Estamos doentes.

Se existe alguma conclusão a ser tirada de 2018, é a de que o Brasil está doente. Estamos sofrendo de uma doença terrível, cujas causas somos nós mesmos.

Talvez fosse uma conclusão inevitável, mas a evolução dos acontecimentos no Brasil tomou o rumo do ódio. O segundo turno das eleições deixou isso muito claro. E o problema é a pura falta de escolha; quem vota em um dos candidatos, o faz primariamente porque não quer que o outro candidato vença, e vice-versa. Ninguém está votando em quem apresenta as propostas mais atraentes, mas sim naquele que é menos repulsivo. Não estamos votando movidos pelo amor, estamos votando movidos pelo ódio.

Não me entendam mal: um deles é o candidato do fascismo. Mesmo que ele faça as declarações que faz para “causar impacto” (embora eu tenha a impressão de que ele realmente acredita no lixo que proclama), o maior problema é que ele dá voz aos impulsos mais odiosos que poderiam ser encontrados no coração das pessoas. E muitas dessas sentem-se à vontade para exercer a sua intolerância e ódio, sem medo de repressão ou conseqüências. Independentemente de quaisquer outras comparações que se faça entre os dois candidatos, resta esse fator.

Mas o pior de tudo, pior até mesmo que o crescimento do fascismo no Brasil, é o nível de polarização a que chegamos. Que, aliás, reforça esse caráter extremista: “se você não concorda comigo, você é o inimigo”.

Teremos tempos bem difíceis pela frente.