Ainda sobre o Facebook

Não parei de pensar no Facebook só porque saí dele.

Nem porque escrevi um post a respeito.

Na verdade, me ocorreu algo ontem que eu já tinha concluído há vários anos atrás mas acabei esquecendo: não dá pra esperar que ninguém vá coletar dados sobre o que você faz na Internet. E, vamos combinar, não é algo tão ruim assim. Os dados coletados sobre o que fazemos muitas vezes são utilizados de forma legítima para melhorar a experiência que temos.

É conveniente receber anúncios ligados a coisas que nos interessam. Eu, por exemplo, detesto receber propaganda de astrologia (principalmente porque astrologia é uma superstição estúpida e cientificamente analfabeta). Claro que a fronteira entre isso e a filtragem de opiniões divergentes é meio tênue, mas ainda assim é uma abordagem válida. Afinal de contas, procurar opiniões divergentes é responsabilidade de qualquer pessoa racional que dá valor ao que está certo e não às próprias opiniões. E, naturalmente, ir atrás de opiniões que não as nossas alimenta o mecanismo de filtragem de conteúdo que nos alimenta de volta.

O problema surge quando essas informações são coletadas e usadas de maneira abusiva. E isso não é exatamente um problema pessoal de ninguém (não estou falando aqui de coisas como o direito a ser esquecido). Esse tipo de problema surge quando dados de um número muito grande de pessaos é utilizado, como foi o caso da Cambridge Analytica (faço questão de escrever o nome inteiro da empresa porque ela não tem nada a ver com a Universidade de Cambridge).

O que significa que o Facebook provavelmente coleta dados demais a respeito dos usuários, não respeita o direito deles à privacidade e possivelmente usa esses dados de maneira abusiva. Ou, pior ainda, não garante que eles sejam mantidos em segurança e longe das mãos de gente mal-intencionada.


UPDATE: Uma boa notícia é que isso pode estar prestes a mudar. Entra em vigor, agora em maio, uma resolução da União Européia que regulamenta as responsabilidades de empresas que coletam dados de seus usuários, o que pode ajudar a garantir um certo nível de privacidade individual e também um nível de prestação de contas a respeito de como esses dados são usados.