The Martian

“The Martian”, de Andy Weir, foi minha primeira experiência real de leitura no Kindle. Mas vou deixar pra registrar minhas impressões sobre o leitor mais tarde, depois de mais alguns livros e de mais um tempo de experiência com ele.

Por enquanto, vou me ater ao livro mesmo.

Como todo nerd que se preza, sou fascinado pela exploração espacial. Desde moleque um dos meu sonhos era trabalhar na NASA. Então não é nenhuma surpresa que o filme tenha me atraído tanto.

Como sempre, no entanto, o livro é muito melhor. A história é ainda mais realista, assim como os problemas e as soluções que se apresentam. O autor é um entusiasta sobre Marte, e nas suas próprias palavras, ele “passou a vida inteira se preparando para escrever esse livro”. E ele fez um excelente trabalho. A história é sensacional, e a única coisa que incomoda um pouco é um sujeito que é, ao mesmo tempo, Engenheiro Mecânico e Botânico – não apenas isso, mas ele tem um domínio excelente das duas coisas. E, naturalmente, é uma coincidência espetacular que justamente ele tenha sido deixado para trás no planeta vermelho.

Fora isso, no entanto, a história é cativante. Prende de um jeito que poucos livros conseguem, e não dá para parar de ler. Weir é muito competente ao passar a impressão de que se trata de fato de uma operação da NASA. Algumas coisas precisam de um pouco de suspensão da descrença, mas isso favorece o livro então tudo bem.

O que achei, de fato, mais interessante no livro, e de longe foi o aspecto mais divertido, foi o senso de humor de Mark Watney. Ele é espontâneo, descontraído, ácido e sarcástico – absolutamente delicioso. Ri muito com ele. E é mais interessante notar que, em se tratando de um livro que retrata uma situação extremamente dramática, a gama de emoções oferecida ao leitor é enorme, indo do riso descontrolado ao drama do resgate, sem aqueles momentos mais bregas (embora muito legais) do final do filme.

Update: esqueci de mencionar que a nerdice do autor é tão enraizada que ele faz questão de fazer as contas em vez de escondê-las. E isso é uma coisa muito foda.

Caminhos

O final do semestre passado marcou o final de uma época confusa, três anos e meio atuando como professor.

Como em quase tudo na vida, houve coisas boas e coisas ruins nessa atividade; mas a verdade é que eu não estava feliz com aquilo. Estava precisando de uma mudança radical, e de certa forma é uma boa coisa que eu tenha recebido essa oportunidade de quebrar a inércia e partir em busca de algo que realmente me satisfaça.

Não que seja uma situação confortável. É uma merda, estou desempregado e é uma sensação terrível não saber até quando ficarei assim. Mas, ao mesmo tempo, não poderia haver momento melhor de rever alguns conceitos, incluindo o que eu espero da minha carreira.

No Brasil existe uma dicotomia prejudicial no que se refere à formação superior: existem dois caminhos possíveis, e mutualmente exclusivos. Se você decide ficar na Academia, então esqueça o mundo corporativo: ele não é para você, e se você se envolver vai se tornar “material contaminado”. Bancas em geral vão te menosprezar por ter “se vendido” e por ser “impuro”. Afinal, no Brasil o caminho da graduação ao concurso é suave, com mestrado, doutorado, pós-doutoramento… tudo isso é bastante fácil de conseguir e não existe problema com financiamento ou incentivos à carreira acadêmica…

…só que não.

Para quem está no mundo acadêmico existe uma impressão muito forte de que a única opção é obter o PhD e entrar no ciclo de pós-docs até conseguir passar num concurso e virar docente. Como se não houvesse qualquer outra alternativa imaginável para quem decide obter graus de formação avançados.

Depois de alguma conversa com quem saiu dessa ciranda, tenho a impressão de que isso só acontece nestas paragens retrógradas e engessadas da “Pátria Educadora”. Lá fora mercado e academia se conversam muito bem, e de fato é essa união que funciona como grande motor para a inovação e o progresso científico. Não somente em termos de oportunidades para quem está finalizando sua formação, como também em termos de novas idéias, perguntas que precisam ser respondidas e – principalmente – financiamento.

