Indecisão e preguiça

Indecisão é uma das coisas que eu menos consigo tolerar. Não sei por quê, mas a inabilidade de uma pessoa de decidir de uma vez o que quer me deixa maluco. E, ironicamente, é uma característica recorrente minha. Eu sempre tento evitar, mas às vezes não tem jeito e eu fico sem saber o que escolher. É o caso deste blog, por exemplo. Comecei ele pensando em simplesmente utilizá-lo pra colocar umas bobagens nérdicas aleátórias (ou seriam randômicas?), e no fim das contas mudei de idéia e vou acabar fazendo isso na Panela.

Mas não é disso que eu ia falar, embora seja importante especificar o que acabei de mencionar.

O fato é que a preguiça é, acredito, um dos meus piores defeitos. Eu passo a maior parte do tempo reclamando de quanta coisa tenho por fazer, de como estou ferrado com pendências e et cetera, mas no fim das contas, quando finalmente tenho tempo de acertar tudo isso e colocar as coisas em dia, acabo enrolando indefinidamente até que, quando o feriado está quase acabando, fico me auto-ofendendo e reclamando de como sou um completo idiota.

Na verdade eu deveria é tomar vergonha na cara e praticar um pouco mais a minha força de vontade. Isso eu já sei, o que me falta agora é fazer isso. Pelo menos, desta vez, algo já está diferente: tomei consciência da minha própria fraqueza antes que seja tarde demais. Mas, novamente, a preguiça impera, e o tempo vai se esvaindo enquanto eu fico enrolando.

Não posso deixar de me culpar, porque no fundo sei que só cheguei ao sétimo ano de Física (e com um currículo nada invejável) por causa disso – é uma das poucas coisas que me arrependo de ter feito. Infelizmente não se pode voltar no tempo tendo o aprendizado das experiências que já vivemos. Se houvesse algum Doc Brown por aqui eu já teria feito isso há muito – e a história da minha vida acadêmica teria sido bem diferente.

Em geral eu não me preocupo com questões do tipo “o que você faria se pudesse voltar no tempo”, mas isso em particular é algo que eu mudaria – mesmo que eu não saiba como. De qualquer maneira, como se trata apenas de um fútil exercício de imaginação, não faz muita diferença. Eu só queria poder parar de ficar imaginando como seria a minha vida se certas decisões que tomei no passado tivessem sido diferentes. Não raro eu fico meio deprimido quando penso nisso…

Há muito que venho pensando nesse tipo de coisa, mas nunca tinha encontrado motivo ou vontade de colocar isso em palavras – muito menos num blog. “Mas”, pensei, “e daí?” Afinal de contas, cheguei à conclusão que uma das idéias de ter um blog é justamente compartilhar experiências. Certas coisas merecem ser ditas – quem sabe eu possa ajudar alguém a evitar o caminho desastroso que percorri? É uma idéia meio ingênua, mas não me importo muito. Não dizem que o que vale é a intenção? Também dizem que de boas intenções o Inferno está cheio, mas esse é um fato que eu assumo como incorreto, então ele se torna vazio de significado. Mesmo que ninguém sequer chege a ler isto, minha consciência já descansa um pouco mais tranqüila, porque de um jeito ou de outro coloquei isso pra fora.

E agora chega de escrever. Já são quase oito da noite e tenho prova de Quântica amanhã.

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