Random Nerd Rants

Random rantings from a random nerd.

De volta

Depois de (mais) um longo hiato, eis que surge novamente, das cinzas, este blog.

Por uma série de motivos que não vêm ao caso e sobre os quais eu não quero falar, o site acabou ficando fora do ar por boa parte do ano. Haja vista que o último post é do início do ano…

Enfim. Finalmente há boas novidades no ar. Este blog vai servir mais uma vez a um propósito que ele cumpriu lá em 2010, mas quem sabe desta vez eu tenha um pouco mais de paciência pra sentar e escrever nele um pouco mais frequentemente… Gostaria de fazer bem mais que um post por mês.

Enfim, eis-me aqui de volta. O outro site também está voltando, tentativamente, se eu tiver pique pra mantê-lo funcionando. E, como é típico, fui lá e criei MAIS UM. Agora serão três, com assuntos específicos. Este, um blog pessoal pra eu falar o que quiser, o Foca na Ciência, que fala de – d’uh – ciência e tenta divulgar coisas interessantes, e agora tem o A Culpa é do Hunter, um blog sobre World of Warcraft.

Veremos quanto tempo isso dura.

Feliz Ano Novo

2016 foi um ano de merda. Tá aí, falei.

Isto posto, anos pares têm sido, historicamente, ruins para mim (há exceções, claro). 2016 foi um dos piores.

Não vou ficar aqui falando de tudo que me aconteceu no ano que acabou antes de ontem, mesmo porque certas coisas eu não gosto de ficar postando em lugar nenhum.

Mesmo assim, gostaria de registrar meus sentimentos com relação a 2016 aqui, nem que seja para ler daqui a dez anos e pensar “no que diabo eu estava pensando?”, que é o que eu faço atualmente com as postagens mais antigas deste blog (sem considerar as que são ainda mais antigas mas que por um motivo ou outro eu acabei perdendo).

Para começar, duas batidas de carro. Uma dentro de um estacionamento cujo proprietário não foi exatamente honesto, mas que poderia ter sido pior. Ainda assim, fiquei insatisfeito com a resolução porque no fim das contas eu paguei pelo erro dos outros. Enfim. A outra batida foi de uma pessoa que não olhou para os lados quando deveria e sumiu devidamente sem deixar muitas pistas… em parte por causa da minha idiotice, já que eu deveria ter pedido o documento dela, anotado todas as informações e feito um registro fotográfico melhor… fica o aprendizado (e a eventual ação no tribunal de pequenas causas).

Fora isso, fui incluído no contingente de pessoas que perdeu o emprego “por conta da crise”. Uma crise que se originou da administração estúpida e irresponsável, típica da classe política brasileira, que por sua vez representa o povo brasileiro, que não sabe (nem quer) participar da vida política do país. O resultado são as raposas tomando conta do galinheiro… e quem paga a conta dos ovos são as galinhas, que em sua maioria só se interessam por futebol, carnaval e cerveja. E ai de quem “falar mal”: “como assim você não gosta de futebol? Você não é brasileiro não?”

Apontar erros é, na verdade, justamente o oposto que “torcer contra”. Sem alguém para indicar o que está errado, como podemos melhorar? Mas, em vez disso, a maioria das pessoas encara isso de uma maneira estupidamente reversa, como se deixar de assumir os problemas fosse fazê-los ir embora.

De qualquer forma, este post não é sobre a estupidez das pessoas. Então, seguindo…

Perdi um amigo em 2016. Alguém que eu considerava como um membro da família, que tinha livre acesso à minha casa e à minha vida particular, mas que mostrou que não era digno dessa confiança toda. Não quero dar mais detalhes, mas eu atingi a minha cota: certas pessoas não valem a pena o esforço, e quero me concentrar em quem vale.

Meu balanço de 2016 é que perdi muita coisa, mas essas perdas contribuíram para o meu crescimento. Aprendi muito, e percebi que passei tempo demais tentando fazer a coisa errada – ainda que pelos motivos certos. Por mais difícil que seja, é necessário seguir o caminho que defini para mim mesmo há tanto tempo atrás, e embora seja necessário admitir que a rota percorrida não seja a traçada, também é necessário lembrar que os desvios só valem a pena se levam ao mesmo destino.