Não sei se esse caminho é o que eu vou trilhar daqui para a frente. Felizmente existem alguns caminhos que posso procurar seguir, e ao contrário do que eu imaginava existe até a possibilidade de escolha. Talvez o único obstáculo na minha frente seja eu mesmo.

Adeus Draenor.

Hoje é dia de patch. Finalmente, depois de mais de um ano sem grande coisa, um patch de conteúdo (de verdade) está entrando no World of Warcraft.

A expansão é Legion, e traz de volta a Burning Legion; o grande inimigo do universo Warcraft. Ela primete bastante, com várias melhorias na interface de usuário, uma história muito interessante, upgrades no visual do jogo, uma nova classe, enfim, uma cacetada de coisas.

O que eu não gostei foi do processo de desenvolvimento; é até compreensível que os desenvolvedores do jogo decidam tomar o rumo que bem entenderem, afinal é o jogo deles e eles têm esse direito. Os usuários têm que se acostumar, se adaptar ou trocar de jogo. O problema é a fachada de boa-vontade que eles mostram, sem ter atitudes condizentes. Dizem que querem a opinião dos jogadores, mas aparentemente tudo que fazem com ela é ignorar tudo.

Se vão ignorar, então pra quê ficar fazendo alarde? Pra quê ficar pedindo feedback o tempo todo, se vão ignorá-lo? Simplesmente para usar a paixão das pessoas que amam o jogo para fazer o serviço de um time de testes. O único feedback que lhes interessa é limpar os bugs. Mas os bugs não foram o principal problema, mas sim a jogabilidade, a diversão do jogo.

Para pelo menos uma classe, os hunters, eles disseram “fodam-se”. Assim que a classe foi liberada no alfa, e durante o beta, os fóruns ficaram tomados de comentários, tanto de pessoas que estavam envolvidas nessas fases quanto de gente que prestou atenção nas notícias que apareciam. As mudanças à classe foram criticadas de forma unânime; ninguém gostou delas. Foram muitas, algumas exageradas e outras simplesmente descabidas. A impressão que dá é que destruíram a classe mais popular do jogo. E qual foi a resposta deles a todo o feedback negativo que receberam? Nenhuma.

Nem uma única linha, nem uma única palavra de resposta. Todo aquele feedback, todos aqueles comentários, todo aquele tempo gasto nos fóruns não serviu de nada. Foi tudo sumariamente ignorado, apesar do avisozinho escroto que dizia “estamos ouvindo!” e pedia por feedback.

Sinceramente, estou meio revoltado com a Blizzard. Faz tempo que, apesar do serviço ao cliente deles ser excelente, eles não dão a menor pataca para quem ama seus jogos há tanto tempo.

Espero estar errado, pelo menos em parte, e que a classe esteja ainda divertida. Eu duvido, mas milagres podem acontecer. E, sinceramente, espero que este seja o caso. Se eu perder minha classe preferida, não sei se terei interesse em continuar jogando. Não falo isso pela Blizzard, que apesar de ter perdido uma verdadeira legião de jogadores ainda tem milhões de regulares no WoW. Eles não vão ligar se um único jogador casual sair. Mas fodam-se eles; só não quero me investir mais nesse jogo para não ter mais a ótima experiência que tive nos últimos anos de jogo.

Eu poderia seguir aqui falando de tudo que eles têm feito de errado com WoW, mas sinceramente é muita coisa, eu não saberia entar em detalhes sobre tudo e estou sem saco. Antigamente, eu faria isso, e gastaria umas horas escrevendo este post. No momento, tenho mais o que fazer. Só pretendo entrar no WoW semana que vem, quando voltar de viagem.

Se meu eu do passado por acaso vir este post, sim, este é o ponto a que chegamos. Não, ainda não achei um substituto, e por enquanto ainda estou tentando insistir no WoW, enquanto me engano com Minecraft e joguinhos de facebook.

