém que não recebeu votos”.

Ambas as afirmações estão erradas.

Golpe não está previsto na lei; impedir um presidente está.

Primeiro: o impeachment é um instrumento constitucional e, portanto, democrático. Este processo tem seguido todas as regras, cumprido todos os requerimentos e passado por todas as fases necessárias. Dito isto, ele é também um processo político.

Eu não escondo de ninguém que não gosto do governo do PT. Desde o início da era Lula venho mencionando aqui que a política que eles estavam praticando não era saudável e eventualmente seria a causa de uma grave crise. Dito e feito; acabaram os bons ventos do mercado internacional (que não está em recessão, apenas mudou de perfil) e, com eles, a fonte de fôlego financeiro do governo. Acabou o segundo “milagre econômico”. A maioria dos analistas internacionais aplaudia o Brasil, falava de como estávamos demonstrando força e capacidade, mas aparentemente falharam miseravelmente em suas análises. E, assim, aqui estamos. Ainda assim, se houvessem condições de o governo Dilma seguir até 2018, eu acho que deveria. Mas Dilma já demonstrou que não tem apoio político nem capacidade administrativa de seguir com essa tarefa.

Sendo o este um processo político, é razoável considerar que uma eventual troca de governo seja capaz de mudar os rumos da crise. Com um mínimo de suporte político seria possível introduzir medidas para gerenciar a crise. Não sejamos ingênuos: serão medidas horríveis. O ajuste nunca é algo agradável, mas no momento ele se faz necessário. Depois de 12 anos de irresponsabilidade fiscal, isso é inevitável.

Quem vai assumir foi eleito junto com Dilma

A segunda afirmação é de que o governo que assumiria não foi eleito. O que não é verdade; quem votou em Dilma em 2014 votou também em Temer! Os dois formaram uma chapa e, portanto, receberam juntos os votos que os elegeram. Não faz o menor sentido dizer que Temer “não recebeu votos” para ser presidente; seu cargo, de vice-presidente, existe justamente para que ele possa assumir caso a titular deva se ausentar por algum motivo!

Da mesma forma, Eduardo Cunha também foi eleito pelo voto direto; assim como aqueles que defendem Dilma dizem que quem perdeu a eleição deve se conformar, também devem se conformar as pessoas que não querem Cunha no cargo de deputado federal. Ele foi eleito com pouco mais de 230 mil votos (22° do geral, 3° do RJ). E, entre os representantes eleitos pelo voto direto, ele foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Tudo isso é um processo eleitoral legítimo, que muitos parecem agora estar esquecendo para dizer que “não são representados”.

Democracia não é questão de conveniência

É lamentável que se pense que a democracia só vale quando é conveniente; mais ainda, que democracia só se faz no dia da eleição. De uma forma ou de outra, os candidatos eleitos nos representam em todas as esferas do governo, das câmaras municipais ao Palácio do Planalto. Isso é um fato, independentemente de caráter ético, moral ou ideológico. Se a representação é justa e serve aos interesses da nação é outra história. Para constar, minha opinião é de que o povo brasileiro está bem representado, e ao mesmo tempo (e por esse exato motivo) os interesses nacionais estão sendo atropelados por interesses particulares.

Aliás, por falar em representatividade, veja só quem são os cinco deputados federais mais bem votados (dados disponíveis no site do TSE):

deputados
O segundo mais bem votado é o Tiririca.

Entre os cinco mais bem votados (apresentados na tabela aí de cima), apenas Tiririca está indeciso. Os outros todos devem votar a favor do impeachment, segundo o acompanhamento feito pela rede Clic RBS.

Impopularidade não pode ser critério para interromper o mandato de qualquer pessoa que foi eleita pelo voto. Entretanto, a democracia não se faz exclusivamente no dia da eleição. Ela requer participação dos eleitores, fiscalização, acompanhamento de como os representantes estão exercendo sua função. Entretanto, um levantamento feito em 2014 mostrou que 44% das pessoas sequer se lembra de quem recebeu seu voto para deputado federal, com resultados semelhantes para deputado estadual e senador.