Como sempre, persistência, paciência e disciplinas são as palavras de ordem.

Que venha 2017.

Olá câmera! =)

Por um bom tempo eu achei que a minha câmera havia morrido em outubro com as tempestades e quedas de energia que aconteceram.

Parece que, felizmente, eu estava enganado. Por desencargo de consciência liguei a câmera no computador de novo e qual não foi minha surpresa ao perceber que ela está funcionando novamente!

Francamente não tenho certeza do que pode ter acontecido. Pode ter sido algum mau-contato entre a controladora USB e a placa-mãe (que eu uso pra ter USB3 adicionais), ou a câmera tem componentes borg e por isso se recuperou sozinha.

Não importa, o bom é que voltei a ter a possibilidade de fazer meus streams. O que não significa que eu vá fazer isso, perdi a inércia e teria que recuperar bastante coisa pra voltar a fazer isso. Sem falar em conseguir de novo ter um horário pra sentar na frente do computador sem interferências externas… enfim. Vou tentar pensar em algum arranjo pra voltar a fazer vídeos em 2017. Veremos!

Tchau Câmera =(

A tempestade da quinta-feira passada deixou vítimas. Felizmente nada essencial à vida da casa: geladeira, máquina de lavar etc estão todas funcionando bem, obrigado.

Quem morreu (fazendo escândalo, aliás) foi a minha câmera. Meus vídeos no twitch perderam um pouco da graça porque eu não posso mais aparecer… o que é uma parte importante quando se faz transmissões desse tipo. Vou ter que pensar em um jeito de consertar isso.

Eu sabia que algo tinha ido pro saco. Em uma das 345665 vezes que a luz caiu e voltou, fatalmente alguém ia acabar se lascando com o transiente lascado… obrigado Eletropaulo. Foi um ruído bem alto, e deu pra ver uma luz parecida com um flash na sala. Na hora não deu pra ver o que era, mas quando fui inciar o stream na sexta-feira eu percebi que não havia sinal da câmera…

Uma coisa que dá pra fazer é restaurar a câmera antiga. É melhor ter uma imagem com resolução porca do que nenhuma imagem…

How Star Wars Conquered the Universe

Por uma série de motivos (que não vêm ao caso) ainda não terminei de ler esse livro, que comecei há várias semanas.

Também não sei se é uma obra “autorizada” ou não – embora eu desconfie que, mesmo não sendo, tenha contado com a colaboração de muita gente intimamente ligada à franquia e ao George Lucas, o que dá uma certa credibilidade ao texto.

Na verdade só estou escrevendo este post porque me passaram duas coisas pela cabeça que achei que seria relevante colocar aqui (mesmo porque se não fizer isso posso acabar esquecendo).

A primeira delas é uma sensação de que descobri o problema da trilogia prequel de Star Wars: George Lucas é um péssimo escritor. E, pior ainda, é tão obcecado com as histórias que cria na própria cabeça que nunca, jamais, alguém seria capaz de colocar no papel essas histórias de uma maneira que ele achasse satisfatória.

Uma evidência clara disso são as inúmeras mutilações revisões à história que ele fez ao longo dos anos.

Isso me veio à cabeça porque, quando estava escrevendo American Graffiti, George Lucas teria mencionado que só se daria por satisfeito se o roteiro refletisse 60% da sua visão. Em seguida, Taylor mencionsa que a mesma coisa teria acontecido a Episódio I – A Ameaça Fantasma, e que a porcentagem teria sido de 90%.

Cara, esses 10% fizeram MUITA falta.

Não é hoje que vou escrever minha opinião sobre os prequels. Mas, de um ponto de vista geral, a história faz sentido. A evolução de Anakin de garoto inocente e bem-intencionado a jedi poderoso e (ainda) bem intencionado a vilão é mais ou menos clara. Os problemas começam quando essa história – que faz algum sentido mas não deixa de ser medíocre – precisa ser levada adiante por um roteiro que parece que foi escrito por um adolescente, e que se desvia tanto que quando os momentos críticos aparecem é necessário forçar a barra para que tudo aconteça. Em outras palavras, os personagens são levados a agir de maneira incongruente com a maneira como foram construídos, mudando de direção sem a menor cerimônia. Um exemplo claro disso é a maneira como Anakin simplesmente se rende e imediatamente chama de “mestre” o homem que estava prestes a matar. Em um intervalo de alguns minutos ele passa de “jedi bonzinho” para “sith malvado que mata criancinhas” em uma transição que não é perceptível nem no texto nem no subtexto.