Adeus Tite

O Tite aceitou a proposta da CBF e vai ser técnico da selecinha brasileira. O comentário do Juca Kfouri, na matéria do link, é lindo. Transmite bem o meu sentimento com relação ao que essa decisão do Tite representa.

Acho a seleção brasileira escrota, um sintoma do câncer conhecido como CBF, que transformou o futebol brasileiro no lixo que presenciamos hoje em dia. Jogadores despreparados, times que contam apenas com o talento individual, torcidas descontroladas, violência generalizada nos estádios (e fora deles). Tudo isso porque a CBF não administra o futebol; o utiliza para seu próprio ganho.

Graças a ela, o Brasil deixou de ser o “país do futebol” há muito tempo. Não temos “grandes times”. Os times que ocasionalmente se mostram fortes e ganham campeonados são prontamente desmontados, já que vender jogadores dá muito dinheiro. Não somos mais o país do futebol; somos apenas fornecedores de mão de obra.

Mão de obra, alliás, desqualificada. Os jogadores brasileiros não têm disciplina, preparo físico nem fundamentação teórica. Muitos largam a escola assim que conseguem a primeira oportunidade em um time. Quando chegam a outros times, têm que passar por uma adaptação na qual devem adquirir essas bases para poder jogar.

Enquanto isso, o calendário do futebol brasileiro continua sendo essa coisa grotesca e estafante, repleta de compromissos nos quatro cantos do país, que gera despesas enormes e cansaço e desgaste físico para jogadores e comissões técnicas.

A seleção brasileira não representa o futebol brasileiro, porque é composta primariamente de jogadores que atuam no exterior. Como se isso não bastasse, há a ingerência da CBF, que interfere no trabalho do treinador. Esse, aliás, sofre com o calendário mais que ninguém, já que os períodos de treino são pequenos o suficiente para serem irrelevantes, e a frouxidão da CBF permite que os clubes impeçam que jogadores sejam convocados.

Caso emblemático é o de agora: a menos de dois meses da Olimpiada troca-se o técnico, como se a simples substituição fosse uma fórmula mágica que, “do dia para a noite”, fosse resolver todos os problemas da “equipe”. Como se, nos próximos 50 dias, Tite fosse ter tempo suficiente para montar um time (que, aliás, deveria ter sido anunciado ontem segundo o cronograma do torneio), fazê-lo se entrosar e criar táticas de jogo para enfrentar os adversários que terá pela frente.

Quanto ao Tite, é uma decepção total ele ter aceitado o convite. Algumas pessoas postaram no facebook “obrigado Tite”. Eu não. Não devo nenhum agradecimento a ele. Seu trabalho no Corinthians foi exemplar, assim como a atitude do clube e, mantê-lo mesmo quando a situação não era boa, principalmente da última vez que ele foi técnico e, por ter tido a oportunidade de manter a continuidade de seu trabalho, acabou “ganhando tudo” (Brasileiro, Libertadores e Mundial).

Tite que até pouco tempo atrás criticava a CBF, “se rendeu”. Perdeu a oportunidade de dar um tapa na cara (muito merecido) da CBF e de Marco Polo del Nero. Perdeu um gol feito, e parte do respeito que tenho por ele.

Bagunça na USP

A USP está passando por aquela época do ano em que os revolucionários de plantão resolvem sair das suas tocas e atrapalhar a vida dos outros.

Estamos passando por uma crise grave no país inteiro. A USP não é diferente, ainda mais considerando a gestão inconsequente e irresponsável a que ela vem sendo submetida nos últimos anos.

Por isso, são justificadas e compreensíveis as reivindicações que os movimentos em atividade na USP reivindicam. Pessoalmente eu sou a favor de muitas delas, especialmente considerando que as universidades estaduais paulistas foram instigadas a se expandirem sem que houvesse aumento do repasse do governo do estado para elas. A saber, o percentual do ICMS continua sendo o mesmo. Não é à toa que o comprometimento só com a folha de pagamento passa dos 100% (pelo menos na USP). Para se expandir, é necessário contratar funcionários e professores, adquirir terrenos, construir prédios, instalar toda a infra-estrutura… por algum motivo o governador parece acreditar que as estaduais dispõem desse tipo de dinheiro, e se preocupou somente em colher os “louros” de ter expandido as universidades paulistas.