Se queremos verdadeiramente construir um país mais justo e próspero, temos o dever de participar ativamente da vida política do país. Participar de protestos é importante quando o tema é relevante e movimenta um grande número de pessoas. Mas há outras coisas que se pode fazer:

  • Lembrar de quem recebeu nosso voto
  • Acompanhar a atividade dessa pessoa
  • Cobrar atitudes com relação a temas que nos interessem
  • Cobrar as promessas de campanha

Tudo isso é direito nosso, e se queremos construir um país que seja mais justo e próspero no futuro é necessário considerar como fazer isso; sair gritando na rua não vai mudar efetivamente nada. A democracia representativa, por outro lado, significa que temos um representante com poder de voto nas decisões importantes para o país. Um representante não é uma pessoa a quem delegamos o poder e deixamos agir como bem entender; ele deve ser guiado por diretrizes que vêm de seus eleitores. Ao votar em um candidato específico para deputado federal, antes de simplesmente reclamar do que acontece em Brasília, talvez seja hora de parar e pensar em quando foi a última vez que entrou em contato com essa pessoa – se lembrar o nome.

Se eu acho que Temer, Cunha e etc vão “salvar a pátria”? Não, não vão. Mas, assim como Dilma, eles foram eleitos. Se queríamos outra representação, então deveríamos ter escolhido outros representantes.

A Ciência brasileira à beira do abismo

A ciência brasileira e a falta de recursos

A ciência brasileira nunca recebeu muitos investimentos. De fato, é corrente a história de que profissionais brasileiros são altamente valorizados no exterior devido à sua capacidade de improvisar, propondo soluções simples e criativas para os problemas que enfrentam. Entretanto, a falta de investimento sempre ameaçou a ciência brasileira, pois até mesmo a criatividade tem alcance limitado quando não há nem mesmo o que consertar. Por mais produtiva que seja, ela só pode contribuir com o conhecimento se estiver equipada para tanto. Equipamentos antiquados, espaços e verbas limitados e falta de pessoal assombram a pesquisa no país.

Para onde vai a ciência brasileira? A julgar pelas notícias recentes, o prognóstico é péssimo. Estamos à beira do abismo: universidades não têm dinheiro nem para pagar a conta da luz, cada vez mais verbas são cortadas (“contingenciadas”) e o já pequeno investimento brasileiro em pesquisa e desenvolvimento vai encolhendo cada vez mais. É como tentar abastecer São Paulo com a água do lago do Parque do Ibirapuera.

Desde a última eleição temos visto uma cadeia de péssimas notícias que não parece ter fim, e em vez de tentar remediar a situação a classe política brasileira tem preferido discutir o sexo dos anjos em vez de procurar soluções para os problemas do país, que é sua verdadeira responsabilidade.

Enquanto isso, setores fundamentais para o desenvolvimento do país são negligenciados, sendo utilizados como moeda de troca, de maneira temerária e irresponsável.

Fisiologismo

O fato de o governo tratar cargos e ministérios como commodities, que podem ser negociadas e trocadas com os partidos da “base aliada” em troca de favores nesta ou naquela votação. Nesse chamado “presidencialismo de coalizão” o Palácio do Planalto foi transformado num balcão de negócios onde a competência técnica em nada influencia a nomeação de um ministro, de um secretário ou de qualquer outro cargo que tem influência direta sobre os rumos de todos os setores do governo. Ministérios importantíssimos, como Saúde, Educação e Ciência & Tecnologia. Não é à toa que a situação do país está tão crítica: esses ministérios (e seus orçamentos) raramente têm ficado nas mãos de alguém com competência para tratar desses assuntos, sendo em vez disso entregues a este ou aquele afilhado político. O resultado é uma pessoa sem nenhum conhecimento tomando decisões de caráter técnico sem nenhum preparo.

Economia em frangalhos

A política econômica estúpida e desastrosa dos últimos anos foi o que ocasionou a atual crise. A “herança maldita” continha entre outras coisas uma economia combalida, porém estabilizada, inflação sob controle e dinheiro em caixa. Aproveitando a grande demanda chinesa por produtos que produzimos em grande quantidade, “surfamos” na onda, ganhando de presente índices econômicos espetaculares. Em vez de capitalizar isso, pensando que a maré alta não duraria para sempre, não guardamos nada, aumentamos irresponsavelmente o gasto público e geramos um gasto que não poderíamos manter indefinidamente. Quando a onda acabou, naturalmente, levamos um tombo. E aí veio o crime: em vez de admitir a falha e trabalhar para corrigir o problema, o governo escondeu a situação, segurou até onde podia os dados negativos, para assim garantir um bom resultado na eleição. O resultado não poderia ser diferente: um problema que já era grave se transformou em uma crise generalizada, não apenas econômica, mas também de confiança. Poucas pessoas hoje em dia acham que a crise será superada logo

