Wikis e outras picuinhas

Shmebulock

Wikis são legais!

Eu tinha instalado o MediaWiki no meu servidor já há algum tempo, mas ele ficou 99% do tempo parado porque pra ser bem honesto eu não tinha muita idéia do que fazer com ele.

Recentemente reinstalei o Debian no meu desktop e fiquei pensando como seria bom se eu tivesse um guia por escrito pra me guiar pelo processo, porque instalar é simples, mas configurar tudo ao ponto de ficar confortável de usar são outros quinhentos, e requer um certo esforço.

É bom lembrar, aliás, que isso é verdade pra qualquer sistema operacional, com exceção (talvez) do MacOS, que funciona do jeito dele e você que se acostume.

Enfim, isso me deu uma idéia do que fazer com o ChWiki. Não é nada assim muito espetacular, mas é um começo. Como falou o Elton, é uma base de conhecimento. E pretendo usar esse wiki desse jeito mesmo. Eu sempre encontro coisas que não são muito triviais de fazer e que só preciso fazer de vez em quando, então é complicado ficar guardando todos os detalhes pra lembrar quando eu preciso. Em vez disso, tendo esse wiki eu posso fazer minhas anotações nele. Assim eu posso acessar quando precisar (e, como está disponível nas InterWebs, de onde eu quiser também) de alguma informação do tipo.

Um exemplo é o meu guia de instalação (aquele que eu pensei que seria legal de ter). Estou aproveitando que a memória ainda está fresca da última instalação e estou colocando tudo lá, desde os passos básicos da instalação (onde encontrar imagem, como usar o pendrive USB pra instalar, etc) até as coisas mais obscuras ou complicadas de achar documentação (configuração do openpgp, repositórios do APT, configurações específicas…). Provavelmente da próxima vez que eu precisar instalar um Debian algumas coisas vão ter mudado, mas pelo menos não preciso começar do zero de novo.

Isto posto, estou tentando mais uma vez migrar de vez para o Linux. Claro, ter uma placa de vídeo decente ajuda, mas o ambiente linux também evoluiu bastante nos últimos anos. Com o Steam instalado eu consigo jogar Rocket League sem problemas, mas ainda estou procrastinando pra tentar rodar o World of Warcraft. Alguns jogos não vai ter jeito mesmo, eles só rodam no Windows, então estou condenado a ter aquela partição ali, comendo um espaço do meu HD, esperando pra bootar quando bater aquela vontade de sair causando em Los Santos…

Também comecei a usar o GnuPG. Algumas coisas que eu venho fazendo eu já assino usando o gpg, como por exemplo meus ensaios de programação no github, ou minhas contribuições na tradução de alguns programas (entrei pra equipe de tradução pro pt_BR do GNOME).

Por falar em GNOME…

Pois é. O GNOME mudou um pouco desde a última vez que eu tentei usar.

Há nem tanto tempo assim, eu instalei o GNOME 3 pela primeira vez, e senti como se tivesse levado um tapa na cara. Ele tinha uma interface bonitinha, que tentava ser “fluída”, com transições animadas e sombras e… daí eu me dei conta… o “look and feel” que parecia muito com outro ambiente que eu usei algumas vezes: o MacOS X. Com um visual próprio, mas claramente orientado da mesma forma.

E, principalmente, a atitude.

Quando eu paro pra pensar em como os devs do GNOME respondiam a comentários, sugestões, críticas, etc naquela época, eu entendo porque começaram a brotar uns “forks” – principalmente o Cinnamon e o MATE. Os caras resolveram ligar o foda-se e decidiram que ninguém podia customizar o GNOME – em nada. Não dava pra mudar tema, fonte, cores, absolutamente nada. Tudo mudou da água pro vinho no GNOME 3. Nas versões anteriores, uma das maiores qualidades do GNOME era justamente o quanto era possível customizar tudo nele. Tanto que existia (e ainda existe) um site recheado com milhares e milhares de opções de temas, ícones, configurações de cores, tudo o que você possa imaginar, para customização. E, de repente, o GNOME 3 não permitia quase nada disso – até o comportamento dele era rígido, de um jeito que não dava pra mudar a não ser que você se aventurasse a navegar pelos 400 MB de código fonte dele – ou então desvendasse a Pedra de Roseta de como funciona o esquema de temas.

Em nome da “funcionalidade”, da “modernidade” e da “consistência” algumas das melhores características do GNOME foram simplesmente esmagadas, e daí todo mundo ficou órfão. “Ou você usa desse jeito, ou usa desse jeito”. Ou ainda “GNOME, ame-o ou deixe-o”.

Pois é, eu deixei.

Minha história com “Window Managers”

Passei a usar o Xfce e por um tempo fui feliz. Mas, vou ser bem honesto, eu sempre gostei do GNOME. O Xfce supria minhas necessidades, mas nunca foi a mesma coisa. Eu tive três ambientes gráficos que sempre fizeram sentido pra mim: Afterstep, icewm e GNOME. Nessa ordem.

O Afterstep foi o primeiro que eu sei, e foi o mais empolgante. Há quase vinte anos atrás ele já tinha algumas características sensacionais, umas animaçõezinhas no comportamento das janelas (muito antes dos compositores surgirem), um terminal com transparência… era ao mesmo tempo divertido e útil, porque não atrapalhava o que eu estava fazendo.