Quem, em sã consciência, expandiria qualquer operação sem uma fonte adicional de verba?

É bom lembrar também que a USP passou por um plano de demissão voluntária que diminuiu o número de funcionários da universidade, o que deixou vários laboratórios numa situação difícil, pois o número de funcionários já não dá conta da demanda… alguns laboratórios ainda conseguem “compartilhar” técnicos, mas mesmo assim a situação é difícil. Outro problema é que vários dos que foram embora levaram consigo a sua experiência, e não há quem os substitua na função que exerciam por simples falta de treinamento.

Isto posto, é absurda a demanda de 13% de aumento. Sabendo que a universidade está em sérias dificuldades, os proponentes desse reajuste querem, a julgar por esse número, piorar ainda mais a situação.

Mais ainda, e aparentemente é isso que se mostram completamente incapazes de compreender, as suas “táticas” de manifestação alienam e afastam a maioria das pessoas que lhes daria suporte. Ao bloquear as entradas da Universidade, promover “cadeiraços” e criar transtornos através de piquetes, não chegam nem perto de afetar aqueles que têm algum poder de decisão sobre os assuntos que estão na pauta; pelo contrário, prejudicam aqueles que fazem da USP a melhor universidade do país, impactando o desempenho acadêmico e profissional de milhares de pessoas. Não gosto nem de imaginar quantas teses de doutorado isso custará.

Por último, mas não menos importante, é a atitude ridícula e ignorante dos alunos. Através de uma “assembléia” nada representativa, alegando que essa é uma forma “soberana” de manifestação dos estudantes, justificam qualquer absurdo que lhes venha à mente (usando táticas dignas do Congresso Nacional), sem pensar em quaisquer consequências. A mera definição de “greve de estudantes” é, por si só, absurda. Uma greve existe como um direito do trabalhador, uma maneira de ele se manifestar, criando um prejuízo a seu “patrão”, como forma de forçá-lo a negociar. Existe uma relação clara entre quem se manifesta através da greve e quem é prejudicado por ela. No caso da “greve” que os alunos alegam estar manifestando, essa relação não existe. O principal prejudicado é o próprio aluno, não somente porque o professor pode ignorar a greve (com as conseqüências que isso acarreta, como marcação de faltas e provas perdidas), mas principalmente porque o aluno, ao deixar de freqüentar a aula, deixa de ter a oportunidade de adquirir conhecimentos que lhe serão úteis em fases posteriores do curso e em sua vida profissional. Em outras palavras, o aluno prejudica a si mesmo, numa atitude infantil e mimada, esperando que os outros atendam às suas demandas. O pior aspecto disso é que, como se isso não bastasse, ele ainda crê ter o direito de forçar a sua opinião sobre as outras pessoas, agindo de forma unilateral, truculenta e completamente intolerante para que todos ajam de acordo com o que ele pensa. Quem não concorda e tenta exercer seu direito é hostilizado, ameaçado e atormentado à exaustão. A parte irônica disso tudo é que essas são justamente as pessoas que concordam com as reivindicações, mas são afastadas da manifestação por causa dessas atitudes.

Apenas depois que o estrago já está feito, quando vem a resposta em forma de provas aplicadas, faltas marcadas e outras atitudes por parte da instituição, o manifestante alega estar sendo perseguido, grita que está sendo oprimido e clama por diálogo. É a criança birrenta que prende a respiração porque os pais não querem lhe dar o que quer, e só depois da birra tenta argumentar. Só que, depois da birra, o estrago já está feito.

 

Ciência, Tecnologia e Comunicações

No final das contas, o tal ex-pastor da Universal não ficará com o MCT (MCTC, agora). Esse ministério vai para Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro de Dilma (achei… “interessante” mencionar isso aqui).

A primeira coisa que fui procurar foi o currículo Lattes dele, que não existe. Mau sinal.