Outra coisa que eu quero deixar registrada aqui é que a pesquisa do Chris Taylor obviamente foi muito profunda: ele revela certos detalhes que são, ao mesmo tempo, totalmente irrelevantes e extremamente interessantes. É muito legal entender, por exemplo, de onde veio o nome da raça do Chewbacca ou o nome R2-D2.

Estou lendo aos poucos o livro, mas estou me divertindo a cada página.

 

The Martian

“The Martian”, de Andy Weir, foi minha primeira experiência real de leitura no Kindle. Mas vou deixar pra registrar minhas impressões sobre o leitor mais tarde, depois de mais alguns livros e de mais um tempo de experiência com ele.

Por enquanto, vou me ater ao livro mesmo.

Como todo nerd que se preza, sou fascinado pela exploração espacial. Desde moleque um dos meu sonhos era trabalhar na NASA. Então não é nenhuma surpresa que o filme tenha me atraído tanto.

Como sempre, no entanto, o livro é muito melhor. A história é ainda mais realista, assim como os problemas e as soluções que se apresentam. O autor é um entusiasta sobre Marte, e nas suas próprias palavras, ele “passou a vida inteira se preparando para escrever esse livro”. E ele fez um excelente trabalho. A história é sensacional, e a única coisa que incomoda um pouco é um sujeito que é, ao mesmo tempo, Engenheiro Mecânico e Botânico – não apenas isso, mas ele tem um domínio excelente das duas coisas. E, naturalmente, é uma coincidência espetacular que justamente ele tenha sido deixado para trás no planeta vermelho.

Fora isso, no entanto, a história é cativante. Prende de um jeito que poucos livros conseguem, e não dá para parar de ler. Weir é muito competente ao passar a impressão de que se trata de fato de uma operação da NASA. Algumas coisas precisam de um pouco de suspensão da descrença, mas isso favorece o livro então tudo bem.

O que achei, de fato, mais interessante no livro, e de longe foi o aspecto mais divertido, foi o senso de humor de Mark Watney. Ele é espontâneo, descontraído, ácido e sarcástico – absolutamente delicioso. Ri muito com ele. E é mais interessante notar que, em se tratando de um livro que retrata uma situação extremamente dramática, a gama de emoções oferecida ao leitor é enorme, indo do riso descontrolado ao drama do resgate, sem aqueles momentos mais bregas (embora muito legais) do final do filme.

Update: esqueci de mencionar que a nerdice do autor é tão enraizada que ele faz questão de fazer as contas em vez de escondê-las. E isso é uma coisa muito foda.

Caminhos

O final do semestre passado marcou o final de uma época confusa, três anos e meio atuando como professor.

Como em quase tudo na vida, houve coisas boas e coisas ruins nessa atividade; mas a verdade é que eu não estava feliz com aquilo. Estava precisando de uma mudança radical, e de certa forma é uma boa coisa que eu tenha recebido essa oportunidade de quebrar a inércia e partir em busca de algo que realmente me satisfaça.

Não que seja uma situação confortável. É uma merda, estou desempregado e é uma sensação terrível não saber até quando ficarei assim. Mas, ao mesmo tempo, não poderia haver momento melhor de rever alguns conceitos, incluindo o que eu espero da minha carreira.

No Brasil existe uma dicotomia prejudicial no que se refere à formação superior: existem dois caminhos possíveis, e mutualmente exclusivos. Se você decide ficar na Academia, então esqueça o mundo corporativo: ele não é para você, e se você se envolver vai se tornar “material contaminado”. Bancas em geral vão te menosprezar por ter “se vendido” e por ser “impuro”. Afinal, no Brasil o caminho da graduação ao concurso é suave, com mestrado, doutorado, pós-doutoramento… tudo isso é bastante fácil de conseguir e não existe problema com financiamento ou incentivos à carreira acadêmica…

…só que não.