Daí veio a fase do IceWM, que era um ambiente mais parecido com o Windows. Em parte porque o Afterstep era bem complicado de configurar, e pra ter a interface mais moderninha eu tinha que baixar, compilar e instalar, o que era complicado porque isso além de tomar um tempo danado ocupava um espaço precioso da minha quota (que na época era uns 10 MB ou coisa assim). O IceWM funcionava “out of the box”, sem muita configuração. Eu só abria ele e pronto, acertava umas poucas coisas (papel de parede, tema de cores, etc) e estava pronto pra usar.

Daí passei pro GNOME, que era customizável, tinha um milhão e meio de applets diferentes cumprindo funções pequenas e úteis, e principalmente, era construído em cima da GTK, uma biblioteca que eu sempre gostei de usar. Alguém aí ainda lembra da rivalidade entre GTK e QT? Pois é, até hoje eu ainda tenho um ranço em usar qualquer coisa com nome começando em K ou Q.

Enfim, o GNOME era construído na GTK (que surgiu pra ser a base do GIMP e de repende explodiu e virou uma biblioteca base pra tudo), e tinha 5 milhões e meio de programas que faziam de tudo. E era muito configurável: eu tinha uma barra no alto da tela com os workspaces, as janelas abertas, uma área de status… e uma barra na parte de baixo, com os “launchers” e outras utilidades. Ele ocupava pouco espaço da tela e eu conseguia ter acesso a um monte de informação útil sobre o computaador e sobre os processos, sem precisar abrir outra janela pra visualizar.

Daí o GNOME 3 matou tudo isso. E eu fiquei puto, xinguei pra caralho e mandei o GNOME à merda (foi um processo, mais a paciência um dia acaba). Os devs do GNOME estavam com uma mentalidade bem estúpida de que os usuários são idiotas que não sabem nada e eles têm que tomar todas as decisões, porque eles “sabem o que é melhor”. Foda-se a sua opinião, meu jeito é melhor que o seu então você tem que fazer assim.

De volta ao GNOME

O ponto todo é que recentemente, quando instalei a Debian de novo no desktop, resolvi dar outra chance. “Vai que eles mudaram de idéia e deixaram de ser escrotos”, pensei. E eu estava certo! A interface deles continua aqui, funcionando do jeito que eles querem (com algumas melhorias, principalmente no desempenho), mas eles agora têm uma interface de extensões pra poder implementar outras funcionalidades, e isso é lindo. Primeiro porque o GNOME funciona “out of the box”. Pode não ser o jeito que eu quero, mas ele funciona – e funciona bem. E quando eu instalo algumas extensões (o que pode ser feito através do próprio navegador), eu posso voltar a ter o que sempre quis – como por exemplo o controle do quod libet ou uma área de notificação ou um controle dos workspaces… enfim. Posso ter o melhor dos dois mundos.

Demorou um pouco, mas eles viram a luz.

Bom, quase todos.

Algumas seções do GNOME continuam com a mesma mentalidade estúpida. Um exemplo disso é o gdm. Ele costumava ser a opção saudável ao xdm, kdm, wdm e todos os outros “dms” que existiam. Mas, ultimamente, o comportamento dele é uma coisa obscena. Não só ele se transformou num porco comedor de recursos, mas sem te perguntar nada ele roda DUAS vezes no mesmo computador.

Se você estiver rodando GNOME > 3.16, faça o teste. Você provavelmente está pensando que está usando a interface gráfica no tty7 (o que é tradicional no Linux, e é o que qualquer pessoa razoável esperaria). Na verdade, você está no tty2 – e se você der Ctrl-Alt-F1, não vai aparecer um terminal de texto – vai aparecer o login do gdm. Lá está ele, comendo sua memória (uns 300 MB pelo menos), enquanto vc tenta tocar seu trabalho com menos memória que você acha que tem. Se você tem bastante, não é tão perceptível, mas se a memória for pouca, isso pode ficar insuportável.

E tem mais: se você fizer login nesse tty1, ele te abre outra interface gráfica – no tty3. E você continua tendo um gdm rodando “em falso’ no tty1. Porque afinal de contas, todo mundo tem 32 GB de RAM hoje em dia né?

Isso acontece no gdm desde 2015. Depois de uma pequena multidão reclamando, eles finalmente aceitaram que isso é uma má idéia (é uma idéia de merda, mas pelo menos eles admitiram alguma coisa). “Então eles resolveram isso, né?”, você pergunta, ingênuo. Não, não consertaram.

Reclamar também não adianta. Você vai receber uma resposta do tipo “Ainnnn não seja malvado com a gente” e sua mensagem vai ser apagada, afinal o “brinquedo” é deles.

Moral da história:

apt-get install lightdm
apt-get remove gdm3

No geral, tudo vai bem

Pra ser honesto, tirando o mega-rant acima sobre o gdm, não tenho grandes reclamações sobre o GNOME. Ele tem funcionado muito bem pra mim, tanto no desktop quando no laptop, e a interface de extensões realmente faz tudo o que eu preciso. Não me sinto confortável usando o GNOME assim há muito, muito tempo.

Algumas coisas ainda não têm muita solução e eu preciso bootar no Windows – principalmete alguns jogos e o Office. Mas, fora isso, a única coisa que tem me dado dor de cabeça mesmo é o BOINC – que por algum motivo se recusa a rodar. Mas isso fica pra uma outra vez…