Eu esperaria, do responsável pela Ciência e pela Tecnologia do país, alguém que tivesse, pelo menos, criado o próprio currículo Lattes. Isso indicaria algum nível de intimidade com os campos da pesquisa científica e tecnológica, e uma óbvia conexão com iniciativas de inovação.

Apesar disso, ele é formado em Engenharia Civil e Economia, ambos cursos pela Universidade de São Paulo. Já é um começo, e indica que pelo menos ele passou pelo mundo acadêmico.

Também é interessante que ele tem experiência na área: foi presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia.

Kassab foi prefeito de São Paulo, e adotou algumas medidas que foram interessantes, como a Lei Cidade Limpa, por exemplo, que diminuiu a quantidade de propaganda nas áreas abertas da cidade (embora isso não tenha sido acompanhado por uma melhora no visual dos prédios da cidade em geral, o que teria sido ideal). Na mesma linha, regulamentou a lei do enterramento da rede elétrica, o que certamente ajudaria o visual da cidade e melhoraria a qualidade e a disponibilidade da energia fornecida.

Na gestão dele a prefeitura de São Paulo também foi o primeiro órgão público a realizar um leilão de créditos de carbono e criou uma usina de energia que utiliza o gás emanando de um aterro sanitário na Zona Leste.

São ações interessantes e importantes, mesmo que nem todas tenham tido o efeito desejado (o enterramento da rede elétrica atualmente está parado, por exemplo). Para alguém que ficou seis anos à frente da prefeitura, eu esperaria mais iniciativas. Ou, pelo menos, melhores resultados.

A gestão dele na prefeitura também teve sua dose de polêmica, como a chamada “Operação Sufoco”, que em hipótese deveria melhorar a “cracolândia”, mas em vez disso acabou apenas espalhando os usuários pela cidade. Ou a famigerada taxa de inspeção veicular, juntamente à contratação irregular da empresa responsável por essa inspeção.

Junto com José Serra, acabou com o orçamento participativo, que era uma boa iniciativa do governo municipal anterior (olá, política partidária…). Também houveram problemas com relação à merenda escolar.

Finalmente, Kassab deixou a prefeitura paulistana com pequeno superávit orçamentário, o que considero ideal, ou seja, utilizou o orçamento, sem deixar sobras, o que hipoteticamente significa que os recursos que foram destinados às diversas áreas da prefeitura foram efetivamente utilizados – muito embora o fato de terem sido bem utilizados é questão para outra discussão.

Do lado político, vamos lembrar, há menos de dois meses Kassab era ministro de Dilma. Agora, será ministro de Temer. Só isso, acredito, já diz muito.

No geral, poderíamos estar pior. Um líder religioso, a princípio, não tem muito lugar no MCTC; por outro lado, uma indicação mais técnica teria sido melhor. Do ponto de vista do equilíbrio entre as duas coisas (que atualmente são, infelizmente, inconciliáveis no Brasil), estamos mal, mas podíamos estar pior.

A fusão da Ciência e Tecnologia com as Comunicações não faz nenhum sentido, a não ser a pura e simples necessidade de diminuir o número de ministério a qualquer custo. No final das contas, esse pode ser o grande empecilho às funções do ministro, que terá que dividir suas atenções entre áreas muito diferentes – pra não mencionar os problemas de orçamento.

Desejo boa sorte ao novo ministro – assim como todos os outros, ele vai precisar.

 

Lições de Vida

Preciso confessar uma coisa: muito, muito tempo atrás, eu era terrível em matemática. Tinha dificuldade e não conseguia estudar direito. Claro, isso foi há quase trinta anos atrás. Mas, ainda assim, houve uma época na minha vida em que eu não ia bem em matemática.

Naquela época eu estudava no Misericórdia, um colégio de freiras em Osasco. Hoje em dia, pensando sobre aquela época, imagino que a professora tenha procurado meus pais para falar a respeito, ou talvez eles tenham notado alguma coisa. Talvez eu nunca saiba.

O que importa é que, naquela época, uma pessoa arrumou uma lousa e a instalou no quintal. E, com toda a paciência do mundo (ok, nem tanta paciência assim, se me lembro bem…) começou a me ensinar os rudimentos da matemática. Até hoje tenho gravada ma memória o momento em que reaprendi a escrever o número 4. E, sim, essa era uma das minhas dificuldades.