Para quem está no mundo acadêmico existe uma impressão muito forte de que a única opção é obter o PhD e entrar no ciclo de pós-docs até conseguir passar num concurso e virar docente. Como se não houvesse qualquer outra alternativa imaginável para quem decide obter graus de formação avançados.

Depois de alguma conversa com quem saiu dessa ciranda, tenho a impressão de que isso só acontece nestas paragens retrógradas e engessadas da “Pátria Educadora”. Lá fora mercado e academia se conversam muito bem, e de fato é essa união que funciona como grande motor para a inovação e o progresso científico. Não somente em termos de oportunidades para quem está finalizando sua formação, como também em termos de novas idéias, perguntas que precisam ser respondidas e – principalmente – financiamento.

Não sei se esse caminho é o que eu vou trilhar daqui para a frente. Felizmente existem alguns caminhos que posso procurar seguir, e ao contrário do que eu imaginava existe até a possibilidade de escolha. Talvez o único obstáculo na minha frente seja eu mesmo.

Adeus Draenor.

Hoje é dia de patch. Finalmente, depois de mais de um ano sem grande coisa, um patch de conteúdo (de verdade) está entrando no World of Warcraft.

A expansão é Legion, e traz de volta a Burning Legion; o grande inimigo do universo Warcraft. Ela primete bastante, com várias melhorias na interface de usuário, uma história muito interessante, upgrades no visual do jogo, uma nova classe, enfim, uma cacetada de coisas.

O que eu não gostei foi do processo de desenvolvimento; é até compreensível que os desenvolvedores do jogo decidam tomar o rumo que bem entenderem, afinal é o jogo deles e eles têm esse direito. Os usuários têm que se acostumar, se adaptar ou trocar de jogo. O problema é a fachada de boa-vontade que eles mostram, sem ter atitudes condizentes. Dizem que querem a opinião dos jogadores, mas aparentemente tudo que fazem com ela é ignorar tudo.

Se vão ignorar, então pra quê ficar fazendo alarde? Pra quê ficar pedindo feedback o tempo todo, se vão ignorá-lo? Simplesmente para usar a paixão das pessoas que amam o jogo para fazer o serviço de um time de testes. O único feedback que lhes interessa é limpar os bugs. Mas os bugs não foram o principal problema, mas sim a jogabilidade, a diversão do jogo.

Para pelo menos uma classe, os hunters, eles disseram “fodam-se”. Assim que a classe foi liberada no alfa, e durante o beta, os fóruns ficaram tomados de comentários, tanto de pessoas que estavam envolvidas nessas fases quanto de gente que prestou atenção nas notícias que apareciam. As mudanças à classe foram criticadas de forma unânime; ninguém gostou delas. Foram muitas, algumas exageradas e outras simplesmente descabidas. A impressão que dá é que destruíram a classe mais popular do jogo. E qual foi a resposta deles a todo o feedback negativo que receberam? Nenhuma.

Nem uma única linha, nem uma única palavra de resposta. Todo aquele feedback, todos aqueles comentários, todo aquele tempo gasto nos fóruns não serviu de nada. Foi tudo sumariamente ignorado, apesar do avisozinho escroto que dizia “estamos ouvindo!” e pedia por feedback.

Sinceramente, estou meio revoltado com a Blizzard. Faz tempo que, apesar do serviço ao cliente deles ser excelente, eles não dão a menor pataca para quem ama seus jogos há tanto tempo.

Espero estar errado, pelo menos em parte, e que a classe esteja ainda divertida. Eu duvido, mas milagres podem acontecer. E, sinceramente, espero que este seja o caso. Se eu perder minha classe preferida, não sei se terei interesse em continuar jogando. Não falo isso pela Blizzard, que apesar de ter perdido uma verdadeira legião de jogadores ainda tem milhões de regulares no WoW. Eles não vão ligar se um único jogador casual sair. Mas fodam-se eles; só não quero me investir mais nesse jogo para não ter mais a ótima experiência que tive nos últimos anos de jogo.

