Quem não se comunica…

A internet é um lugar bizarro, onde as pessoas sentem a liberdade de fazer o que bem entendem, ao contrário da vida real, que, por ser uma realidade mais palpável, provoca vergonha em se tomar certas atitudes.

Um exemplo são as coisas que acontecem todo dia no Facebook. Recentemente muita gente tem trocado suas fotos de perfil por imagens de desenho animado que marcaram a infância. Atitude divertida, que comemora o dia das crianças lembrando que todos nós já passamos por essa idade da vida (embora haja casos de gente que já passou dos 40 e continue do mesmo jeito…). Antes do advento das redes sociais ninguém saía na rua usando uma máscara de desenho animado na época do 12 de Outubro… o que mudou?

Mudou a facilidade que as pessoas têm em se expressar. A noção de representatividade passa pelo conceito de “perfil”, ou seja, uma página onde você fala dos seus interesses, idéias, compartilha links interessantes, perturba os outros com joguinhos de todo tipo. Em outras palavras, o perfil acaba sendo uma fachada, e é muito fácil se esconder atrás dessa fachada virtual; oportunidade que não aparece no mundo real. Então, as pessoas aproveitam para fazer justamente isso – se expressar.

Aos críticos desse tipo de serviço não faltam argumentos. Dizem que esse tipo de coisa é uma violação da privacidade, que esses sites usam as informações neles contidas para gerar listas preciosas de dados que muitas empresas pagam caro para obter, que qualquer pessoa pode ter acesso aos dados dos outros… enfim, a gama de respostas é tão grande quanto o número de pessoas que as protestam.

Pessoalmente acredito que “expor dados pessoais na rede” não é mais uma questão de opinião pessoal. A verdade é que, queira ou não, seus dados já estão na internet – de um jeito ou de outro eles vão parar lá. O que se pode fazer é tentar controlar tudo isso, justamente criando uma fachada onde se tem controle sobre o que aparece e o que não aparece – uma página de perfil.

Claro que isso é só mais uma opinião. Eu acho que os benefícios das redes sociais superam, de longe, os malefícios. No mundo de hoje, na verdade, elas são praticamente indispensáveis. Só por proporcionarem a oportunidade de manter contato com amigos distantes, ou mesmo encontrar, ainda que virtualmente, até mesmo os mais próximos, já vale a pena. A verdade é que, hoje em dia, não dá pra usar a internet sem aparecer um mínimo que seja na rede; mais que isso, atualmente a quantidade de recursos disponível on-line supera de tal forma o que se obtém através de meios mais tradicionais que quem prefere “não se envolver” fatalmente acaba ficando para trás. Nas palavras do imortal Abelardo Barbosa, “quem não se comunica, se trumbica.”