Enfim, essa pessoa me colocou no caminho certo, e não demorou muito para que a matemática se tornasse uma parte integral da minha vida. De aluno medíocre passei a melhor da classe, depois daquela época nunca mais tive dificuldade em matemática – até começar a aprender cálculo, mas isso fica pra outro dia.

Essa pessoa não era qualquer uma – foi minha mãe. Pensando bem, o que ela fez há tanto tempo atrás me colocou num caminho que me trouxe até aqui. Sei lá eu o que eu teria sido se não assumisse esse gosto pelas ciências exatas. Mas tenho consciência de que uma das coisas que fizeram de mim um exatóide foi aquele momento em que percebi que a matemática não era algo místico, nem uma caixa preta, mas sim um conjunto de regras simples que sempre funcionam, e que vão construindo umas sobre as outras uma estrutura consistente que, independentemente do caminho tomado, levam aos mesmos resultados. Esse é um aspecto fundamental da ciência, e certamente me direcionou para isso.

Decidi relembrar aqui esse episódio porque hoje, domingo, é dia das mães. A minha me ensinou tantas coisas fundamentais para a vida que eu não poderia falar sobre todas mesmo que tivesse uma vida toda para isso.

Feliz dia das mães.

Whatsapp, Justiça e Inconseqüência

Apenas um post rápido, sobre dois tópicos.

Whatsapp bloqueado… de novo

Hoje o Whatsapp foi bloqueado novamente por ordem de um juiz do Sergipe. Aparentemente a empresa não colaborou com investigações a respeito de um caso de tráfico de drogas.

Isso mostra que, em pleno século 21, um sujeito que não tem a menor noção de como a Internet funciona acha razoável determinar que um aplicativo que faz uso dela possa ser bloqueado. Como se “a internet” fosse uma entidade, um ser físico ao qual o acesso pudesse de fato ser impedido. Bom, num país onde o presidente da entidade responsável por fiscalizar as empresas de telecomunicação não entende como ela funciona, por quê um juiz entenderia?

Outra coisa é a estupidez da decisão. Em vez de punir a empresa, proibindo por exemplo novas instalações do aplicativo ou aplicando multas progressivas, o sujeito acha viável atrapalhar a vida dos milhões de pessoas que utilizam o aplicativo como ferramenta para inúmeras tarefas do dia a dia: pessoais e profissionais. E, não bastando isso, ainda argumenta dizendo que a decisão é baseada no Marco Civil da Internet.

Como contramedida, o grupo Anonymous derrubou o site do tribunal de justiça de Sergipe, dizendo que garantirá que este fique fora do ar enquanto o serviço do Whatsapp não for restabelecido (pra constar, o site já voltou ao ar).

Como sempre, o Brasil está na vanguarda do retrocesso.

Inconseqüência total

Em novo absurdo que ganhou o apelido de “pacote de bondades” nossa querida presidente anunciou reajustes para o bolsa-família, além da tabela do imposto de renda, e novas contratações do Minha Casa Minha Vida.

Haja vista que essa mesma sujeita vetou esses mesmos reajustes (Bolsa Família e IR) dizendo que não havia espaço no orçamento federal.

Agora, de repente, achou o espaço?

Claro que não. É birra. Independentemente da validade do processo de impeachment (que algumas pessoas contestam), essa decisão é mais uma demonstração de quão obtusa e irresponsável é a atual administração do país.

Ela ainda segue adiante, fazendo ameaças de que a oposição, se assumir, cortará esses reajustes. Óbvio que cortará. Eles são arbitrários e oportunistas, e apesar de serem na verdade muito justificados não há receita para cobri-los. Um governo que já está enterrado até o pescoço em quase 150 bilhões de reais de déficit não tem o direito de gastar mais nenhum centavo.

Ainda na mesma tocada, o ministro da educação, Aloízio Mercadante, inaugurou um prédio semi-construído da Unifesp em Guarulhos, onde ainda havia tinta fresca e tomadas que não funcionavam no momento do evento.