Eu poderia seguir aqui falando de tudo que eles têm feito de errado com WoW, mas sinceramente é muita coisa, eu não saberia entar em detalhes sobre tudo e estou sem saco. Antigamente, eu faria isso, e gastaria umas horas escrevendo este post. No momento, tenho mais o que fazer. Só pretendo entrar no WoW semana que vem, quando voltar de viagem.

Se meu eu do passado por acaso vir este post, sim, este é o ponto a que chegamos. Não, ainda não achei um substituto, e por enquanto ainda estou tentando insistir no WoW, enquanto me engano com Minecraft e joguinhos de facebook.

Adeus Tite

O Tite aceitou a proposta da CBF e vai ser técnico da selecinha brasileira. O comentário do Juca Kfouri, na matéria do link, é lindo. Transmite bem o meu sentimento com relação ao que essa decisão do Tite representa.

Acho a seleção brasileira escrota, um sintoma do câncer conhecido como CBF, que transformou o futebol brasileiro no lixo que presenciamos hoje em dia. Jogadores despreparados, times que contam apenas com o talento individual, torcidas descontroladas, violência generalizada nos estádios (e fora deles). Tudo isso porque a CBF não administra o futebol; o utiliza para seu próprio ganho.

Graças a ela, o Brasil deixou de ser o “país do futebol” há muito tempo. Não temos “grandes times”. Os times que ocasionalmente se mostram fortes e ganham campeonados são prontamente desmontados, já que vender jogadores dá muito dinheiro. Não somos mais o país do futebol; somos apenas fornecedores de mão de obra.

Mão de obra, alliás, desqualificada. Os jogadores brasileiros não têm disciplina, preparo físico nem fundamentação teórica. Muitos largam a escola assim que conseguem a primeira oportunidade em um time. Quando chegam a outros times, têm que passar por uma adaptação na qual devem adquirir essas bases para poder jogar.

Enquanto isso, o calendário do futebol brasileiro continua sendo essa coisa grotesca e estafante, repleta de compromissos nos quatro cantos do país, que gera despesas enormes e cansaço e desgaste físico para jogadores e comissões técnicas.

A seleção brasileira não representa o futebol brasileiro, porque é composta primariamente de jogadores que atuam no exterior. Como se isso não bastasse, há a ingerência da CBF, que interfere no trabalho do treinador. Esse, aliás, sofre com o calendário mais que ninguém, já que os períodos de treino são pequenos o suficiente para serem irrelevantes, e a frouxidão da CBF permite que os clubes impeçam que jogadores sejam convocados.

Caso emblemático é o de agora: a menos de dois meses da Olimpiada troca-se o técnico, como se a simples substituição fosse uma fórmula mágica que, “do dia para a noite”, fosse resolver todos os problemas da “equipe”. Como se, nos próximos 50 dias, Tite fosse ter tempo suficiente para montar um time (que, aliás, deveria ter sido anunciado ontem segundo o cronograma do torneio), fazê-lo se entrosar e criar táticas de jogo para enfrentar os adversários que terá pela frente.

Quanto ao Tite, é uma decepção total ele ter aceitado o convite. Algumas pessoas postaram no facebook “obrigado Tite”. Eu não. Não devo nenhum agradecimento a ele. Seu trabalho no Corinthians foi exemplar, assim como a atitude do clube e, mantê-lo mesmo quando a situação não era boa, principalmente da última vez que ele foi técnico e, por ter tido a oportunidade de manter a continuidade de seu trabalho, acabou “ganhando tudo” (Brasileiro, Libertadores e Mundial).

Tite que até pouco tempo atrás criticava a CBF, “se rendeu”. Perdeu a oportunidade de dar um tapa na cara (muito merecido) da CBF e de Marco Polo del Nero. Perdeu um gol feito, e parte do respeito que tenho por ele.

Bagunça na USP

A USP está passando por aquela época do ano em que os revolucionários de plantão resolvem sair das suas tocas e atrapalhar a vida dos outros.

Estamos passando por uma crise grave no país inteiro. A USP não é diferente, ainda mais considerando a gestão inconsequente e irresponsável a que ela vem sendo submetida nos últimos anos.

