Parabéns Argentina!

Tá, foi mais um período de silêncio. Não é que eu não tivesse nada a dizer, simplesmente estive bem ocupado.

Mentira.

Houve dois feriados prolongados de Maio pra cá. O primeiro foi o bicentenário da Revolução de Maio (mais sobre isso já já). O segundo foi o aniversário da Comisión Nacional de Energía Atómica, a CNEA, onde estou “alocado” desde março. Esse segundo foi inesperado, porque a princípio a segunda-feira era “ponto facultativo”, mas depois acabaram decidindo “emendar” a terça-feira também. Não fiquei muito feliz com isso não, tenho uma pilha de coisas a fazer bem grande e esse feriado atrapalhou um bocado.

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Enfim, de volta ao Bicentenário. Já umas duas semanas antes notei as pessoas começando a pendurar bandeiras azuis e brancas por todo lado. Achei que estava meio cedo pra entrar em clima de Copa, aí lembrei que não estou no Brasil. Era tudo preparação para o aniversário de 200 anos da Revolução de Maio, que é considerada como o estabelecimento do primeiro governo pátrio, em 25 de Maio de 1810. Se fosse pra estabelecer uma analogia, acho que seria com a ida de D. João VI para o Brasil em 1808.

A diferença, entretanto, é que esse aniversário foi muito mais comemorado aqui do que qualquer coisa que tenha acontecido em 2008. Mas, pra ser honesto, não posso ter muita certeza – 2008 foi um ano bem conturbado pra mim e não prestei muita atenção em nada.

Mas enfim: as comemorações aqui foram bem interessantes. A avenina 9 de Julho, por exemplo, esteve tomada de gente nos quatro dias do fim de semana prolongado do 25 de Maio, com vários shows, desfiles, festivais de todo tipo, e até mesmo um campeonato de tango (nada mais justo, em se tratando de Argentina). E eles (os argentinos) se esforçaram bastante pra conseguir que essa comemoração saísse legal. A ponto de os organizadores da festa terem sido mostrados na TV se abraçando em lágrimas no último dia, depois que tudo tinha dado certo. E as pessoas em geral também se esforçaram bastante pra comemorar, por assim dizer. Nesse fim de semana tinha gente na rua até amanhecer todo dia. A 9 de Julho ficou tomada de gente todo dia.

DSC00047 Um dos pontos altos da festa toda foi a reabertura do Teatro Colón. Uma das casas de ópera mais famosas das Américas, foi reaberta numa cerimônia enorme, com apresentação de nada mais nada menos que La Bohème para uma platéia que não incluiu a presidenta Cristina Kirchner, que tivera um desentendimento com o prefeito de Buenos Aires dias antes (é, eles também têm essas coisas por aqui – trata-se da América Latina, afinal de contas). Mas o que foi mais legal mesmo foi a festa do lado de fora. Com shows rolando em outras partes da avenida foi projetado um documentário sobre a história do teatro, com direito a som e tudo. E muita, mas muita gente mesmo assistindo. Isso é algo que eu nunca vi acontecer, nem mesmo parecido. Não somente um espetáculo projetado na fachada de um prédio pra todo mundo ver, mas um documentário sobre ópera – e o povo todo ali, assistindo. Não sei se haveria um público desse no Brasil…

O que me resta agora é fechar as pontas soltas do trabalho, ajustar meus planos para os próximos passos do meu trabalho, e aproveitar meu último fim de semana em terras porteñas. No outro domingo, volto às terras tupiniquins. Francamente, com o coração partido – os últimos três meses foram os mais fantásticos da minha vida. Mas isso é assunto para o próximo post.