Cultura colonial e o investimento em pesquisa

O pior de tudo: a cultura brasileira não valoriza a pesquisa e o desenvolvimento científico. Somos imediatistas e ignorantes, e não enxergamos a necessidade de P&D. Sempre na vanguarda do retrocesso, ainda encaramos a economia como se estivéssemos no auge da Primeira Revolução Industrial, e nossa mentalidade colonial nos faz acreditar que teremos sucesso dependendo exclusivamente da exportação de matéria-prima. Isso acabou faz tempo. Os países mais bem-sucedidos do mundo não são apenas industrializados, mas são aqueles que investem pesadamente em pesquisa e desenvolvimento. Veja o gráfico abaixo, retirado desta matéria do blog The Conversation:

Ciência brasileira vs outros países
Investimento em ciência nos países do G20

O gráfico acima é bem ilustrativo. A largura das barras representa o produto interno bruto (PIB) de cada país, a cor azul representa o investimento do governo, a cor vermelha o investmento privado e o cinza representa outras fontes de financiamento. Em média, os países do G20 (os 20 países com maior PIB do mundo) investem 2% de seu PIB em Ciência e Tecnologia. Dois países se destacam:

  • a Coréia do Sul está disparada na ponta, investindo 3,7% de seu PIB. Neste caso, é bom notar que o PIB coreano é pequeno, ou seja, mesmo investindo uma parcela maior, o volume total não é tão grande.
  • os Estados Unidos são o grande gigante, investindo uma fatia enorme (comparativamente) do seu igualmente enorme PIB. Em termos absolutos isso representa uma quantidade imensa de dinheiro; não é à toa que eles são a grande potência em termos de pesquisa científica hoje em dia.

Nesses países o investimento consistente em pesquisa e desenvolvimento ao longo das últimas décadas tem garantido a renovação de suas indústrias e economias.

E o Brasil?

A ciência brasileira recebe investimentos de pouco mais de 1% do PIB. Quase a metade da média do G20. E nosso PIB não é tão grande assim. De fato, se pensarmos em proporções, o PIB brasileiro é um pouco menos que o dobro do coreano. Ainda assim, eles investem um percentual do PIB 2,5 vezes maior do que nós. Isso significa que a Coréia do Sul, um país com 50 milhões de habitantes (1/4 da população brasileira), investe em ciência e tecnologia mais de seis vezes o investimento brasileiro.

Esses dados, aliás, são de 2013. Antes de a bolha brasileira estourar, quando os investimentos brasileiros nessa área estavam em alta.

Atualmente sempre que há notícias a respeito das agências de financiamento do governo quase sempre trata-se de cortes. Bolsas, custeios, repasse para as universidades… a “pátria educadora” não tem  o menor pudor em cortar justamente aquilo a que alega dar a maior importância. Ainda ontem a Capes anunciou (mais) um corte monstruoso nas bolsas de pós-graduação do país.

Normalmente, ao ver o logo “pátria educadora”, um observador amador poderia supor que isso significaria que, mesmo em tempos de crise, o investimento em educação seria protegido. Mas, como já diz o ditado, o Brasil não é para amadores.

Despolarização

O grande mal que tem acometido o Brasil não é novo. É bem antigo, e sinceramente não sei até quando ele influenciará de maneira tão triste nosso cenário. Não, não é o PT. É a polarização política. Tudo se transforma em “briga de torcida”, em absolutismo, em rivalidade absoluta. Não se admite que alguém seja neutro.

Isso não é novidade. Desde pelo menos a época da independência isso ocorre de maneira cruel. Na época que antecedeu o grito do ipiranga as tensões entre brasileiros e portugueses eram tão grandes que qualquer coisa (mesmo) podia causar uma comoção geral, revolta e violência por todas as partes. Brasileiros e portugueses se perseguiam mutuamente, envolvendo-se em brigas, espancamentos e tiroteios corriqueiramente, como se esses eventos nada fossem.

Hoje em dia assistimos ao mesmo. Todos “em nome do Brasil” atiram acusações de um lado para outro, num maniqueísmo virulento e nocivo. Quem é a favor do impeachment é “coxinha”, e quem é contra é “petralha”. Não existe outra denominação ou classificação. De ambos os lados não existe negociação, e lida-se exclusivamente em valores absolutos.