A partir desse tipo de notícia, não sei nem o que pensar a respeito da capacidade intelectual deste governo. Agora, aos 44 min do segundo tempo, falam em enviar projeto ao congresso com emenda para antecipar as eleições presidencias. Agora, quando já jogaram fora toda e qualquer chance de apoio que poderiam ter dentro do congresso, quando já não há mais nenhuma outra saída, quando essa medida depende, entre outras coisas, da renúncia da presidente e do vice, quando ambos falam que não vão renunciar.

É como o moleque que joga online mas é muito ruim no jogo, bota a culpa nos outros, chama os oponentes pra briga e dá ragequit.

Sarcasmo e criatividade

Este post lindo fala sobre sarcasmo e como ele pode influenciar a criatividade.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma certa tendência a ser honesto “demais”. Coloquei aspas no “demais” porque não acho que exista excesso de honestidade. Minha política pessoal é a de que a verdade, por mais dura que seja, é melhor que a mentira ou o eufemismo.

A verdade é útil: não deixa dúvidas sobre a minha opinião sobre o que me perguntam. Tentar maquiar ou desviar o assunto só atrapalha a discussão e não gera nada de novo; muito pelo contrário, pode criar distorções que só vão crescer com o tempo e tornar tudo muito mais difícil.

Isto posto, como a própria descrição deste blog diz, eu sou uma pessoa sarcástica. Me divirto com ele, e boa parte do meu senso de humor se origina nisso. Não porque seja elegante, mas porque, simplesmente, a desconexão entre as palavras e seu real significado é divertida. Gosto de diálogos inteligentes, em que é necessário interpretar o que o interlocutor diz. Tem que usar o cérebro pra conversar.

Talvez por isso muita gente me interprete mal, no entanto. A norma não é essa; mas sim agradar e falar o que a pessoa quer ouvir. Pra mim, isso é ofensivo. Respeito muito mais quem me fala o que pensa na cara (independente de eu gostar ou não) do que quem simplesmente vem falando “manso”.

Parece meio contraditório ao mesmo tempo valorizar a honestidade e incentivar o sarcasmo. Acontece que, como eu disse, é necessário usar a cabeça para conversar. Isto é, a honestidade reside no significado, não nas palavras.

O estudo que linkei lá em cima sugere que quando duas pessoas estão em uma conversa que envolve sarcasmo, e percebem isso, seu pensamento criativo melhora, assim como a capcacidade de raciocínio abstrato.

O mesmo estudo lembra que o sarcasmo pode ser bem perigoso para relações entre pessoas; comigo,  dá no mesmo, pois minhas relações tendem a envolver sempre uma certa dose de ironia (embora nem sempre ela seja direcionada à pessoa com quem estou conversando).

Isto posto, acho que é importante ressaltar que as pessoas precisam ser mais genuínas, não apenas com os outros mas também consigo mesmas. Se eu gosto de ironia e sarcasmo, porque eu esconderia isso? É um traço da minha personalidade, uma marca de quem eu sou. “O Francisco é meio sarcástico”. Eu também sou muitas outras coisas. É péssimo utilizar apenas uma caraceterística da pessoa para defini-la.

Eu tenho consciência de que sou uma pessoa bem difícil de discutir; isso porque eu sou chato, insistente e detalhista, além de muito teimoso (e ligeiramente intransigente às vezes). Mas também tenho capacidade de ouvir os argumentos dos outros (mesmo que não pareça). E, por isso mesmo, respeito quem se mete a discutir comigo sem perder as estribeiras.

Título

Existem diversas coisas sobre as quais eu gostaria de falar aqui. Nos últimos dias tive várias idéias de posts, mas nos momentos errados. Aí, quando não dá tempo de anotar a idéia, e não dá pra encontrar nenhuma maneira de lembrar dela depois, ela vai embora e nunca mais volta.

E aí, o post morre antes mesmo de nascer. É uma pena, pois a única coisa que lembro das últimas idéias de posts que tive é que eram todas muito boas.