Por isso, são justificadas e compreensíveis as reivindicações que os movimentos em atividade na USP reivindicam. Pessoalmente eu sou a favor de muitas delas, especialmente considerando que as universidades estaduais paulistas foram instigadas a se expandirem sem que houvesse aumento do repasse do governo do estado para elas. A saber, o percentual do ICMS continua sendo o mesmo. Não é à toa que o comprometimento só com a folha de pagamento passa dos 100% (pelo menos na USP). Para se expandir, é necessário contratar funcionários e professores, adquirir terrenos, construir prédios, instalar toda a infra-estrutura… por algum motivo o governador parece acreditar que as estaduais dispõem desse tipo de dinheiro, e se preocupou somente em colher os “louros” de ter expandido as universidades paulistas.

Quem, em sã consciência, expandiria qualquer operação sem uma fonte adicional de verba?

É bom lembrar também que a USP passou por um plano de demissão voluntária que diminuiu o número de funcionários da universidade, o que deixou vários laboratórios numa situação difícil, pois o número de funcionários já não dá conta da demanda… alguns laboratórios ainda conseguem “compartilhar” técnicos, mas mesmo assim a situação é difícil. Outro problema é que vários dos que foram embora levaram consigo a sua experiência, e não há quem os substitua na função que exerciam por simples falta de treinamento.

Isto posto, é absurda a demanda de 13% de aumento. Sabendo que a universidade está em sérias dificuldades, os proponentes desse reajuste querem, a julgar por esse número, piorar ainda mais a situação.

Mais ainda, e aparentemente é isso que se mostram completamente incapazes de compreender, as suas “táticas” de manifestação alienam e afastam a maioria das pessoas que lhes daria suporte. Ao bloquear as entradas da Universidade, promover “cadeiraços” e criar transtornos através de piquetes, não chegam nem perto de afetar aqueles que têm algum poder de decisão sobre os assuntos que estão na pauta; pelo contrário, prejudicam aqueles que fazem da USP a melhor universidade do país, impactando o desempenho acadêmico e profissional de milhares de pessoas. Não gosto nem de imaginar quantas teses de doutorado isso custará.

Por último, mas não menos importante, é a atitude ridícula e ignorante dos alunos. Através de uma “assembléia” nada representativa, alegando que essa é uma forma “soberana” de manifestação dos estudantes, justificam qualquer absurdo que lhes venha à mente (usando táticas dignas do Congresso Nacional), sem pensar em quaisquer consequências. A mera definição de “greve de estudantes” é, por si só, absurda. Uma greve existe como um direito do trabalhador, uma maneira de ele se manifestar, criando um prejuízo a seu “patrão”, como forma de forçá-lo a negociar. Existe uma relação clara entre quem se manifesta através da greve e quem é prejudicado por ela. No caso da “greve” que os alunos alegam estar manifestando, essa relação não existe. O principal prejudicado é o próprio aluno, não somente porque o professor pode ignorar a greve (com as conseqüências que isso acarreta, como marcação de faltas e provas perdidas), mas principalmente porque o aluno, ao deixar de freqüentar a aula, deixa de ter a oportunidade de adquirir conhecimentos que lhe serão úteis em fases posteriores do curso e em sua vida profissional. Em outras palavras, o aluno prejudica a si mesmo, numa atitude infantil e mimada, esperando que os outros atendam às suas demandas. O pior aspecto disso é que, como se isso não bastasse, ele ainda crê ter o direito de forçar a sua opinião sobre as outras pessoas, agindo de forma unilateral, truculenta e completamente intolerante para que todos ajam de acordo com o que ele pensa. Quem não concorda e tenta exercer seu direito é hostilizado, ameaçado e atormentado à exaustão. A parte irônica disso tudo é que essas são justamente as pessoas que concordam com as reivindicações, mas são afastadas da manifestação por causa dessas atitudes.

Apenas depois que o estrago já está feito, quando vem a resposta em forma de provas aplicadas, faltas marcadas e outras atitudes por parte da instituição, o manifestante alega estar sendo perseguido, grita que está sendo oprimido e clama por diálogo. É a criança birrenta que prende a respiração porque os pais não querem lhe dar o que quer, e só depois da birra tenta argumentar. Só que, depois da birra, o estrago já está feito.

 

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