Essa polarização – que ganhou força nos governos do PT, que fizeram questão em reforçar o conceito de “luta de classes” – prejudica qualquer curso de ação que seja benéfico ao país. Estão todos tão entusiasmados com a “briga de torcida” que não enxergam que somente através da união em torno de um objetivo comum será possível vencer a crise e construir um país mais justo.

Mais ainda, quem ousa apontar as qualidades do lado adversário é prontamente repreendido, como se tivesse a obrigação de concordar com tudo sem questionar, como se apontar qualidades no adversário – ou vícios próprios – fosse algo prejudicial. É como culpar o médico que faz o exame por causar a doença. Quem aponta os erros de um lado é imediatamente marcado como pertencendo “ao outro time”.

Que lógica torta é esse segundo a qual se uma pessoa reclama da corrupção no governo do PT é necessariamente conivente com os crimes cometidos pelo PSDB? A falta de investigação sobre um anula a necessidade de investigar o outro?

Minha opinião pessoal é de que é necessário investigar qualquer indício de corrupção – seja ele do PT, do PSDB ou do português da esquina – até que os responsáveis sejam encontrados e julgados. Sou a favor do impeachment, não porque quero o “meu” político na presidência, mas porque os fatos o justificam.

Diga-se de passagem, aliás, que o impeachment é um instrumento constitucional e, portanto, democrático. Utilizar esse mecanismo para demitir uma presidente que não tem exercido sua função por inépcia e que tentou mascarar seu fracasso com manobras fiscais não é golpe. E, por isso, de fato não vai ter golpe.

Por último, gostaria de deixar aqui as palavras de Obi-Wan Kenobi:

Somente o Lado Negro negocia com absolutos.

Gritar é fácil, mas…

As grandes cidades do Brasil estão passando por um momento difícil. Ainda não vou glorificá-lo como “histórico”, como os mais afoitos já fazem, porque ainda não acho que seja justificável o rótulo. Mas basta dizer que quem não viu esse momento chegando lá em 30 de Outubro de 2007 esteve meio cego nesses últimos tempos.

O que eu acho mais irônico disso tudo é que eu não duvido nada que muitos dos que agora estão “levando bala de borracha” comemoraram loucamente a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo. E, agora, convenientemente, mudaram de lado.

Pessoalmente eu sempre soube, desde o momento em que ficou claro que 2014 seria aqui, que isso era inevitável, e nunca escondi isso. Algumas pessoas me acusaram de ser “do contra”, de torcer pelo pior, mas paciência. “Vocês vão ver quando estivermos perto da Copa”, eu falei.

E estamos vendo, de fato; e o prisma tem muitos lados.

O Brasil é uma panela de pressão disfarçada de banho-maria. Por trás do aspecto jovial, amigável e tolerante sempre houve um conjunto de tensões internas muito violentas, basta olhar para a história do país.

A escravidão ainda é um espinho na garganta que não desapareceu, apesar da abolição 125 anos atrás. Sobrevive até hoje o racismo que supõe que quem não é caucasiano é inferior, mascarado por políticas paliativas e imediatistas que não atacam a raiz do problema.

A atitude padrão do brasileiro ainda é a mesma daqueles que atravessaram o Atlântico 500 anos atrás: explorar, tirar vantagem, enriquecer, sempre colocando o bem próprio acima do coletivo. Todo mundo ainda tem um pouco desse ranço. Por mais que os protestos estejam barulhentos, basta abrir olhos e ouvidos para o que acontece ao redor: ainda se valoriza o emprego concursado, o jeitinho, a vantagem. Ainda se despreza o trabalho duro, o estudo, a dedicação e, acima de tudo, a honestidade.

O que é realmente triste é que o que tem acontecido nos últimos dias é traumático, e pode não dar em nada.

É óbvio que não se trata de “apenas 20 centavos”. Não precisa ofender a minha inteligência dizendo isso. Até os protestos na Turquia começaram por causa de um shopping center. Mas não é esse o ponto. Os 20 centavos foram uma espécie de estopim para a onda de protestos “vazar” do Facebook para a rua, refletindo a vontade das pessoas se sentir que estão fazendo algo de concreto “pelo bem da pátria”. Mas só se ouve “se a tarifa não baixar a cidade vai parar” vindo dos manifestantes. Onde está o grito por uma justiça mais ágil? Onde está o grito pelo fim da carga tributária abusiva? Onde está o grito pelo controle da corrupção? Esses eu não ouvi; só vi mencionarem isso ex postfacto.