Ou pelo menos, eram. Eu só lembro de achar que eram boas na hora que me ocorreram, mas como não dá pra lembrar delas eu não consigo dizer se eram boas mesmo ou se achei boas na hora mas na hora de escrever elas renderiam alguma coisa que prestasse.

E aí, ficamos assim, sem assunto pra discutir aqui.

Mas uma coisa que posso dizer é que eu gostaria muito de fugir um pouco da discussão política. Não sou analista político, e ultimamente ter opinião em qualquer questão dessas é, para muita gente, sinônimo de escolher um lado.

Eu acho isso péssimo. Independente de quem permaneça como presidente, acho que o passo mais fundamental para todos seria procurar entender que outras pessoas têm direito a ter suas próprias opiniões, aceitar que a maioria delas não vai concordar comigo e seguir em frente, procurando encontrar uma maneira de trabalhar coletivamente para que o país siga em frente, em vez de ficar estacionado promovendo um espetáculo triste para o resto do mundo assistir, já que no fim das contas somos nós mesmos que vamos pagar a conta de tudo isso.

Infelizmente (ou não), eu sou apenas uma voz. E, por mais que uma única opinião possa, através de algum mecanismo caótico, causar uma mudança de hábito em um grande número de pessoas, invariavelmente isso só vai acontecer ao longo de um processo longo e nem sempre linear. Ou seja, nenhuma mudança significativa acontece do dia para a noite. Eu gostaria muito que os brasileiros em geral percebessem o tamanho do erro que cometem ao tomar certas atitudes, que deixassem de lado essa mania de “briga de torcida”  e procurassem pensar de maneira mais crítica sobre a maneira que participam da vida do país.

Nossos políticos são o reflexo de nossa sociedade, já falei isso aqui antes. Eles nos representam. No momento em que começarmos a agir de maneira mais consciente, o comportamento deles vai refletir isso. Enquanto mantivermos a noção de que democracia só se faz na urna e no dia da eleição, não importa em quem votemos, nada vai mudar. O voto não é uma carta branca que permite que os políticos façam o que querem; nem é um termo de transferència de responsabilidade. Somos responsáveis por quem elegemos, e temos o direito de exigir que sejamos ouvidos e que nossas necessidades sejam atendidas. Não basta simplesmente votar em alguém porque “parece honesto” e esquecer do assunto; trata-se de um contrato que é estabelecido de forma implícita. O representante eleito pelo povo precisa ouvir aqueles que o elegeram. Os eleitores, por sua vez, não têm o direito de achar que, ao ter votado, podem simplesmente relaxar e tornarem-se agentes passivos do processo político; se nossos representantes devem nos ouvir, então devemos nos manifestar.

É mais que simplesmente votar; é acompanhar o trabalho daqueles que recebem nosso voto. É necessário procurar saber qual é a participação deles dentro das câmaras municipais, das assembléias legislativas, e no congresso nacional.

Se temos empregados, temos que dizer a eles – constantemente – como esperamos que eles realizem seu trabalho. Sem diretrizes, eles agirão por conta própria e segundo seus próprios critérios. E é aí que mora o perigo.

Voltando…

Mas enfim, como eu disse antes, gostaria mesmo é de falar menos de política.

Este blog não é um blog de comentário político. É o lugar onde eu coloco as sandices que surgem na minha cabeça.

Ultimamente tenho andado preso em um modus operandi meio cruel. A vida vai levando a gente e, se não tomamos cuidado, acabamos indo parar em um lugar onde não queremos estar. Quero evitar que isso aconteça.

Uma das maneiras de fazer isso é resgatar o meu nerd interior. Antigamente eu dedicava mais tempo e atenção a coisas mais interessantes, como RPG, jogos, filmes, cultura nerd em geral. Por vários motivos isso acabou ficando em segundo plano. Com os horários cretinos que eu tenho tido, não é nenhuma surpresa.

Mesmo assim, com um pouco de organização, acho que dá pra resgatar um pouco disso. Não posso simplesmente entrar no modo automático e levar um dia depois do outro, porque é assim que a gente morre.