Pós-impeachment

Na segunda-feira o assunto não será outro: o impeachment de Dilma Roussef. Ou, possivelmente, o “não-impeachment”. Qual dos dois, a câmara dos deputados decidirá no domingo.

O que nos resta então?

Se o processo de impeachment não for aceito, teremos um governo extremamente frágil, sem nenhum apoio e nível baixíssimo de governabilidade. Dependerá da capacidade do PT de se reerguer, recompor sua base e criar um “pacto” (ainda que tardio) para tentar remediar a situação.

Se o processo for aceito, o que é mais provável, será mais um passo na queda do “lulo-petismo”. Já sem apoio e retirado do poder, sobrará ao partido as bancadas na câmara e no senado, e a decisão de como lidar com a derrota. Poderão tentar resistir, ainda agarrados à hipótese de “golpe”, ou poderão assumir a derrota e procurar uma saída para a crise.

Estamos, coletivamente, em um momento crítico. Não basta a crise econômica, temos uma crise política e de representabilidade que é resultado de décadas de descaso. Devemos admitir: a maioria de nós nunca ligou muito para política. E, deixados sem supervisão, nossos representantes acabam fazendo o que bem entendem.

Meu ponto é: Dilma não é o fim. Se queremos uma política diferente, precisamos ter uma atitude diferente. A começar por remover os escolhidos para representar nossos interesses na esfera legislativa do governo. Não se engane: se receberam nossos votos, eles nos representam. E, como todo representante que não executa seu papel de maneira satisfatória, podem e devem ser removidos e substituídos. Isso é algo que todos precisamos entender: a soberania do poder cabe ao povo, pois ele é o “patrão”. E, como tal, tem o direito dever de monitorar a ação de seus representantes – seus empregados. Isso significa, como já mencionei aqui antes, que não basta votar neles uma vez a cada quatro anos e esquecer do assunto. É necessário cobrar, exigir, questionar.

Minha sugestão é que, independentemente do resultado do processo de impeachment, Eduardo Cunha seja removido, no mínimo, da presidência da Câmara. Para isso é necessário que seus colegas façam sua parte. E, para isso, eles devem saber o que o povo espera deles.

Isso significa que devemos fazer nossa parte, e procurar nossos representantes cobrando atitudes condizentes com o que esperamos deles. Se não, ficaremos apenas assistindo.