Por mais que digam que os manifestantes estão ali pacificamente, ninguém pode negar que sempre existem aqueles que se aproveitam da multidão para incentivar ou praticar aqueles impulsos mais obscuros de quebrar, pichar e vandalizar, escondendo-se atrás do “vândalo genérico” e escapando da punição. Ou vão dizer que os símbolos de anarquia ou a vandalização de monumentos é algo de natureza pacífica?

Mais ainda: não sei se faz realmente muita diferença quem começou as agressões, pelo menos no caso de ontem. A esta altura do campeonato (no pun intended), os ânimos estão exaltados de ambos os lados, com elementos individuais sentindo o desejo instintivo e natural de retribuir acusações (injustas ou não) com violência, num impulso quase animal de provar que está certo pela força. Numa situação dessas, manifestantes podem ir às ruas já esperando (ou até mesmo planejando) se ferir, e policiais vão às ruas já se sentindo acuados, sendo hostilizados, acusados de ignorantes e de coisa pior. Na saraivada de ofensas, quem está certo? De que adianta ofender e só depois oferecer flores? E de que adianta bater primeiro e perguntar depois, assumindo o papel de truculento?

No frigir dos ovos, enquanto os protestos não acertarem sua mira e procurarem atingir a raiz do problema, prefeitos, governadores e presidentes (juntamente com os demais agregados) estarão a salvo, pois estarão fora de foco e ainda poderão se esquivar. Gritar é fácil, mas para efetivamente provocar mudanças positivas será necessário um esforço muito mais eficiente. É necessário mais que gritar, é necessário procurar enxergar a situação além dos pontos de vista e dos preconceitos. Enquanto as pessoas ficarem só no estardalhaço, reelegendo os mesmos representantes, qualquer esforço será infrutífero. Em outras palavras, mantido o contexto, nada muda. No máximo, o ônibus volta aos ainda caros (e injustos) R$ 3,00, e a multidão se dispersará.

(In)Consciência Negra

Hoje, dia 20 de novembro, é dia da Consciência Negra, dia que será oficial em todovo país depois que a Dilma sancionou lei sexta passada. Pra mim, esse dia poderia muito bem se chamar “Dia Nacional do Racismo”.

 Quero deixar uma coisa clara logo agora: não, não sou racista. E, se fosse, diria logo na cara, quem me conhece sabe disso. Acontece o seguinte: como já disse o Morgan Freeman, o melhor (único) jeito de deixar o racismo para trás é não falar dele.

Não dá para dizer que não existe racismo se as pessoas precisam de um dia pra pensar sobre a “consciência negra”. Isso não acontece por decreto. Isso só tem chance de acontecer através da educação. E não é só através da educação formal, que a gente consegue na escola, mas também daquele tipo educação que anda tão raro hoje em dia, aquela que a gente traz de casa. Os pais largam a educação dos filhos na mão dos outros e o resultado são moleques mimados, mal educados e “politicamente corretos”, com um discurso ensaiado de igualdade mas com uma mente corrupta. Educar não é fácil, mas é necessário. Mais ainda, não existe caminho absoluto no que se refere a isso, cada criança aprende de um jeito. Conheço pessoas que apanhavam por qualquer coisa que viraram ótimas pessoas e conheço outras que foram criadas de maneira “pedagogicamente correta” e são verdadeiramente insuportáveis.

Muito se fala que “somos todos iguais”, mas escolhem um dia para separar uma “raça” e colocá-la acima das outras. Como se raça existisse! Muito fácil só dizer que raça existe quando favorece este ou aquele setor.

Esta, aliás, é a mesma discussão do “dia da mulher”. É estúpido! A igualdade só será alcançada se as diferenças pararem de ser levadas em conta. E isso só vai acontecer quando as pessoas deixarem de dar importância a elas!

É realmente triste que negros tenham sido discriminados através da história. E os judeus, cristãos, árabes, ciganos, homossexuais, velhos, inteligentes, céticos e tantos outros? Tantas pessoas foram perseguidas por tantos motivos, então por quê em só um desses casos se procura tanto compensar isso? O passado é passado, e não vai ser mudado pelo que fazemos no presente. Mas o que fazemos agora vai afetar o futuro, e é isso que é necessário ter em mente. Um dia no qual um certo “tipo” de pessoa é elevado acima das outras é plantar as sementes para mais desigualdade. Criar condições desiguais agora não vai eliminar as desigualdades do passado, mas pode muito bem criar desigualdades no futuro.